TECNOLOGIA
Brasil avança em projeto de gêmeo digital do oceano para monitorar o Atlântico Sul em tempo real
O Brasil deu mais um passo na construção de sistemas avançados de monitoramento oceânico com o workshop internacional Data to Decision: Towards a Digital Twin Ocean Platform for the South Atlantic, nessa segunda-feira (4). O objetivo é colaborar para o projeto global Gêmeo Digital do Oceano, que consiste em uma representação virtual de alta resolução que combina dados observacionais, modelagem numérica e simulações preditivas. O País quer aumentar a capacidade de prever fenômenos oceânicos, monitorar mudanças ambientais e responder a eventos extremos.
O encontro foi promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (Inpo), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a organização europeia Mercator Ocean International.
Durante a abertura, o diretor-geral do Inpo, Segen Estefen, destacou que o projeto é um avanço na articulação entre ciência e aplicação prática. Segundo ele, a proposta é construir uma plataforma colaborativa, conectando infraestrutura de dados, modelagem e usuários finais. “Estamos falando de integrar dados, desenvolver modelos regionais mais precisos e garantir que o sistema seja construído a partir das necessidades reais dos usuários.”
Na parte da manhã, a discussão foi dedicada a uma visão geral dos sistemas oceânicos digitais desenvolvidos pela Mercator Ocean International. No período da tarde, as apresentações abordaram aspectos técnicos dos sistemas de previsão oceânica operacional e os requisitos dos usuários, além de dar um panorama das iniciativas já existentes no Brasil e possíveis frentes de colaboração internacional.
O workshop está inserido na estratégia brasileira de colaborar para projetos como o Copernicus Marine Service — ou Serviço de Monitorização do Meio Marinho Copernicus. Este é o instrumento marítimo do programa de observação da Terra da União Europeia (UE), executado pela Mercator Ocean International.
Estavam presentes representantes do Governo do Brasil, da marinha, da academia e de instituições internacionais para discutir a criação de uma plataforma digital capaz de integrar dados oceânicos em tempo real e transformá-los em suporte à tomada de decisão.
De dados a decisões: o desafio central
Um dos pontos centrais do debate foi a necessidade de transformar grandes volumes de dados em inteligência acionável. A proposta do gêmeo digital vai além de um repositório de informações: trata-se de uma plataforma que permite simular cenários e antecipar impactos.
Na prática, isso significa prever eventos extremos com maior antecedência; monitorar deslocamento de espécies marinhas; apoiar a navegação e operações offshore; e orientar políticas de adaptação climática.
A Marinha do Brasil destacou que já tem papel estruturante nesse processo, especialmente na gestão e consolidação de dados oceanográficos. Segundo o vice-almirante Ricardo Jaques, o País ainda precisa avançar na integração e compartilhamento dessas informações. “O desafio de transformar dados em decisões requer confiança, coordenação e clareza de objetivos”, afirmou.
Segundo interlocutores do Inpo, tecnologias desse tipo permitem:
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Antecipar eventos extremos como tempestades e ciclones
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Monitorar vazamentos de óleo
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Acompanhar mudanças na temperatura do mar que afetam o clima
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Entender impactos econômicos, como a migração de peixes e efeitos sobre a pesca
A relação com fenômenos climáticos como o El Niño também foi citada como exemplo da relevância do monitoramento oceânico.
Integração internacional e papel estratégico do Brasil
A parceria com a Mercator Ocean International é central para o projeto. A organização lidera, há três décadas, o desenvolvimento de sistemas operacionais de oceanografia digital, capazes de monitorar variáveis como temperatura, salinidade, correntes e oxigênio em escala global.
Segundo o diretor-geral da Mercator, Pierre Bahurel, o desafio atual não é mais apenas produzir dados, mas torná-los operacionais. “Estamos entrando em uma nova fase, em que precisamos transformar conhecimento em sistemas capazes de entregar informação confiável no momento em que ela é necessária”, afirmou.
Hoje, os sistemas da Mercator operam com dezenas de variáveis oceânicas atualizadas em alta frequência, a partir da integração entre satélites, medições in situ e modelagem computacional. Esses dados alimentam serviços utilizados por governos, empresas e pesquisadores em todo o mundo.
Nesse contexto, o Brasil é visto como um parceiro estratégico, especialmente pela relevância do Atlântico Sul no sistema climático global e pela capacidade científica já instalada no País.
O workshop marca a implementação do acordo firmado entre Inpo e Mercator em 2025 e deve resultar na elaboração de um plano de ação com metas concretas. A proposta é apresentar avanços na Conferência da Década do Oceano, prevista para 2027, no Rio de Janeiro.
TECNOLOGIA
AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
O sistema AdaptaBrasil lançou nesta quinta-feira (2) uma ferramenta com o objetivo de facilitar a consulta às informações sobre risco climático para cada um dos 5.570 municípios brasileiros. O Painel Cidades reúne informações sobre 12 setores e subsetores estratégicos. Além da visualização integrada das informações, com a visão centrada em âmbito municipal, é possível obter detalhamento sobre indicadores de ameaça climática, exposição e vulnerabilidade.
A plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), e conta com a colaboração de diversas instituições setoriais. O objetivo é consolidar, integrar e disseminar informações sobre riscos climáticos para subsidiar os tomadores de decisão com base na melhor ciência disponível. O Painel Cidades representa mais um importante avanço do AdaptaBrasil, consolidando anos de colaboração entre as instituições e no aprimoramento de plataformas que disponibilizam evidências, fortalecendo a transparência climática e apoiando a tomada de decisão.
“Essa nova funcionalidade avança na democratização de acesso ao conhecimento à medida que permite entregar aos usuários informações sobre risco climático mais acessíveis e de modo mais rápido. Esse esforço visa apoiar o planejamento de adaptação à mudança do clima em áreas estratégicas. O painel foi pensado para que os gestores e suas equipes técnicas tenham à disposição dados essenciais para a ação climática”, afirma o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio Rojas.
Os dados do Painel Cidades são os mesmos já disponíveis na plataforma, cuja consulta é feita por meio dos setores estratégicos e representação cartográfica nacional dos resultados. O novo formato de busca e visualização a partir do município é uma inovação tecnológica de apresentação mais amigável dos indicadores e índices de ameaça, exposição e vulnerabilidade, dimensões que compõem a metodologia da “flor de risco”, em conformidade com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês).
“Mais do que uma nova funcionalidade do AdaptaBrasil, o Painel Cidades inaugura uma forma inovadora de visualizar os riscos climáticos de cada município brasileiro, tornando informações complexas mais acessíveis para gestores, pesquisadores e sociedade”, explica o gerente de soluções responsável pelo projeto na RNP, Christian Miziara. “Ao apresentar os dados de maneira integrada e orientada ao território, o painel fortalece a capacidade de planejamento e adaptação às mudanças do clima. Nesse processo, a RNP contribui com sua infraestrutura e expertise em tecnologias digitais para transformar evidências geradas pela pesquisa brasileira em informações confiáveis, acessíveis e capazes de apoiar decisões estratégicas para um futuro mais resiliente e sustentável”, complementa.
O AdaptaBrasil tem se consolidado como a principal ferramenta pública para identificação, análise e priorização de riscos climáticos no País. Os dados são gratuitos e abertos. A metodologia empregada considera as melhores práticas recomendadas no âmbito científico global. A ferramenta reúne informações sobre ameaça climática, exposição e vulnerabilidade traduzidas em índices e indicadores para os setores: recursos hídricos, segurança energética e alimentar, saúde, infraestrutura portuária, ferroviária e rodoviária, biodiversidade e desastres geohidrológicos. Além de informações sobre a atualidade, a plataforma projeta ameaças climáticas nos horizontes temporais de 2030 e 2050, considerando os cenários aquecimento global.
“As medidas de adaptação estão se mostrando cada vez mais urgentes, a exemplo das ondas de calor que estão ocorrendo na Europa neste momento”, alerta o pesquisador sênior do Inpe e coordenador científico do AdaptaBrasil, Jean Ometto. Ele explica que as medidas de adaptação precisam de planejamento, no qual as questões climáticas são centrais. E para fazer planejamento são necessários estudos e informações sobre o quanto as cidades e a sociedade estão vulneráveis aos eventos climáticos extremos. “Com isso, Poder Público, iniciativa privada e terceiro setor podem trabalhar para minimizar os impactos. Incorporar na gestão pública as métricas e o fato de que a mudança do clima veio para ficar são muito importantes para o planejamento”, afirma.
Informação qualificada para a tomada de decisão
Além de ter apoiado a construção do Plano Clima Adaptação, os dados do AdaptaBrasil têm sido utilizados para apoiar as atividades de planejamento e capacitação do AdaptaCidades, iniciativa no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes que apoia diretamente 581 municípios selecionados para subsidiar políticas de adaptação. As ações devem aumentar a resiliência diante da mudança do clima.
“Estamos trabalhando para atingir a meta número um do Plano Clima Adaptação, que é ter todos os estados e ao menos 35% dos municípios com estratégias locais de adaptação”, afirmou diretora de Políticas para a Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Inamara Mélo. “Já tínhamos o AdaptaBrasil como orientador do trabalho. Agora, com o painel, damos mais um passo relevante, tornando as informações mais acessíveis junto aos governos subnacionais”, complementou.
Para o diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital do Ministério das Cidades, Yuri Giusti, o Painel Cidades do AdaptaBrasil é um instrumento qualificador da política de desenvolvimento urbano do País. “Esse painel traz o elemento científico para introjetar nas políticas”, explicou.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Silva, destacou o esforço interministerial nas iniciativas de enfrentamento da mudança do clima. “É mais um instrumento poderoso que vai consolidando o conhecimento coletivo e ajuda quem está na ponta a resolver o problema nos territórios”, disse.
Passo a passo para consulta do Painel Cidades
A consulta às informações sobre risco climático por município é feita de modo simples e rápido. No menu principal, basta acessara aba Painel Cidades. Na sequência, selecione o estado e o município. Automaticamente, o sistema localiza o município no mapa, apresenta dados sobre bioma, área territorial e população. Abaixo do mapa, a plataforma apresenta tabela completa de classificação de risco para os 12 setores e subsetores estratégicos com o grau de risco. Na mesma página, ainda é possível visualizar os índices de riscos setoriais e os indicadores influenciadores.
Próximos desenvolvimentos do AdaptaBrasil
O plano de melhorias da plataforma contempla a incorporação de novos cenários com projeções climáticas atualizadas para o Brasil, de acordo com as trajetórias de aquecimento global, e de novos setores estratégicos, como zonas costeiras e calor.
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