SAÚDE

Ministro da Saúde conhece hospital inteligente de Beijing, na China

Em missão oficial à China, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, conheceu de perto o hospital inteligente universitário Tiantan, localizado em Beijing. A agenda realizada nessa segunda-feira (13) busca contribuir para a criação do primeiro hospital público inteligente do Brasil.

“Um dos motivos da nossa visita à China é avançar na construção de hospitais tecnológicos no Brasil e queremos estabelecer acordos bilaterais neste sentido”, disse Padilha. “Este é o futuro da saúde. Um hospital que acompanha o paciente não só quando está internado ou passando por consultas, mas também depois com assistência e uso integrado de tecnologias avançadas. O paciente volta para casa, o hospital registra todas as suas informações, os médicos debatem os casos e ele espera a consulta. Isso reduz gastos e melhora a qualidade do atendimento. É isso que a universidade de Beijing nos mostrou hoje com detalhes”, complementou o ministro.

A proposta em discussão do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), que terá o primeiro hospital público inteligente do Brasil, prevê 800 leitos dedicados à emergência de adultos e crianças nas áreas de neurologia, neurocirurgia, cardiologia, terapia intensiva e outras urgências. A unidade deverá ser instalada em São Paulo e o início das atividades está previsto para o final de 2027.

“É um projeto que fortalece o Sistema Único de Saúde e melhora a vida dos brasileiros. O hospital inteligente permitirá integração com a rede de atenção em todas as etapas – da atenção primária ou serviços de urgência e emergência até alta complexidade -, garantindo cuidado mais rápido, eficaz e humano. É a tecnologia a serviço do SUS, do médico ao paciente, da formação profissional à assistência”, detalhou Padilha.

Além da troca de conhecimento com a China, o Ministério da Saúde solicitou ao Banco de Desenvolvimento dos Brics financiamento para a construção do hospital inteligente inspirado nos modelos desenvolvidos na China e Índia. Após se encontrar com a presidente do Banco, Dilma Rousseff, o ministro afirmou que a expectativa é ter a resposta da instituição até dezembro.

“Estamos aproveitando a missão para darmos andamento do projeto junto ao Banco dos BRICS. A visita da missão do Banco ao Brasil já ocorreu e o detalhamento dos documentos técnicos do projeto também foi recebido com muita satisfação. A expectativa é termos a resposta em dezembro. Será um grande salto na organização dos serviços hospitalares no Brasil e uma incorporação tecnológica que vai contribuir com a revolução digital que estamos fazendo no SUS”, enfatizou Padilha.

Parcerias bilaterais

Ainda nesta segunda-feira, ao se encontrar com o ministro da Comissão Nacional de Saúde da China, Lei Haichao, Alexandre Padilha lembrou os acordos bilaterais firmados com o país asiático durante agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio deste ano. Na oportunidade, o ministro acompanhou a assinatura de três acordos bilaterais para a produção de vacinas de última geração, transferência de tecnologia na área de equipamentos de imagem e para a construção de uma plataforma industrial de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) no Brasil. 

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“A visita à China com o presidente Lula tem permitido que o Ministério da Saúde consolide essas parcerias que vão levar muita tecnologia, conhecimento e renda para o Brasil”, pontuou Padilha. O ministro também tratou de temas como: união do Brasil e da China na defesa da Organização Mundial da Saúde (OMS); fortalecimento da colisão da saúde no G20; parcerias em ⁠saúde digital e biotecnologia; reforço à medicina tradicional de ambos os países, enfrentamento a pandemias com troca de tecnologias, além da criação de um grupo binacional permanente que se reúna com regularidade para tratar de interesses comuns.

O ministro chinês ressaltou que os países têm uma relação de confiança mútua. “Agradecemos ao Brasil por manter esse princípio. Temos parceria estreita na saúde e queremos aprofundar a cooperação estabelecida”, disse. No cenário internacional, Lei Haichao afirmou que “a atual decisão dos EUA de se retirar da OMS trouxe incertezas para a saúde. O desenvolvimento da saúde da China apoia a saúde mundial e estamos dispostos a cooperar para a construção conjunta de uma comunidade em saúde para todos”, concluiu.

Doenças socialmente determinadas e grupo binacional

Ainda na reunião com o ministro Lei Haichao, Padilha destacou acordo inédito firmado no âmbito dos BRICS para que os países do bloco se unam para eliminar doenças socialmente determinadas. No dia 7 de julho de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a reunião da Cúpula de Líderes do BRICS, chancelou a parceria, considerada um marco na agenda global de equidade em saúde.

O acordo havia sido recomendado pelos ministros da Saúde dos BRICS em reunião realizada em dia 17 de junho deste ano, em Brasília. O tema foi uma das prioridades escolhidas pela presidência brasileira do BRICS na área da saúde e teve como inspiração o Programa Brasil Saudável, que visa enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social.

Atração de investimentos

No primeiro dia da missão, o ministro Padilha também encontrou o ministro da Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA), Li Li. A NMPA é a correspondente chinesa para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil.

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Na oportunidade, Alexandre Padilha destacou a importância de aproximar ambas as agências para atrair investimentos em temas como incorporação de insumos e medicamentos e estudos clínicos. “Queremos avançar em estudos de informação para que a NMPA possa acelerar os registros das empresas chinesas no brasil, bem como fluxos mais rápido na Anvisa para que as empresas chinesas possam integrar o mercado brasileiro”, disse Padilha.

 “O complexo econômico, de indústria e serviços da saúde é muito importante estar no centro da estratégia de futuro compartilhado para um mundo mais justo e sustentável.   Então, nós temos que ter uma grande corporação tecnológica, grande presença de trabalho qualificado para impulsionar a economia. E combinar produção de tecnologia a produtos da saúde com acesso da população a esses produtos é muito importante para a redução da desigualdade e construção de um mundo mais justo. O Ministério da Saúde do Brasil coordena toda essa relação do complexo econômico e industrial da saúde”, destacou o ministro brasileiro.

O ministro lembrou que o governo brasileiro regulamentou, recentemente, a Lei de Pesquisa Clínica que contribuirá para atrair investimentos em inovação na área da saúde. “O Brasil ganhou definitivamente um novo o marco regulatório para pesquisa clínica, uma lei que vai reduzir os prazos para aprovação de projetos de pesquisa clínica no país. A lei terá um peso para acelerar a integração do Brasil em pesquisas clínicas mundiais, além de proteger os povos originários e encurtar prazo para registro das novas terapias, estimulando empresas e instituições chinesas a fazer parcerias com instituições e empresas do Brasil”, disse Padilha.     

Como exemplo, o ministro citou a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), firmada este ano, voltada à produção nacional de insulina glargina. O projeto reúne Bio-Manguinhos (Fiocruz), Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee.

A NMPA firmou, em 2024, memorando de cooperação com Anvisa para produtos e insumos médicos, destacou o ministro chinês, Li Li. “China e Brasil compartilham a mesma inspiração e caminham de mãos dadas. Nossos países estão no melhor momento da história de sua parceria. Espero que esse encontro possa promover mais benefícios para essa cooperação. Queremos contribuir nos mecanismos bilaterais entre os países com conquistas maiores que possam beneficiar o nosso povo”, disse.

Rafael Ely e Mariana Bertolo
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Ministério da Saúde detalha processo de transição de insulina glargina para secretários municipais

O processo de nacionalização da insulina análoga de ação prolongada, a glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS) foi destacado pelo Ministério da Saúde(MS) nesta segunda-feira (13/7), durante o 39º Congresso Nacional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), na capital gaúcha. O tema foi apresentado no seminário que abordou estratégias para organizar fluxos assistenciais, logística, dispensação e acompanhamento clínico a partir da perspectiva da regionalização da saúde pública.

Inicialmente, a nacionalização da glargina atenderá crianças e adolescentes de 2 a menores de 18 anos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com os tipos 1 e 2, explicou a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do (MS), Fernanda De Negri. “A gente começou separando por faixa etária justamente para poder fazer essa migração gradual. À medida que todos esses pacientes tiverem acesso à glargina, a gente ampliará o público-alvo”, informou.

A secretária ressaltou que a inclusão do medicamento foi necessária para mitigar o cenário de desabastecimento global da insulina NPH por parte dos fabricantes, já que a NPH ainda representa 90% da insulina utilizada no SUS.

Nesse cenário, o acesso à glargina em escala foi viabilizado por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), instrumento do Ministério da Saúde que aproxima instituições públicas e empresas privadas para fomentar a produção pública nacional de tecnologias consideradas estratégicas para o SUS.

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“Essa janela de oportunidade da PDP veio justamente no momento em que nos possibilitou ter mais segurança para fazer essa migração de forma previsível e gradual, de modo a não deixar o paciente do SUS sem medicamento e, ao mesmo tempo, começar a oferecer uma insulina de maior qualidade”, reforçou.

Em sua fala, Fernanda De Negri pontuou que a transição estabeleceu ainda ações de treinamento voltadas às equipes de Atenção Primária à Saúde (APS) e de Assistência Farmacêutica locais. Para apoiar esses processos, o Ministério da Saúde disponibilizou materiais técnicos e ofertou cerca de 130 oficinas em conjunto com o Conasems. 

Distribuição

O envio da insulina aos estados e municípios tem sido realizado com base no planejamento e nas solicitações periódicas das secretarias de saúde estaduais e municipais. Após o recebimento dos lotes em cada região, o medicamento estará disponível para a população nas farmácias da Atenção Primária, como as das Unidades Básicas de Saúde (UBS), de acordo com a organização de cada município.

Benefícios

Os benefícios da glargina também foram destacados, entre eles está o maior tempo de ação, que garante cobertura de até 24 horas para a maioria dos pacientes. Além disso, o medicamento oferece mais segurança ao reduzir o risco de episódios de hipoglicemia, especialmente durante o período noturno. Outro diferencial é a estabilidade e a praticidade que proporciona: ela promove menor oscilação nos níveis de glicose no sangue e dispensa preparação prévia, diferentemente da insulina NPH, que exige agitação antes do uso.

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Projeto-piloto

A secretária ressaltou que a transição foi estruturada por um grupo de trabalho específico, composto por representantes de diversos setores. O planejamento incluiu a implementação de um projeto-piloto, iniciado em março deste ano no Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná, voltado a crianças e adolescentes (de 2 a 17 anos) com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais que convivem com o tipo 1 e 2.

A iniciativa permitiu acompanhar a utilização da insulina glargina em condições reais de atendimento, avaliar aspectos operacionais, identificar gargalos logísticos e subsidiar os ajustes necessários para a implementação em todo o país.

Rodrigo Eneas
Roberta Paola
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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