POLÍTICA NACIONAL

Turismo cresce no Brasil em todas as regiões, diz ministro na CDR

Números positivos do setor turístico brasileiro, apresentados pelo ministro do Turismo, Celso Sabino, chamaram a atenção dos senadores na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) nesta terça-feira (18). Na audiência pública, que teve o intuito de debater as políticas da pasta para o setor, Sabino apresentou dados que mostram crescimento da atividade, tanto no número de visitantes quanto nos recursos gerados.

O ministro foi convidado por requerimento da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO) — que preside a CDR e conduziu a reunião — e da senadora Augusta Brito (PT-CE).

Os parlamentares defenderam mais atuação parlamentar e destinação de emendas para fortalecer a cadeia turística e consideraram que investimentos em licenciamento ambiental e segurança pública são fundamentais para incrementar o setor. Outro ponto destacado na audiência foi o clamor da sociedade por passagens mais baratas, principalmente nas Regiões Norte e Nordeste.

Cenário animador

Celso Sabino apresentou a pesquisa Tendências de Turismo, do Ministério do Turismo, segundo a qual 5,9 milhões de visitantes de outros países entraram no Brasil em 2023. Esse número foi de 6,7 milhões em 2024 e, em 2025, 2,8 milhões de estrangeiros chegaram ao país somente nos dois primeiros meses do ano.

Ainda de acordo com o levantamento, em 2024, esses visitantes injetaram na economia do país US$ 7,34 bilhões, marcando um recorde histórico. Sabino disse que os números positivos se devem, em maior parte, à atuação do Congresso Nacional. 

— Todas as regiões do país tiveram crescimento, tanto em número de visitantes quanto de gastos feitos nessas viagens. É algo nunca antes alcançado e que beneficia desde o Norte, Roraima, ao Sul, Santa Catarina, e diversos outros estados, por exemplo. E janeiro de 2025 foi o melhor de todos os registrados na história, o que aponta um cenário para este ano também muito bom. E se temos números positivos no turismo, é resultado da parceria que temos com o Congresso Nacional — declarou Celso Sabino. 

Segurança pública

O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) considerou notórios os avanços do setor apresentados pelo ministro e reforçou a necessidade de mais investimentos em segurança pública para a atração de turistas, tanto estrangeiros quanto brasileiros. O parlamentar pediu que o ministério disponibilize mais informações para os senadores, para que eles prevejam recursos orçamentários para essa área. 

— A gente lembra da área da Saúde, da Infraestrutura, mas esquece muitas vezes da área do senhor [o Turismo]. Precisamos que o senhor nos mostre esse “cardápio” de opções, para que possamos conhecê-lo e destinar recursos para essa área, vital não somente para o meu Rio Grande do Norte, mas para todos os estados. 

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O senador Efraim Filho (União-PB) alertou para o fato de que turismo está diretamente atrelado a questões como licenciamento ambiental, além da segurança pública. Ele ressaltou a necessidade de investimentos nessas áreas, observando que prover a tranquilidade dos visitantes é algo que “caminha lado a lado com a gestão do turismo”. 

Indústria adormecida

O senador Irajá (PSD-TO) também disse que tem observado uma evolução do setor, especialmente pela atuação de Sabino. Ele ressaltou, no entanto, que o país ainda precisa despertar para aproveitar todo o potencial dessa área, promovendo um bom ambiente de negócios em benefício da economia. 

— Nosso país já tem uma vocação para a produção de alimentos e de energia renovável, mas traz ainda uma “indústria adormecida”: o turismo. Tenho esperança de que faremos uma grande transformação nos próximos anos, inclusive ao percebermos o potencial de criar empregos, renda e impostos que a cadeia do turismo brasileiro tem, com suas belezas singulares no mundo. 

Passagens caras

Os altos preços das passagens aéreas em todo o país foram destacados por senadores como Jorge Seif (PL-SC), Alan Rick (União-AC), Efraim Filho e Dorinha Seabra. Eles defenderam medidas imediatas do governo para corrigir as inúmeras distorções observadas nos valores cobrados entre os diversos trechos que compõem a malha aérea nacional. 

— Os valores são absurdos. A aeronave está sempre lotada, mas as aéreas dizem estar sempre em crise. Então, há muitas explicações, muitas lógicas para essa realidade, mas isso é um forte impeditivo no desenvolvimento do nosso país, que tem uma dimensão continental — disse Dorinha. 

Celso Sabino respondeu que tem ouvido muitas reclamações sobre as altas tarifas dos bilhetes aéreos, mas segundo ele, foi o item não alimentício que mais baixou de preço em fevereiro. De acordo com o ministro, a Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) informou que 95% dos assentos nas aeronaves são vendidos por menos de R$ 500. 

— O fato é que o combustível corresponde a 40% do total do custo do bilhete aéreo, e a gente acaba não sendo, então, um mercado atrativo para novas companhias — alegou. 

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Como medida para ajudar a baixar os preços das passagens especialmente na Região Norte, o senador Alan Rick pediu que o ministro apoie a regulamentação de um trecho da Nova Lei Geral do Turismo que permite a utilização dos recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para empréstimos e aquisição de querosene de aviação em aeroportos da Amazônia Legal. A regulamentação, segundo o parlamentar, ajudará a aumentar a frota e a promover a diminuição do custo dos bilhetes na região. 

— A gente precisa de ações que ofereçam mais voos e em melhores horários para a população — defendeu Rick.

Programação 

Sabino informou aos senadores que uma comitiva do ministério visitará o Jalapão e Palmas, no Tocantins, entre os dias 31 de março e 1º de abril; e Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no Acre, nos dias 3 e 4 de abril. 

Já o Rio Grande do Norte receberá a visita do ministério nos dias 10 e 11 de abril. Entre as ações que serão desenvolvidas nesses lugares, segundo o ministro, estão a divulgação de programas como o Novo Fundo Geral de Turismo (Fungetur) e o Cadastur, um sistema de cadastro de pessoas físicas e jurídicas que atuam no turismo e voltado tanto ao setor público quanto privado.  

Agenda da CDR

No início da reunião, Dorinha Seabra adiantou que a CDR promoverá no dia 1º de abril uma audiência pública para orientar os senadores e as senadoras sobre o PL 1.070/2024, que institui o Programa de Armazenagem Rural no âmbito do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). 

No dia 8 de abril, será discutido em audiência pública na comissão o PL 775/2022, que altera o Estatuto da Cidade para garantir o acesso da população às praias e o uso público delas. 

Já o dia 29 de abril está reservado para a presença do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa, que deverá prestar esclarecimentos aos parlamentares sobre as ações e desafios da pasta. O requerimento de convite foi apresentado por Dorinha e aprovado pela comissão em 11 de março.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Câmara aprova em dois turnos fim da escala 6×1 com jornada máxima de 40 horas semanais

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias com dois de descanso, acabando com a escala 6 X 1 (um dia de descanso e 44 horas semanais). O texto prevê uma transição e leis específicas para tratar de algumas carreiras.

A PEC 221/19 foi aprovada em 2º turno com 461 votos a favor e 19 contra. No 1º turno, foram 472 votos a favor e 22 contra.

Veja como votou cada deputado

O texto que irá ao Senado é um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para a PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas, e para a PEC 8/25, da deputada Érika Hilton (Psol-SP), de igual jornada em quatro dias.

Segundo o texto, a redução da carga horária semanal será sem redução de salários e haverá uma transição para chegar às 40 horas.

Depois de dois meses da publicação da futura emenda constitucional, já valerão os dois dias de descanso remunerado por semana, um dos quais preferencialmente aos domingos.

Também a partir desse prazo o trabalhador registrado na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) contará com carga horária semanal de 42 horas.

Em um ano depois do fim desses dois meses, portanto 14 meses depois da promulgação, a jornada será de 40 horas por semana.

Durante esse prazo de um ano, convenção ou acordo coletivo de trabalho poderão ampliar a duração diária do trabalho normal (além de 8 horas diárias) para viabilizar a transição de 42 horas, respeitado o repouso remunerado de dois dias.

Piso salarial
A PEC garante que as 8 horas diárias e 40 horas semanais com dois dias de descanso serão aplicadas aos contratos de trabalho em vigor sem qualquer redução salarial, seja nominal, proporcional ou de qualquer outra espécie. A manutenção do salário será aplicada inclusive aos pisos salariais.

No entanto, há exceções previstas na própria PEC, como para portadores de diploma de curso superior que ganhem acima de 2,5 vezes o teto da Previdência (equivalente hoje a R$ 21.188,87) e para trabalhadores terceirizados em contratos de mão de obra com a administração pública.

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Regimes diferenciados
Apesar de a PEC garantir parâmetros mínimos (40 horas e dois dias de descanso), ela permite que leis ordinárias estabeleçam condições e hipóteses de regimes diferenciados, respeitados esses limites e a possibilidade de turnos ininterruptos de revezamento de seis horas.

Para esses casos, como da escala 12×36 e atividades essenciais de saúde, segurança, transporte e limpeza urbana e outros, convenções ou acordos coletivos de trabalho poderão, excepcionalmente, prever um regime de compensação a fim de assegurar, na média, dois dias de repouso semanal remunerado dentro do mês-calendário.

Assim, os dias de folga semanal poderiam ser acumulados para serem tirados em outro período no mês, garantido que pelo menos um dos dias seja após uma semana de trabalho.

Menos horas
A mudança não implicará redução proporcional das jornadas de trabalho já fixadas em patamar igual ou inferior a 40 horas semanais, cujos trabalhadores contarão também com os dois dias de descanso remunerado semanal.

Outro ponto que começa a valer depois de dois meses da publicação da futura emenda constitucional é a perda de validade de cláusulas de convenções e acordos coletivos sobre duração do trabalho e repouso semanal remunerado incompatíveis com o novo patamar.

Microempreendedor
Fruto das negociações em torno do texto, o deputado Leo Prates incorporou dispositivo para remeter a uma lei complementar a definição de regras transitórias para diminuir o impacto da mudança em microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.

Embora não esteja no texto, a ideia é que os MEIs possam contratar dois em vez de um empregado como é permitido hoje. O governo também aceitou reajustar os valores de enquadramento de MEIs, micro e pequenas empresas no Simples Nacional.

A PEC diz que essas medidas serão condicionadas à manutenção de níveis de emprego.

Sem limite
Sob o argumento de que irá desestimular a “pejotização” (contratação de trabalhador como pessoa jurídica), Prates propõe que as regras constitucionais de duração do trabalho (40h semanais e 8h diárias) e as de controle de jornada não sejam aplicadas ao empregado portador de diploma de nível superior que receba acima de 2,5 vezes o teto da Previdência, que daria hoje o equivalente a R$ 21.188,87 (R$ 8.475,55 de teto).

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A exceção seria por liberalidade do empregador (se ele quiser) ou se houver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho.

O repouso remunerado de dois dias por semana deve ser cumprido e a nova norma não será aplicada a empregados públicos da administração direta e indireta de quaisquer dos poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A Justiça do Trabalho deverá processar e julgar as ações relativas a essa regra.

Como essa regra entra em vigor imediatamente depois da publicação da emenda constitucional, os contratos em vigor deveriam ser adaptados, podendo implicar jornadas de trabalho superiores a 44 horas semanais se não existir acordo coletivo ou convenção para determinada carreira.

Terceirização
A fim de evitar impacto imediato nos contratos vigentes de trabalho terceirizado na administração direta e indireta dos entes federativos, o texto condiciona a mudança para 42 horas e depois para 40 horas, conforme a transição, ao aditamento do contrato entre a empresa fornecedora da mão de obra e a administração. Isso manteria o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

O aditamento deve ocorrer em um ano após a publicação da futura emenda e envolve contratos regidos pela legislação de licitações e contratos administrativos (pessoal de segurança e limpeza, p. ex.), de concessões e permissões de serviços e obras públicas (administradoras de aeroportos ou concessionárias de rodovias, p. ex.), de parcerias público-privadas e de outros instrumentos de colaboração com a iniciativa privada (organizações sociais, p. ex.).

Para todos esses trabalhadores será assegurada igualmente a não redução de salários e, caso o aditamento do contrato não saia no prazo previsto, as reduções da jornada semanal para 42h e 40h valerão independentemente disso.

Se a mudança contratual for realizada no tempo determinado, a nova jornada valerá a partir da data de sua formalização.

Assim, os contratos que venham a ser reformulados nos dois meses iniciais de publicação da futura emenda deverão prever a redução para 42 horas prevista na transição e o repouso remunerado de dois dias semanais.

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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