POLÍTICA NACIONAL
Avança projeto que obriga pesquisas de opinião regularmente pelo DataSenado
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou nesta quarta-feira (11) proposta da senadora Jussara Lima (PSD-PI) e outros 31 senadores que determina a realização periódica de pesquisas de amplo interesse público pelo Instituto de Pesquisa DataSenado. O texto recebeu parecer favorável do senador Weverton (PDT-MA), que foi apresentado pelo relator ad hoc, senador Paulo Paim (PT-RS). Agora será analisado pela Comissão Diretora.
O Projeto de Resolução do Senado (PRS) 67/2024 define como obrigatórias três pesquisas específicas, com periodicidade determinada. A primeira é a “Investigação sobre a Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, que deverá ser realizada a cada dois anos em todas as unidades da Federação. O objetivo é subsidiar as ações do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado, em especial o Mapa Nacional da Violência de Gênero, além de apoiar convênios com organizações não governamentais e órgãos do Executivo e do Judiciário.
A segunda pesquisa é o “Panorama Político Nacional”, que deverá ocorrer anualmente também em todas as unidades da Federação para “mapear e quantificar as principais preocupações dos brasileiros, delinear posicionamentos políticos e ideológicos dos cidadãos e investigar temas de interesse parlamentar em cada ente federado”.
Também está na lista obrigatória o “Inquérito sobre Insegurança Alimentar e Miséria”, pesquisa a ser realizada com periodicidade bienal e abrangência nacional para “avaliar o nível de insegurança alimentar e de miséria da população brasileira, bem como o alcance e a eficácia de políticas públicas voltadas para a sua erradicação”.
Segundo os autores, esses estudos servirão para subsidiar a deliberação parlamentar sobre acordos de cooperação, convênios, políticas públicas e parcerias interinstitucionais do Senado, além de alimentar séries históricas e painéis de dados de relevância nacional e federativa.
As informações coletadas deverão ser disponibilizadas ao público por meio de dados abertos em formato estruturado, painéis visuais e séries históricas. Caberá à Comissão Diretora assegurar ao DataSenado os recursos humanos, técnicos e financeiros necessários à execução das pesquisas.
Weverton apresentou uma emenda de redação para incluir a expressão “parcerias com órgãos da administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios e com organizações da sociedade civil”, ampliando o escopo de articulação e cooperação institucional.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética
Em seminário promovido por três comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram sugestões ambientais e econômicas para a gradual substituição dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, diretamente ligados ao aquecimento do planeta. De forma geral, defenderam uma transição energética com metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática.
No aspecto político, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, destacou que o Brasil precisa superar contradições na condução do tema.
“Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, salientou.
Analista do WWF Brasil, Ricardo Fuji mostrou impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, com elevado custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria bem diferente se o investimento fosse direcionado à produção de eletricidade limpa e biocombustíveis.
“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, exemplificou.
Derivados do petróleo
Os especialistas também discutiram o cenário geopolítico que impacta no preço internacional dos derivados de petróleo. Só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil, organização global pelo fim dos combustíveis fósseis.
Outro dado revela que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, obviamente, tiveram aumento no custo de vida durante essa guerra.
O diretor da organização 350.org no Brasil, João Cerqueira, lembrou que o setor é altamente subsidiado no mundo inteiro. Ele pediu aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão, além da rejeição de outra proposta (PL 1371/25) que mantém esses subsídios até 2050 no Brasil.
Um dos organizadores do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) defendeu a atual estratégia do governo federal no enfrentamento da crise. “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”

Conta de luz
Também houve debates em torno dos impactos da política energética na conta de luz. Representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Leandro Moreira citou esforços para redução do peso dos subsídios custeados pela tarifa energética. Um deles é o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), em análise na Câmara.
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu foco do país em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, sobretudo diante das novas opções de exploração mineral e energética.
“Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino.
O seminário na Câmara foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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