DESEMPENHO NAS URNAS

Tardin lidera votação para deputado estadual em Várzea Grande; Lúdio e Samantha aparecem na sequência

Deputado reeleito recebeu 15.723 votos no município; resultado também teve Lúdio Cabral com 12.148 e Samantha Íris com 9.986 votos

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Fabinho Tardin (Podemos) foi o candidato a deputado estadual mais votado em Várzea Grande nas eleições deste domingo (4). Reeleito para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ele recebeu 15.723 votos no município, o equivalente a 10,92% da votação local para o cargo.

A segunda colocação ficou com Lúdio Cabral (PT), que obteve 12.148 votos, correspondentes a 8,44%. O petista também teve desempenho expressivo em Cuiabá e terminou a eleição entre os candidatos mais votados para a Assembleia no Estado.

Samantha Íris (PL) aparece na terceira posição em Várzea Grande, com 9.986 votos, ou 6,94%. Vereadora por Cuiabá e candidata a deputada estadual, Samantha garantiu uma cadeira na próxima legislatura.

Eduardo Botelho (União) foi o quarto mais votado no município, com 8.221 votos. Na sequência aparecem Max Russi (Podemos), com 6.382, e Ulysses Moraes (Podemos), com 5.676 votos. Ambos foram eleitos para a Assembleia Legislativa.

Júlio Campos (União) recebeu 4.957 votos em Várzea Grande e ocupou a sétima posição no município, mas não conseguiu a reeleição para a ALMT.

Meraldo Sá (Podemos) aparece em oitavo, com 3.790 votos. Gilberto Cattani (PL), eleito para mais um mandato, ficou em nono lugar na cidade, com 3.721 votos. Paulo Araújo (Republicanos) completa a relação dos dez primeiros, com 3.380 votos.

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O resultado também evidencia que a classificação municipal não determina, isoladamente, quem conquista uma cadeira na Assembleia. A eleição para deputado estadual segue o sistema proporcional, que considera, além da votação individual, o desempenho dos partidos e federações na disputa pelas vagas.

Com isso, candidatos que figuraram entre os mais votados em Várzea Grande não necessariamente conquistaram mandato, enquanto outros garantiram uma das 24 cadeiras da próxima legislatura a partir do resultado estadual e das regras do sistema proporcional.

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POLÍTICA MT

Votação concentrada marca eleição em MT e analista aponta sete fatores para explicar fenômeno

João Edisom de Souza relaciona desempenho dos mais votados ao grau de conhecimento dos candidatos, identidade política, capilaridade e facilidade de comunicação com o eleitor

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A eleição de 2026 em Mato Grosso foi marcada pela concentração de votos em um grupo reduzido de candidatos nos principais cargos em disputa. Para o analista político João Edisom de Souza, o resultado pode ser explicado por fatores como conhecimento prévio dos nomes, identidade política definida, redes de apoio e trajetória eleitoral.

Entre os exemplos citados está a reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que recebeu 60,77% dos votos válidos. Na disputa pelo Senado, Mauro Mendes (União) alcançou 33,21%, enquanto José Medeiros (PL) obteve 27,35%. Juntos, os dois senadores eleitos ultrapassaram 2,1 milhões de votos.

O cenário também se repetiu nas eleições proporcionais. Das oito vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados, cinco eleitos ultrapassaram a marca de 100 mil votos e concentraram cerca de 40% dos votos destinados aos candidatos. Coronel Fernanda (PL) liderou a votação, com aproximadamente 205 mil votos.

Na Assembleia Legislativa, dez dos 24 deputados eleitos receberam mais de 50 mil votos. Max Russi (Podemos) foi o candidato mais votado, enquanto o partido conquistou seis cadeiras e terá a maior bancada da Casa a partir de 2027.

Na avaliação de João Edisom, o primeiro fator que ajuda a compreender o desempenho é o conhecimento prévio dos candidatos pelo eleitorado.

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“Eles são conhecidos antes da campanha. O eleitor não precisou ‘descobrir’ esses candidatos durante os poucos dias de campanha”, avaliou.

Outro ponto destacado pelo analista é o que ele classifica como “identidade compreensível”, quando o eleitor consegue associar facilmente determinado candidato a grupos, ideias ou trajetórias políticas.

“Mauro Mendes e Pivetta estão associados à continuidade administrativa e a setores produtivos, e Max Russi reúne mandato, estrutura parlamentar e capilaridade municipal”, afirmou.

Segundo João Edisom, o mesmo ocorre com candidatos identificados de forma mais direta com campos ideológicos. “Coronel Fernanda e Zé Medeiros têm posicionamento conservador bastante definido; Rosa Neide e Lúdio possuem identificação clara com a esquerda”, acrescentou.

O terceiro fator apontado é a capacidade de representar pautas ou correntes políticas facilmente reconhecidas pelo eleitor. Segurança, agronegócio, funcionalismo público, educação, saúde, conservadorismo, bolsonarismo, lulismo, gestão e municipalismo estão entre os exemplos citados.

Para o analista, candidaturas que procuram representar muitos segmentos simultaneamente podem enfrentar maior dificuldade para estabelecer identificação direta com grupos específicos.

Ele também avalia que o perfil conservador de parcela expressiva do eleitorado mato-grossense teve reflexos no resultado das urnas. Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 65,18% dos votos no Estado. Segundo João Edisom, esse comportamento também teria repercutido nas disputas estaduais e proporcionais, favorecendo candidaturas identificadas com esse campo político.

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Outro elemento seria a capacidade de transformar o nome do candidato em uma marca facilmente reconhecida. João Edisom cita como exemplos “Coronel Fernanda”, “Coronel Assis”, “Zé Medeiros”, “Lúdio”, “Max Russi” e “Mauro Mendes”.

A existência de redes territoriais e sociais também aparece na análise. Prefeitos, vereadores, lideranças municipais, categorias profissionais, igrejas, movimentos, servidores, sindicatos e produtores rurais podem funcionar como estruturas de confiança e ampliar a circulação das candidaturas nos municípios.

O sexto fator está relacionado à simplicidade do discurso e à facilidade de o eleitor identificar a principal bandeira de cada nome.

“Significa que o eleitor consegue responder rapidamente: ‘o que esse candidato representa?’”, explicou.

Por fim, João Edisom destaca a trajetória política. Na avaliação dele, candidatos que já exercem mandato ou acumularam experiência no Executivo chegam à eleição com histórico conhecido, reduzindo a necessidade de apresentação ao eleitor durante o período oficial de campanha.

“Boa parte deles possui mandato ou trajetória executiva. Isso reduz a assimetria de informação: o eleitor dispõe de histórico para avaliar o nome”, concluiu.

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