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Palestra na ALMT orienta mulheres a identificar sinais de manipulação emocional e violência psicológica

A identificação de sinais de manipulação emocional e violência psicológica nas relações foi o tema central da palestra “A Caixa de Ferramentas do Narcisista”, realizada nesta segunda-feira (23), no auditório Deputado Milton Figueiredo, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Promovido pela Procuradoria Especial da Mulher em parceria com a Escola do Legislativo, o encontro reuniu mulheres, homens e profissionais interessados em compreender como reconhecer práticas abusivas muitas vezes silenciosas e invisíveis no cotidiano. A atividade foi transmitida ao vivo pelo canal oficial da ALMT no YouTube, ampliando o acesso à informação e ao debate sobre prevenção à violência.

A palestra foi conduzida pela psicoterapeuta e palestrante Kelly Arfux, pós-graduanda em psicologia forense e psicopatologia, especialista em transtorno de personalidade narcisista e técnicas de manipulação emocional. Durante a apresentação, ela explicou que a violência psicológica costuma se manifestar por meio da comunicação, de forma sutil e difícil de ser percebida, o que torna o conhecimento sobre essas práticas fundamental para a proteção das vítimas.

Segundo a especialista, pessoas com comportamento manipulador utilizam diferentes estratégias para controlar e fragilizar emocionalmente a vítima, muitas vezes sem recorrer à violência física.

“A pessoa narcisista geralmente não deixa marcas no corpo, mas deixa marcas na alma. Essa violência acontece de forma silenciosa, por meio da comunicação, da distorção da realidade e da inversão de culpa, o que torna muito difícil para a vítima perceber que está sendo manipulada”, afirmou Kelly Arfux.

Foto: Hideraldo Costa/ALMT

Durante a palestra, a especialista apresentou 14 técnicas de manipulação emocional utilizadas por pessoas com comportamento abusivo, que ajudam a compreender como essas estratégias são aplicadas no cotidiano. Entre elas estão: tratamento de silêncio; oposição sistemática; incutir culpa no alvo; macacos voadores; fúria narcísica; triangulação; projeção; morde e assopra; serra de interrupção; fita métrica ilimitada; gaslighting; campanha de difamação; máquina do tempo; e narcolês.

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Ela explicou que conhecer essas práticas é um passo importante para interromper o ciclo da violência e fortalecer a autonomia das vítimas.

“Quando a mulher aprende a identificar essas técnicas, é como se uma luz fosse acesa. Ela começa a entender o que está acontecendo, reconhece os sinais e encontra caminhos para se proteger e buscar ajuda”, destacou.

Kelly Arfux também ressaltou que a manipulação emocional pode ocorrer em diferentes contextos e não está necessariamente ligada a um diagnóstico clínico. Segundo ela, comportamentos abusivos podem ser aprendidos e reproduzidos socialmente, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre o tema.

“Não é uma questão de falta de inteligência ou de força. Muitas pessoas instruídas e bem-sucedidas também são vítimas, porque o manipulador é habilidoso. Por isso, a informação é uma ferramenta essencial para fortalecer a mulher e ajudá-la a sair desse ciclo”, pontuou.

Informação como ferramenta de prevenção – A iniciativa integra as ações desenvolvidas pela Procuradoria Especial da Mulher ao longo do mês dedicado à conscientização sobre os direitos das mulheres. Para a subprocuradora da instituição, Franciele Brustolin, a disseminação de informações sobre violência psicológica é uma estratégia fundamental de prevenção.

“Essa palestra é de utilidade pública. Todos nós precisamos conhecer os sinais da violência psicológica, não apenas para a nossa vida, mas também para ajudar outras pessoas. A informação salva vidas e pode impedir que a violência evolua para situações mais graves”, afirmou.

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A coordenadora do Núcleo de Prevenção da Procuradoria Especial da Mulher da ALMT, Dani Paula, destacou que o atendimento às vítimas tem crescido e que ações educativas são essenciais para evitar o agravamento dos casos.

“Até chegar a situações extremas, como o feminicídio, essa mulher já passou por diversas formas de violência. Por isso, trabalhamos com a prevenção e com a conscientização, para que ela reconheça os sinais e procure ajuda o quanto antes”, explicou.

Segundo Dani Paula, a Procuradoria oferece acolhimento psicossocial e orientação jurídica às mulheres que buscam apoio, com atendimento realizado por equipe multidisciplinar.

“Nosso papel é acolher, orientar e fortalecer essas mulheres. Queremos que elas saibam que não estão sozinhas e que existe uma rede de apoio preparada para ajudá-las a enfrentar a violência”, reforçou.

Rede de apoio e acesso ao atendimento – A Procuradoria Especial da Mulher funciona na sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O serviço inclui acolhimento, orientação psicológica, assistência social e apoio jurídico às vítimas de violência.

Além do atendimento presencial, a instituição também realiza palestras e ações educativas em municípios, comunidades e bairros, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e fortalecer a prevenção à violência contra a mulher.

Para mais informações ou para agendar atendimento, entre em contato pelo telefone (65) 9 8134-1655.

A palestra completa está disponível no canal da TV Assembleia MT no YouTube: https://www.youtube.com/tvassembleiamt.

Fonte: ALMT – MT

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POLÍTICA MT

CST debate desembargos ambientais à agricultura familiar em Mato Grosso

A Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental da Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, nesta quinta-feira (16), uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, para discutir os procedimentos relacionados aos desembargos ambientais e ao licenciamento ambiental simplificado.

O debate teve como foco a implementação da Lei Complementar nº 830/2025 e da Lei nº 13.349/2026, que estabelecem regras para a regularização ambiental e o licenciamento simplificado destinados a agricultores familiares e pequenos produtores rurais. Também foram discutidos os desafios enfrentados pelo Estado na execução do Código Florestal e na consolidação de um modelo que concilie proteção ambiental, segurança jurídica e inclusão produtiva.

A Lei Complementar nº 830/2025 estabelece tratamento diferenciado, simplificado e proporcional para infrações ambientais cometidas por agricultores familiares e proprietários de imóveis rurais com até quatro módulos fiscais que desenvolvam atividades agrossilvipastoris. A norma busca conciliar a regularização ambiental com a permanência da produção no campo.

Já a Lei nº 13.349/2026 instituiu o regime de Licenciamento Ambiental Simplificado para atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A medida é destinada às propriedades que atendam aos critérios de sustentabilidade estabelecidos pelo órgão ambiental estadual, com o objetivo de tornar mais ágil o processo de licenciamento, sem abrir mão das exigências legais.

Para aderir ao novo regime, os proprietários deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles manter o imóvel inscrito e regular no Cadastro Ambiental Rural (CAR), não possuir embargos ambientais vigentes na área da propriedade e apresentar declaração de conformidade ambiental, assumindo responsabilidade civil e administrativa por eventuais danos ambientais causados.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, afirmou que os desafios enfrentados por Mato Grosso na regularização ambiental e nos desembargos refletem um problema nacional relacionado à implementação do Código Florestal. Segundo ela, o tema tem sido debatido em nível federal, em reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério da Gestão e da Inovação, do Serviço Florestal Brasileiro e dos estados da Amazônia Legal e de Mato Grosso do Sul, em busca de soluções para aperfeiçoar a execução da legislação ambiental.

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A gestora apresentou dados do Painel de Regularização Ambiental, que apontam mais de 8,3 milhões de imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em todo o país, mas com menos de 10% das análises concluídas. Em relação à área cadastrada, apenas 7,25% tiveram a análise finalizada.

Para a secretária, os números demonstram a complexidade da implementação do Código Florestal e as dificuldades enfrentadas pelos órgãos ambientais diante de lacunas na legislação, da pressão da sociedade e de orientações divergentes dos órgãos de controle, o que exige equilíbrio para cumprir a lei sem comprometer a segurança jurídica e a efetividade da política ambiental.

Mauren Lazzaretti afirmou que Mato Grosso construiu um modelo próprio para conciliar a proteção ambiental com a realidade dos pequenos produtores rurais, transformando o desembargo ambiental em uma oportunidade de regularização. Segundo ela, o objetivo é promover a inclusão produtiva sem abrir mão dos compromissos com o desenvolvimento sustentável, destacando que as medidas adotadas pelo Estado não representam anistia nem retrocesso na legislação ambiental.

A secretária também defendeu que as iniciativas previstas na Lei Complementar nº 830/2025 sejam adotadas de forma mais homogênea pelos demais entes federativos. De acordo com ela, a falta de uniformidade na aplicação das normas pode levar ao questionamento, em âmbito nacional, de atos administrativos praticados por Mato Grosso, como embargos, desembargos e licenças ambientais. Por isso, pediu o apoio da Assembleia Legislativa para fortalecer a defesa do modelo adotado pelo Estado.

Ela afirmou ainda que Mato Grosso se consolidou como referência nacional na regularização ambiental de imóveis rurais, independentemente do tamanho das propriedades. Segundo ela, levantamentos do Climate Policy Initiative (CPI), organização que acompanha, desde a implementação do Código Florestal, o desempenho dos estados na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA), colocam Mato Grosso entre os estados mais inovadores e com avanços contínuos tanto na validação dos cadastros quanto na regularização ambiental.

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Lazzaretti destacou que os maiores avanços na validação dos cadastros ocorreram em Mato Grosso, São Paulo e, mais recentemente, no Paraná, resultado da adoção da análise automatizada dos processos. Ela ressaltou que, diferentemente dos estados das regiões Sul e Sudeste, Mato Grosso enfrenta desafios muito maiores em razão da dimensão territorial e da complexidade ambiental, o que torna os resultados ainda mais expressivos.

A secretária também enfatizou que o trabalho desenvolvido pelo Estado recebeu reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que acompanha, por meio da ADPF 743 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), a implementação do Código Florestal nos estados da Amazônia e do Pantanal. Segundo ela, decisões do ministro André Mendonça destacam os avanços de Mato Grosso no cenário nacional da regularização ambiental.

Entre os encaminhamentos definidos durante a reunião está a parceria entre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) para atuar, por meio da Câmara Setorial Temática (CST) do Desembargo Ambiental, na criação de uma mesa técnica destinada à discussão de soluções relacionadas aos desembargos ambientais.

A iniciativa tem como objetivo construir propostas e aperfeiçoar a legislação, buscando garantir maior segurança jurídica e mecanismos que favoreçam a regularização ambiental e beneficiem os proprietários rurais.

Fonte: ALMT – MT

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