VENDEM A MÃE PELO PODER
Carvalho é destituído do PRD em MT e reage: “Fui surpreendido”
Direção nacional intervém nos diretórios estaduais; ex-chefe da Casa Civil critica decisão e aponta “interesses pessoais”
A direção nacional da federação PRD-Solidariedade decidiu destituir os diretórios estaduais em Mato Grosso, provocando a saída do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, do comando do partido no Estado.
A decisão, tomada em Brasília, também atinge outras lideranças da federação.
Carvalho afirmou que foi surpreendido pela medida e disse não ter sido comunicado previamente sobre a mudança. Segundo ele, a destituição será formalizada ainda nesta segunda-feira (30).
Além de deixar o comando da federação, ele também será afastado da presidência do PRD em Mato Grosso. Já Marco Aurélio Ribeiro deve ser retirado da liderança do Solidariedade no Estado.
Em nota, Carvalho criticou a decisão e sugeriu que a mudança atende a acordos políticos divergentes do grupo estadual.
“Hoje fui surpreendido com uma posição da Federação PRD-Solidariedade, que irão destituir os dois diretórios estaduais.
Acredito que fizeram algum acordo para governador e senador diferente do nosso entendimento estadual”, declarou.
O ex-secretário também fez críticas mais duras à condução política da federação.
“Infelizmente, por interesses pessoais, vendem até a mãe pelo poder. Não faço e nunca fiz política desta forma”, afirmou.
Nos bastidores, a movimentação estaria ligada ao apoio da federação à eventual candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo do Estado, além do apoio ao governador Mauro Mendes (União) para o Senado Federal.
Apesar da saída, Carvalho afirmou que o grupo político já possui chapas estruturadas para as eleições proporcionais e que deve buscar outras siglas para acomodar os pré-candidatos.
“Já estamos conversando com outros partidos para acomodar todos os nossos candidatos. Irei continuar trabalhando para contemplar todos em outras legendas”, disse.
Entre os nomes cotados anteriormente pela federação estão os secretários Allan Kardec (Ciência, Tecnologia e Inovação) e Gilberto Figueiredo (Saúde), além dos deputados Juca do Guaraná e Paulo Araújo, e do ex-deputado Mauro Savi. O líder do Governo na Assembleia, Dilmar Dal Bosco, também avaliava se filiar ao grupo para disputar a reeleição.
POLÍTICA MT
Aos 20 anos da Lei Maria da Penha, Barbudo propõe pacote de medidas contra violência e feminicídio
Projetos apresentados pelo deputado ampliam proteção às mulheres em aplicativos de transporte e no ambiente de trabalho, preveem suporte financeiro às vítimas e endurecimento da resposta aos agressores
Vinte anos depois de a Lei Maria da Penha transformar o enfrentamento à violência doméstica no Brasil, o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) defende que o país dê um novo passo: ampliar os mecanismos capazes de proteger a mulher antes que a escalada da violência termine em feminicídio.
Nesta sexta-feira (7), data que marca as duas décadas da sanção da Lei nº 11.340/2006, o parlamentar destacou um conjunto de projetos que vem trabalhando para transformar em lei no Congresso Nacional.
As propostas atuam em diferentes situações de vulnerabilidade enfrentadas pelas mulheres. Entre elas estão o reforço da segurança nos aplicativos de transporte e a responsabilização das empresas; o afastamento de acusados de assédio no ambiente de trabalho; mecanismos de apoio financeiro às vítimas; e medidas mais rigorosas para impedir que agressores representem novamente risco às mulheres.
“Isso não é estatística. Isso é um absurdo. É uma rotina que precisa acabar” – afirmou Barbudo ao tratar dos casos de feminicídio registrados no país.
Uma das propostas destacadas pelo deputado trata especificamente da segurança das mulheres que utilizam aplicativos de transporte. Barbudo defende que as plataformas assumam maior responsabilidade pela segurança oferecida às passageiras e que sejam estabelecidos mecanismos mais rigorosos de proteção e responsabilização.
“Uma mulher entra num carro de aplicativo e fica rezando para chegar ao seu destino sem sofrer violência. A segurança precisa ser reforçada no aplicativo e a empresa também precisa assumir responsabilidade” – afirmou.
A proposta integra a estratégia defendida pelo parlamentar de ampliar os espaços de proteção à mulher para situações que fazem parte da rotina de milhões de brasileiras.
Outro eixo do pacote apresentado por Barbudo está relacionado ao assédio dentro das empresas. O deputado propõe o afastamento do acusado como medida de proteção à vítima enquanto o caso é apurado, evitando que a mulher seja obrigada a continuar convivendo diariamente no mesmo ambiente com seu suposto agressor.
Para Barbudo, a permanência dessa convivência pode intimidar a vítima e dificultar a própria denúncia.
O parlamentar também defende mecanismos de proteção financeira para mulheres que tenham sua capacidade de sustento comprometida em consequência da violência ou do assédio.
A preocupação, segundo ele, é impedir que a dependência econômica obrigue uma vítima a permanecer em uma situação de vulnerabilidade.
*Do combate à prevenção*
As propostas ganham significado especial no aniversário de 20 anos da Lei Maria da Penha. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a legislação tornou-se um divisor de águas ao criar mecanismos específicos de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Para Barbudo, entretanto, duas décadas depois o desafio é avançar principalmente na capacidade de antecipar a atuação do Estado.
A avaliação do deputado é de que a violência contra a mulher precisa ser enfrentada em todas as etapas: desde o assédio e as primeiras manifestações de agressividade e controle até situações de ameaça concreta à vida.
Isso exige, segundo ele, proteção à vítima, condições para romper situações de dependência, responsabilização de quem tem dever de garantir segurança e uma resposta mais efetiva do sistema de Justiça diante de agressores que representem risco.
“Eu tenho um pacote de projetos de lei para a defesa da mulher. Precisamos transformar essas propostas em leis para que nossas mulheres tenham a proteção devida do Estado” – afirmou.
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