POLICIAL
Novos comandantes assumem unidades da Polícia Militar de Várzea Grande e Poconé
A Polícia Militar de Mato Grosso oficializou, em solenidade na manhã desta sexta-feira (15.03), em Várzea Grande, as passagens de comando de três unidades operacionais do 2º Comando Regional. Na cerimônia, três tenentes-coronéis assumiram o comando do 4º Batalhão e 25ª Companhia Independente de PM, em Várzea Grande, e da 6ª Companhia de PM, em Poconé.
No 4º Batalhão de PM, responsável pelo policiamento da região central de Várzea Grande, o tenente-coronel Gleber Candido Moreno passou o comando da unidade para o tenente-coronel Jean Araújo de Lima. Antes de assumir o 4º BPM, o tenente-coronel Jean Lima comandava a 25ª Cia de PM, além disso, já comandou a 21ª Cia de PM, em Cuiabá, e a 4ª Cia de PM Ambiental e a Força Tática do 6º Comando Regional, em Cáceres.
Na 25ª Cia de PM, que atua no policiamento do bairro São Mateus e regiões próximas, o tenente-coronel José Corrêa da Costa Júnior assume como novo comandante da unidade. Ao assumir a função, o tenente-coronel deixa o comando da 6ª Cia de PM, em Poconé, antes disso, atuou como coordenador-adjunto de escolas militares e também como comandante-adjunto do 1º BPM e 9º BPM, em Cuiabá.
Já no policiamento operacional da cidade de Poconé, por meio da 6ª Cia Independente de PM, o tenente-coronel Wanderson da Costa Castro assumiu como comandante da unidade. O tenente-coronel chega à unidade após comandar o 15º Batalhão de PM, em Alto Araguaia, e também o 8º Batalhão de PM, em Alta Floresta. ![]()
O subchefe de Estado-Maior Geral da Polícia Militar, coronel José Nildo de Oliveira, presidiu a solenidade e agradeceu aos comandantes do 2º Comando Regional o bom trabalho da unidade e desejou as boas vindas aos novos oficiais que irão comandar o policiamento de Várzea Grande e Poconé.
“O 2º Comando Regional vem com uma queda dos índices de criminalidade e temos que comemorar isso, mas também continuar esse trabalho e empenho dos comandantes e da tropa, para continuarmos entregando isso a sociedade. Quero parabenizar os oficiais e desejo sucesso na missão de todos os novos comandos”, afirmou.
Também estiveram presentes na solenidade o deputado federal e ex-comandante da PMMT, coronel Jonildo de Assis, os comandantes regionais da PMMT, coronel Wankley Corrêa Rodrigues (Cuiabá) e Januário Batista (Várzea Grande); o assessor militar do Ministério Público de Contas, coronel Fábio Souza Andrade, os secretários municipais de Várzea Grande, coronel PM Alessandro Ferreira (Governo) e Jadir Pereira (Esporte); os vereadores de Várzea Grande, Rosy Prado, sargento Galibert, Emerson Campos Magalhães, Rogério Martins e Paulo Silva; o presidente do Conseg de Poconé, Luis Eduardo Campos, entre outras autoridades.
Fonte: PM MT – MT
POLICIAL
Relatório da Polícia Civil cita Adelcino Lopo em suspeitas de favorecimento em contratos públicos
Mensagens extraídas de celular apreendido mencionam ordem atribuída ao ex-prefeito, tratativas antes de licitação, doações, eventos e pagamentos a pessoas ligadas a agentes públicos; documento, porém, não apresenta mensagem direta de Adelcino nem prova conclusiva de recebimento de valores por ele
Um relatório técnico parcial da Polícia Civil de Mato Grosso coloca o nome do ex-prefeito de Pontal do Araguaia Adelcino Lopo no centro de diálogos investigados sobre contratações públicas, eventos e relações entre empresários e integrantes da administração municipal.
O material integra o Inquérito Policial nº 63.4.2025.1676, que deu origem à Ação Penal nº 1007521-13.2025.8.11.0004. A análise foi realizada a partir do celular do empresário Renan Carlos Rodrigues da Silva, representante da GR Produções & Eventos.
As referências a Adelcino aparecem em relatos de terceiros reproduzidos nas conversas analisadas pela Polícia Civil. O próprio documento ressalta, contudo, que os trechos examinados não trazem mensagem enviada diretamente pelo ex-prefeito que, isoladamente, comprove recebimento de valores ou eventual participação em irregularidades.
“FOI A MANDO DE ADELCINO”
Uma das passagens de maior impacto consta de conversa de 15 de junho de 2023 entre Renan e Raulflis Oliveira Mello, então secretário municipal de Comércio, Indústria e Turismo e de Esportes de Pontal do Araguaia.
A discussão envolvia a contratação de tendas. Renan reclamava que sua empresa, embora vencedora de item em ata de registro de preços, estaria sendo preterida quando apareciam contratos considerados mais vantajosos.
Segundo a transcrição reproduzida no relatório, Raulflis teria dito que procurou outro empresário por determinação atribuída ao então prefeito:
“O Adelcino falou: ‘conversa com o Denir e pede um desconto lá pra ele na estrutura’.”
Ainda conforme o documento, Raulflis relatou que o empresário teria se oferecido para doar tendas diante da alegação de falta de recursos públicos. A conversa menciona ainda que Adelcino teria solicitado uma declaração formal da doação.
Para os investigadores, a hipótese a ser apurada é se eventuais doações poderiam ter sido utilizadas para preservar preferência da administração em futuras contratações. O próprio material pondera que a existência de uma doação, por si só, não comprova crime e exige confronto com documentos administrativos e registros de entrega.
LICITAÇÃO É CITADA EM CONVERSAS ANTERIORES À PUBLICAÇÃO
Outra frente do relatório envolve Alessandro dos Santos Oliveira, apontado no documento como então secretário de Desenvolvimento Econômico e pregoeiro da Prefeitura.
De acordo com o material, mensagens indicariam que informações sobre um pregão teriam sido discutidas com Renan antecipadamente. Em uma das conversas, Alessandro teria informado que organizaria um pregão municipal e solicitado três orçamentos. O empresário teria respondido que o importante seria “ganhar o papel”.
O relatório também menciona o envio de documentos relacionados à licitação e a solicitação de uma planilha com valores de referência para inserir “o seu preço”.
Na avaliação registrada pelos investigadores, os diálogos levantam a hipótese de acesso privilegiado a informações e possível direcionamento da participação de uma empresa. A confirmação, entretanto, depende da comparação das mensagens com o processo licitatório oficial e os documentos apresentados pelos demais concorrentes.
“O PREFEITO QUERIA O SHOW”
Adelcino volta a ser mencionado em conversas relacionadas a um evento na praia e a uma apresentação musical que, segundo o relatório, ocorreria em uma fazenda atribuída ao então prefeito.
Conforme a transcrição, Alessandro teria dito a Renan que “o prefeito queria o show” e sugerido que a apresentação fosse realizada gratuitamente. O argumento seria que a iniciativa poderia favorecer o empresário em eventos posteriores.
A Polícia Civil registra como hipótese a existência de uma possível troca de favores, envolvendo uma vantagem privada associada a futuras contratações públicas.
O relatório, entretanto, não apresenta nos trechos reproduzidos confirmação independente de que Adelcino tenha solicitado pessoalmente a apresentação gratuita. A afirmação é atribuída a Alessandro nas conversas analisadas.
REUNIÃO NA PREFEITURA
Em outra passagem, datada de 18 de junho de 2023, Renan teria informado a Alessandro que havia sido chamado por Adelcino para comparecer à Prefeitura.
Segundo o relatório, Renan afirmou acreditar que o então prefeito ainda o manteria “no esquema”.
O trecho é tratado pelos investigadores como elemento que pode indicar a percepção do empresário de que Adelcino exerceria influência sobre as negociações. Não consta, porém, nas imagens apresentadas, o resultado da reunião nem confirmação independente sobre o conteúdo do encontro.
RELATÓRIO MENCIONA R$ 54 MIL E OUTROS PAGAMENTOS
O documento traz ainda uma conversa na qual Renan afirma ter entregue R$ 54 mil a Elcio Mendes, descrito como pessoa ligada à organização de eventos e à administração municipal. O empresário teria classificado o valor como “limpinho” e relatado que Elcio estaria cobrando mais dinheiro.
Em outra parte da investigação, aparecem pagamentos destinados a pessoas ligadas aos interlocutores públicos.
O relatório cita uma nota fiscal de R$ 4.467, relativa à locação de tendas, e registra, segundo a hipótese investigativa, R$ 3 mil destinados a um prestador chamado Diogo; R$ 1,1 mil transferidos a Karol Anne Wonda Lopes Martins, apontada como esposa de Raulflis; e R$ 367 que poderiam ter permanecido com Renan.
Também são mencionados R$ 400 transferidos a Marisa Martins Silva Oliveira, identificada no relatório como esposa de Alessandro, além de R$ 2 mil destinados a uma empresa registrada em nome de Maria Aparecida dos Santos, apontada pela investigação como mãe de Alessandro.
CONVERSA TAMBÉM MENCIONA “PROPINA”
O material relata ainda um período de conflito entre Renan e Raulflis. Segundo o documento, em dezembro de 2023, Renan teria ameaçado apresentar denúncias ao Ministério Público e divulgar informações nas redes sociais.
Em uma gravação transcrita no relatório, Renan acusa o então secretário de ter recebido propina e afirma: “eu já paguei propina para o Raulfe”.
A declaração integra o material investigativo e, isoladamente, não equivale a uma conclusão judicial de que o pagamento ilícito efetivamente ocorreu.
O QUE O RELATÓRIO ATRIBUI A ADELCINO
As menções ao ex-prefeito são agrupadas, no próprio material apresentado, em quatro pontos principais: a negociação de tendas que teria ocorrido “a mando de Adelcino”; a informação levada ao então prefeito sobre uma possível doação; o relato de que “o prefeito queria o show”; e a convocação de Renan para uma reunião na Prefeitura.
Até o ponto documentado nas imagens, a conexão de Adelcino com os pagamentos aparece de maneira indireta, por meio de relatos de outros interlocutores.
O relatório é relevante porque organiza mensagens, conversas, documentos, notas fiscais e comprovantes de pagamento e fornece elementos para o aprofundamento das investigações. Isso não significa, por si só, que as hipóteses levantadas estejam definitivamente comprovadas.
INVESTIGAÇÃO AINDA EXIGE COMPROVAÇÃO
O conjunto descrito pela Polícia Civil apresenta, em tese, um ambiente em que fornecedores e agentes públicos discutiam licitações, eventos, doações, pagamentos e possíveis preferências comerciais.
No caso específico de Adelcino Lopo, o material aponta suspeitas sobre eventual conhecimento ou influência em determinadas contratações e eventos, mas não apresenta, nos trechos fornecidos, prova direta de que ele tenha recebido valores.
A confirmação ou o afastamento das suspeitas dependerá do conjunto integral das provas, da manifestação das pessoas citadas, dos documentos administrativos, das perícias e das decisões das autoridades responsáveis pelo caso.
Todos os mencionados devem ser tratados como investigados, citados ou pessoas referidas no material — conforme a situação individual de cada um —, sem antecipação de culpa. A responsabilização criminal somente pode ser estabelecida mediante o devido processo legal e decisão judicial.
A Folha de Mato Grosso deixa espaço aberto para Adelcino Lopo, Renan Rodrigues, Raulflis Mello, Alessandro Oliveira, Elcio Mendes, Adenir Pinto e demais pessoas mencionadas apresentarem suas versões. Caso haja manifestação, ela deverá ser incorporada à reportagem.
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