NACIONAL

MEC lança plataforma para registrar demanda por matrícula EJA no país

O Ministério da Educação (MEC) lançou, neste sábado, 28 de março, o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), uma plataforma que contém informações sobre a oferta e a demanda por matrículas de EJA em todo o território nacional. Por meio da nova ferramenta, qualquer pessoa com 15 anos ou mais que deseje concluir os estudos poderá registrar um pedido, facilitando o processo de matrícula. O lançamento ocorreu durante o Encontro Nacional da EJA, que também celebrou a formatura de 2 mil estudantes das áreas de reforma agrária e periferias do Nordeste, fruto de uma parceria do MEC lançada em 2024.  

28/03/2026 - Encontro Nacional da EJA nas periferias e nas áreas de reforma agrária do Nordeste. Fotos: Vitor Brandão/MEC

Durante a cerimônia de lançamento da ferramenta, o secretário-executivo adjunto do MEC, Rodolfo Cabral, destacou que a nova plataforma representa um avanço na forma como o Estado identifica e responde à demanda por EJA no país. “O CadEJA é mais que uma inovação tecnológica, ele dá forma ao princípio, porque é o Estado que deve ir até o cidadão, e não o contrário. A plataforma organiza demandas e devolve protagonismo às pessoas que, por tanto tempo, ficaram de fora das oportunidades educacionais.” 

A secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão do MEC (Secadi/MEC), Zara Figueiredo, ressaltou o papel da EJA na valorização das trajetórias de vida dos estudantes e no fortalecimento da democracia. “Vocês nunca poderão ser acusados por não terem diploma superior, porque vocês trazem com vocês todos os saberes do mundo, todos os saberes que importam, todos os saberes que nos sustentam e sustentam principalmente a coisa mais importante do nosso país: a nossa democracia. Sigam fortes e contem sempre com o Ministério da Educação!” 

O CadEJA faz parte do Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA), política que visa superar o analfabetismo e elevar a escolaridade da população com mais de 15 anos que não terminou os estudos na idade recomendada, ao mesmo tempo em que promove o aumento da oferta de EJA em todo o país. A nova plataforma garante que o poder público consiga mobilizar as redes de ensino de maneira mais efetiva, já que atualmente não existe nenhum meio físico ou digital para que as pessoas possam registrar a demanda pela modalidade, exceto nas próprias escolas. 

Sem a plataforma, a busca por estudantes interessados em voltar a estudar depende, muitas vezes, do esforço direto de educadores nas comunidades. A educadora da EJA e do projeto Mãos Solidárias, Paula Maria dos Santos, relata que o trabalho exige visitas constantes para incentivar e mobilizar os alunos a retornarem à sala de aula. “Toda vez que eu precisava ir dar aula, eu fazia uma busca ativa. Eu tinha que ir nos becos e nas ruas levar um por um para a sala de aula. Antes, meus alunos não sabiam nem fazer o risquinho das letras, hoje eles escrevem, leem e têm a dignidade de assinar algum documento e entender o que está nele.” 

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A plataforma também conterá um painel de acesso exclusivo para o gestor, com toda a demanda da EJA. Por lá, será possível: gerenciar os dados da procura com identificação qualificada dos estudantes, permitindo uma oferta adequada; visualizar a oferta georreferenciada de EJA na rede; ter acesso digitalizado e facilitado aos dados de demanda por EJA provenientes de outras áreas, facilitando a intersetorialidade; e acompanhar a relação entre a oferta e a demanda da EJA. 

Como funciona – Para se cadastrar, basta que o interessado acesse a plataforma e registre, de forma direta ou intermediada, seu desejo de voltar a estudar. O questionário é simples e rápido e conta com o auxílio por áudio. Realizada essa etapa, o gestor da rede de ensino visualizará essa demanda e buscará uma oferta que melhor atenda às necessidades e desejos do aluno, como preferência por turno e região. Por fim, a rede entrará em contato com a pessoa e a direcionará para a matrícula, com as devidas orientações. 

Encontro Nacional da EJA – O Encontro Nacional da Educação de Jovens e Adultos nas Periferias e nas Áreas de Reforma Agrária do Nordeste reuniu educadores, estudantes, instituições e movimentos parceiros de diferentes regiões do país — todos mobilizados pelo Pacto EJA. O evento consolidou-se como um espaço de articulação e fortalecimento das políticas públicas voltadas à modalidade educacional, reforçando o compromisso coletivo com a ampliação do acesso à educação e com a superação do analfabetismo no Brasil. 

Durante 2025, o Pacto EJA beneficiou mais de 200 mil pessoas em ações de alfabetização e contou com a atuação de 80 mil profissionais em iniciativas de formação. Até 2027, a previsão é de investimento de R$ 4 bilhões voltados à superação do analfabetismo entre jovens e adultos no Brasil. 

A cerimônia deste sábado, dia 28 de março, simbolizou o compromisso do MEC com a garantia do direito à educação para jovens, adultos e idosos, além de reafirmar o papel da EJA na promoção da inclusão social e da cidadania. 

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Para a formanda Rita Hermínia Batista, de 83 anos, a conclusão dos estudos representa a realização de um sonho e a conquista da autonomia por meio da alfabetização. “Meu sonho era pegar minha bíblia e ler um capítulo, mas eu não sabia. No primeiro dia de aula, eu fui muito feliz, mas fiquei pensando: ‘será que eu, tão velha, vou conseguir aprender alguma coisa?’ Agora eu conheço todas as letras e assino meu nome em todos os lugares”. 

Referenciais de implementação – O evento também marcou o lançamento do primeiro volume dos Referenciais de Implementação das Políticas da Secadi, material que busca oferecer às redes de ensino instrumentos para avançar na implementação das políticas da secretaria. 

O material orienta gestores e equipes das secretarias de educação na incorporação da equidade aos processos de gestão, apresentando dimensões estratégicas, parâmetros, indicadores e orientações práticas que auxiliam as redes a identificarem seu nível de maturidade institucional e a avançar, de forma progressiva e estruturada, na implementação de políticas capazes de reduzir desigualdades e garantir condições efetivas de aprendizagem para todos os estudantes. 

Neste sábado, dia 28 de março, foi lançado o volume dedicado à EJA. Os próximos materiais serão disponibilizados semanalmente pelo site do Ministério da Educação. 

Contexto – De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, em 2024, havia 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade não alfabetizadas. Diante desse cenário, o MEC, por meio da Secadi, lançou em 2024 o Pacto EJA. O CadEJA reforça o compromisso do MEC ao garantir a oferta da modalidade de ensino com um mecanismo simples e fácil de consulta para qualquer cidadão. 

Pacto EJA – Instituído pelo Decreto nº 12.048/2024, o Pacto EJA é uma política pública construída de forma colaborativa pelo Ministério da Educação (MEC) com a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios. Os objetivos são superar o analfabetismo; elevar a escolaridade; ampliar a oferta de matrículas da EJA nos sistemas públicos de ensino, inclusive entre os estudantes privados de liberdade; e aumentar a oferta da modalidade integrada à educação profissional.  

Resumo | Pacto EJA 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi 

Fonte: Ministério da Educação

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NACIONAL

MEC anuncia programa de pós-graduação para estudantes africanos

O Ministério da Educação (MEC) anunciou, nesta segunda-feira, 25 de maio, o programa Capes Move África. Desenvolvida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a iniciativa terá investimento total de R$ 47,4 milhões. O anúncio ocorreu durante o 1º Fórum de Reitores Brasil-África, que acontece até 27 de maio, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF). Durante o evento, também foram apresentados dados do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G). A abertura do fórum contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, dos ministros da Educação, Leonardo Barchini; das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e da Igualdade Racial, Rachel Barros, além de estudantes, representantes de instituições de ensino superior do Brasil e de países africanos, entidades de pesquisa e organismos acadêmicos brasileiros e africanos.  

Na cerimônia de abertura, o presidente Lula agradeceu a presença do corpo diplomático africano no evento, composto por 64 reitores africanos de mais de 30 países da África e 70 reitores brasileiros. Segundo ele, o evento é uma oportunidade para fortalecer e expandir a cooperação universitária entre o Brasil e a África, bem como reconhecer a centralidade do continente para o mundo.   

“O Capes Move África vai criar 2,6 mil bolsas para mestrandos e doutorandos africanos estudarem no Brasil por um período de até dez meses. Reforçar os programas de estudantes convênio de graduação e pós-graduação também será essencial para consolidar a educação superior como um dos pilares da parceria estratégica entre Brasil e África. O avanço das tecnologias digitais permite ampliar a nossa cooperação de maneira mais rápida, flexível e econômica”, afirmou o presidente.   

Para o ministro Leonardo Barchini, o 1º Fórum de Reitores Brasil-África é o início de uma nova etapa de cooperação, amizade e construção de dignidade, oportunidade e qualidade de vida para os povos brasileiro e africano.  

Abrir as portas do Brasil para estudantes africanos é aprofundar ainda mais nossos laços históricos, formando redes de pesquisa, ampliando publicações conjuntas, fortalecendo a cooperação científica e produtiva.” Leonardo Barchini, ministro da Educação 

“A cooperação entre o Brasil e a África não é de hoje, mas hoje ela ganha um novo impulso. Quero anunciar o compromisso do Ministério da Educação com a implementação do programa Capes Move África. Abrir as portas do Brasil para estudantes africanos é aprofundar ainda mais nossos laços históricos, formando redes de pesquisa, ampliando publicações conjuntas, fortalecendo a cooperação científica e produtiva, e aprofundando o conhecimento voltado ao desenvolvimento sustentável, econômico e produtivo dos nossos povos juntos”, pontuou.   

Já o secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, Olusola Bandele Oyewole, informou que, há muitos anos, o Brasil apoia a capacitação de estudantes africanos em universidades brasileiras e a realização de pesquisas entre as universidades dos dois países, além de conceder bolsas de intercâmbio.   

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25/05/2026 - Abertura Oficial do I Fórum de Reitores Brasil-África. Fotos: Luis Fortes/MEC

“A África enfrenta vários desafios, questões de saúde, de clima, de segurança alimentar, e acreditamos que, quando desenvolvemos as nossas universidades, desenvolvemos a África. Nós agradecemos a colaboração do Brasil com a África. Hoje, acredito que esse evento vai fazer com que a gente avance ainda mais nessa cooperação”, apontou.   

O termo de compromisso do Capes Move África foi assinado pelo ministro Leonardo Barchini e pelo presidente substituto da Capes, Antonio de Sousa Filho. A iniciativa visa facilitar a vinda de estudantes de pós-graduação do continente africano ao Brasil, para se formarem nas melhores universidades brasileiras. O programa ofertará 2,6 mil bolsas de estágio sanduíche, divididas em duas etapas de seleção com 1,3 mil vagas — serão 800 vagas para mestrado, com duração de dois a seis meses, e 500 para doutorado, com duração de quatro a dez meses. 

A prioridade da iniciativa são os programas de pós-graduação das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para garantir a conclusão da formação, os selecionados receberão alguns benefícios, que incluem bolsas diretas aos estudantes, compostas por mensalidade, auxílio-deslocamento, auxílio-instalação e seguro-saúde em parcela única, além de um Auxílio ao Pesquisador (AUXPE) para custeio de despesas do projeto com materiais de consumo ou serviços de terceiros.  

Para se candidatar, o estudante deve residir em um país africano na data da inscrição, ter cursado pelo menos um semestre do mestrado ou doutorado na instituição de origem, não estar realizando curso no Brasil no mesmo nível pretendido e não possuir pendências com a Administração Pública Federal brasileira. 

Confira o cronograma do programa:  

Etapa 

Data 

Indicação de vagas pelas universidades 

Até 26/8/26 

Publicação da lista de vagas 

A partir de 10/9/26 

Inscrição dos candidatos 

De 23/9/26 até 30/10/26 

Seleção dos candidatos pelas universidades 

De 3 a 13/11/26 

Fórum – O 1º Fórum de Reitores Brasil-África é promovido pelo MEC, pela Capes e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), com o apoio do Instituto Guimarães Rosa (IGR) do Ministério das Relações Exteriores (MRE). A iniciativa visa consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral entre o Brasil e os países do continente africano. 

A ideia é fortalecer e ampliar a cooperação em educação superior entre universidades brasileiras e instituições de todo o continente africano. O evento possui uma programação extensa, com painéis, seminários, workshops, reuniões bilaterais e apresentação cultural. 

Nos três dias de evento, estão reunidos reitores e assessores de cooperação internacional de universidades federais, estaduais e privadas brasileiras e de universidades africanas mobilizadas pela Associação de Universidades Africanas (AAU). A proposta é expandir as relações acadêmicas, contribuindo com novos acordos institucionais, programas de mobilidade estudantil, intercâmbio científico e cooperação em áreas estratégicas, como energias renováveis, mineração, inteligência artificial e ciências humanas. 

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Atualmente, existem 235 acordos entre universidades brasileiras e africanas, o que representa cerca de 4% do total de parcerias internacionais do Brasil. Os tratados abrangem 38 países africanos (70,4%), com forte concentração em países que têm o português como língua oficial, casos de Angola, Moçambique e Cabo Verde. No entanto, apesar de já apresentar um quadro de cooperação universitária estabelecido, a expectativa com a reunião é que haja uma evolução do cenário para alcançar países ainda distantes. 

PEC – Programa de Estudantes-Convênio (PEC) é mais uma ferramenta do MEC de internacionalização da educação superior, criado a fim de fomentar a cooperação entre o Brasil e demais países que representam uma parceria estratégica. Assim, o programa amplia o horizonte cultural dos brasileiros, ao mesmo tempo em que busca qualificar a formação de estudantes estrangeiros, por meio da oferta de vagas em cursos de graduação ou de pós-graduação, no Brasil. A iniciativa é dividida em três modalidades: 

  • PEC-G: O PEC de Graduação (PEC-G) oferece a estudantes estrangeiros vagas gratuitas para formação completa em cursos superiores no Brasil. Há oportunidades em todas as áreas do conhecimento, sem custos nem exames de admissão. Com investimento de aproximadamente R$ 25,7 milhões, o PEC-G foi criado em 2023 e conta, atualmente, com 27 países africanos participantes, 104 instituições de educação superior brasileiras e 4.340 estudantes selecionados. 
  • PEC-PG: concebido em 2023, o PEC de Pós-Graduação (PEC-PG) é uma iniciativa focada na cooperação internacional para programas de mestrado e doutorado. O programa é gerido pelo MRE, pela Capes e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nos últimos três anos, foram selecionados 154 estudantes de 12 países para ingressar em 54 instituições brasileiras participantes, com investimento de quase R$ 4,5 milhões. 
  • PEC-PLE: o PEC de Português como Língua Estrangeira (PEC-PLE) visa dar oportunidades aos estudantes que não sejam de países falantes da língua portuguesa e que não tiverem o comprovante de proficiência do idioma. Trinta instituições ofertam cursos gratuitos e presenciais de língua portuguesa e cultura brasileira para obter o certificado do Celpe-Bras, que é um exame de proficiência. Desde 2024, quase 1,4 mil estudantes ingressaram no programa. 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Assessoria para Assuntos Internacionais (AI) e da Capes 

Fonte: Ministério da Educação

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