NACIONAL
Direitos previdenciários das mulheres contribuem para a inclusão social
As mulheres são a maioria entre os beneficiários da Previdência Social: respondem por 56,4% do total. Isso decorre da maior longevidade das mulheres em relação aos homens e das regras de alguns benefícios.
A fim de compensar as desigualdades de gênero que existem no mercado de trabalho, alguns benefícios da Previdência possuem regras diferenciadas para esse público. Na aposentadoria programada, por exemplo, a idade de acesso é reduzida em três anos e o tempo de contribuição em cinco anos para as mulheres. Enquanto é exigido aos homens idade mínima de 65 anos e tempo de contribuição de 20 anos, para a mulher a idade foi fixada em 62 anos, sendo exigidos 15 anos de contribuição.
Considerando-se apenas os benefícios assistenciais, a proporção de mulheres é ainda maior: 61,6%. Já entre os contribuintes ativos do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), as mulheres são minoria – 32,5% contra 67,5% de homens, de acordo com estudo do Departamento do Regime Geral de Previdência Social. A diferença reflete um histórico de maior inserção masculina no mercado de trabalho formal.
Desigualdade na aposentadoria
Assim como ocorre no mercado de trabalho, as mulheres recebem menos quando se aposentam.O valor médio das aposentadorias pago a elas é de R$ 1.697,32, enquanto o dos homens é de R$ 2.221,03. Esse dado reflete a tendência de mulheres se aposentarem por idade mais frequentemente, já que muitas não acumulam tempo suficiente de contribuição devido à informalidade e interrupções na carreira, além de terem salários menores ao longo da carreira.
Salário-maternidade
O benefício previdenciário direcionado às mulheres é o salário-maternidade. Pago pelo período de 120 dias, podendo ser prorrogado por mais 60 dias, com objetivo de suprir a remuneração durante o afastamento do trabalho. É concedido às seguradas do Regime Geral de Previdência Social, por ocasião de parto, inclusive nos casos de natimorto, aborto legal, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. O primeiro salário-maternidade concedido a um homem aconteceu em 2012, em um caso em que o beneficiário que vivia em união homoafetiva adotou uma criança.
As seguradas empregadas recebem o benefício por meio das empresas, enquanto o INSS paga diretamente às demais seguradas. Em 2025 o INSS pagou diretamente 890 mil benefícios, enquanto em 2024 (último dado disponível) 707 mil benefícios foram pagos por meio das empresas.
Desde julho de 2025, a partir de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, as seguradas da Previdência Social estão isentas de carência para esse benefício. Basta ter feito uma contribuição e a mulher já tem direito ao salário-maternidade.
Pensão por Morte
As mulheres também são as principais beneficiárias de outro benefício da Previdência: a pensão por morte. Elas representam 81,8%, enquanto os homens representam apenas 18,2% dos pensionistas. Isso se deve ao fato de que as mulheres têm maior expectativa de vida. Além disso, o valor total pago às mulheres representa 84,7% do montante destinado a esse benefício.
Donas de casa
Outra política que impacta em sua maioria mulheres é o que prevê benefícios previdenciários a quem se dedica exclusivamente aos trabalhos domésticos. Elas podem contribuir para a Previdência Social como facultativas de baixa renda e pagar uma alíquota reduzida de apenas 5% do salário mínimo, garantindo direitos previdenciários como aposentadoria e benefício por incapacidade.
Cobertura previdenciária das mulheres ocupadas
Em 2023 (último estudo disponível), a população total com idade entre 16 e 59 anos foi de 135,3 milhões. Desse total, 90,9 milhões (67,2%) estava ocupada. As mulheres com idade entre 16 e 59 anos eram 50,7% da população total, mas representavam apenas 43,5% das pessoas ocupadas.
Considerando-se a população ocupada com idade entre 16 e 59 anos, a cobertura previdenciária das mulheres foi mais elevada que a dos homens: 70,6% para mulheres e 69,3% para homens. Considerando-se a população total com idade entre 16 e 59 anos, a cobertura previdenciária das mulheres foi menor, sendo, 40,7% para mulheres e 53,4% para homens.
Benefícios para vítimas de violência doméstica
Também por uma decisão do Supremo Tribunal Federal, as mulheres vítimas de violência doméstica passaram a ter direito aos benefícios previdenciários e ao Benefício de Prestação Continuada-LOAS. Para aquelas que são seguradas da Previdência Social, o STF entendeu que a remuneração pelos 15 primeiros dias de afastamento será de responsabilidade do empregador. E os dias seguintes passam a ser de responsabilidade do INSS. E no caso de mulheres não seguradas, o Supremo entendeu que elas devem receber um BPC. Caberá à Justiça comprovar que a mulher não tem outro meio de subsistência.
NACIONAL
Decreto cria o Sistema Nacional de Trilhas para fortalecer o ecoturismo, gerar emprego e promover o desenvolvimento regional
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, assinaram nesta quarta-feira (10) o decreto que institui o Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas). A medida transforma a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) em uma política pública permanente, fortalecendo o turismo de natureza como instrumento de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
O decreto foi assinado em meio a um conjunto de medidas para fortalecer a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável no Brasil, anunciadas durante cerimônia no Palácio do Planalto. As ações reforçam a conservação dos biomas e o enfrentamento à mudança do clima e seus impactos, ampliam o reconhecimento aos serviços ambientais prestados por pessoas que protegem a natureza e impulsionam investimentos para a promoção da transformação ecológica no país.
A instituição oficial do Sintrilhas consolida uma malha que já reúne 22 trilhas oficialmente reconhecidas, mais de 7 mil quilômetros sinalizados, presença em 18 estados, 184 municípios abrangidos e 347 unidades de conservação conectadas. Ao todo, o planejamento nacional projeta ultrapassar os 16 mil quilômetros de rotas, cobrindo todos os biomas terrestres brasileiros, além da zona costeira e marinha.
Coordenado pelo Ministério do Turismo, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o sistema busca estruturar as trilhas brasileiras, ampliar a segurança dos usuários e fortalecer o posicionamento do Brasil no mercado internacional de turismo de natureza.
Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância de preservar as riquezas naturais brasileiras e ampliar o acesso da população às áreas protegidas.
“Temos a obrigação de preservar nossas riquezas naturais e fazer com que elas tenham utilidade para o povo brasileiro. Precisamos valorizar nossas áreas protegidas, atrair visitantes e mostrar ao mundo a riqueza que o Brasil possui”, afirmou o presidente.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a nova política fortalece o turismo de natureza e amplia as oportunidades para comunidades e empreendedores em todo o país.
“O Sintrilhas transforma uma iniciativa construída ao longo dos últimos anos em uma política pública permanente. Estamos fortalecendo um modelo de turismo que leva visitantes para novos destinos, gera emprego, distribui renda e cria oportunidades, principalmente, para quem vive da pousada familiar, do pequeno restaurante, do artesanato, da produção local e dos serviços turísticos”, destacou o ministro.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, ressaltou que conservação ambiental e desenvolvimento econômico caminham juntos e destacou o papel das trilhas na valorização dos territórios, na proteção da biodiversidade e na geração de oportunidades para as comunidades locais.
Oportunidades
Ao conectar paisagens naturais, áreas protegidas, comunidades e atrativos turísticos, as trilhas ajudam a movimentar economias locais e ampliar oportunidades para quem vive do turismo.
Na prática, o Sintrilhas cria condições para ampliar a circulação de visitantes, aumentar o tempo de permanência nos destinos e fortalecer atividades ligadas à hospedagem, alimentação, guiamento turístico, artesanato, produção local e turismo de base comunitária.
A política também contribui para levar visitantes a regiões que muitas vezes ficam fora dos grandes circuitos turísticos, ampliando a distribuição dos benefícios econômicos do setor por diferentes municípios brasileiros.
Estrutura permanente
Criada originalmente em 2018, a rede passa agora a contar com uma estrutura nacional permanente voltada ao planejamento, implantação, gestão, monitoramento e promoção das trilhas.
O decreto institui instrumentos para fortalecer a governança do setor, entre eles a Estratégia Nacional de Trilhas, o Cadastro Nacional de Trilhas e o Comitê Nacional de Trilhas. A medida também amplia a participação integrada de estados, municípios, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil e iniciativa privada.
A Estratégia Nacional de Trilhas deverá ser elaborada em até 180 dias após a instalação de um comitê, que definirá as metas prioritárias para o desenvolvimento do segmento.
Medidas
Entre as medidas anunciadas nesta quarta estão a assinatura de seis decretos e a sanção de dois projetos de lei. Uma delas é a lei que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga e cria o Programa Nacional para a Recuperação da Vegetação da Caatinga. A norma busca incentivar a recuperação de áreas degradadas do bioma, ampliar a produção sustentável de alimentos na região, garantir a segurança hídrica e estimular a bioeconomia e o manejo florestal sustentável.
Os anúncios contemplam ainda o decreto que regulamenta o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), definindo regras para repasses mais ágeis a estados e municípios no combate a incêndios florestais e no manejo populacional ético de cães e gatos.
Já os investimentos para estimular o desenvolvimento sustentável envolvem aportes de R$ 834 milhões do Fundo Clima e de pelo menos R$ 210 milhões do Fundo Amazônia, que teve oficializada a doação de R$ 270 milhões do Reino Unido. O programa ARPA Comunidades também recebeu doação de R$ 370 milhões para investimentos nas cadeias da sociobioeconomia junto às comunidades extrativistas.
Entre os anúncios, estão ainda a criação do Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru (RO) e a ampliação do Parque Nacional Serra das Confusões (PI). Lideradas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo ICMBio, as ações fortalecem a conectividade ecológica, a conservação de espécies ameaçadas e a valorização do patrimônio natural e cultural do país.
Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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