MINISTÉRIO PÚBLICO MT

MT reforça combate à violência contra a mulher com protocolo integrado

Um protocolo de intenções voltado ao fortalecimento das ações de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher em Mato Grosso foi assinado, na tarde de quinta-feira (25), pelo Ministério Público Estadual, Governo do Estado e Tribunal de Justiça. O documento estabelece medidas integradas que ampliam a rede de proteção às vítimas e reforçam a monitoração eletrônica dos agressores. A solenidade ocorreu na Sala de Reuniões Garcia Neto, no Palácio Paiaguás.O principal objetivo é implementar um fluxo de informações integrado entre o Poder Judiciário, a Central de Monitoração Eletrônica e os órgãos de segurança pública, visando maior efetividade no atendimento às mulheres vítimas de violência. A iniciativa busca reduzir o tempo de resposta entre o alerta gerado pela monitoração (como o acionamento do botão do pânico) e o atendimento da ocorrência pelas equipes policiais.“O que temos aqui é um protocolo de ações, no qual cada instituição tem, de forma objetiva, suas responsabilidades definidas. E nós vamos fazer, como temos feito, o melhor possível. Tenho certeza de que, com o apoio de vocês, do Ministério Público, da Justiça, da Defensoria e de todos os atores envolvidos, conseguiremos avançar. Porque nos envergonha ter Mato Grosso liderando os índices de feminicídio”, afirmou o governador Mauro Mendes, ressaltando a necessidade de continuar investindo na prevenção com campanhas educativas.O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, destacou a importância da atuação integrada e ágil entre as instituições. “Não vamos conseguir melhorar os nossos resultados se não entendermos que o poder público funciona como um sistema interligado, em que cada um tem seu papel. Precisamos de um fluxo rápido de informações e de um intercâmbio constante de conversas e ideias. Não dá para cada um trabalhar isolado, como se estivesse numa ilha, e esperar que o resultado seja eficiente. Quem vai até a casa da vítima não é o promotor, não é o juiz, é o policial. Mas, quando o caso chega até nós, também precisamos ser ágeis: bater à porta do Judiciário, conseguir um mandado de prisão e entregar isso rapidamente à polícia. Esse fluxo tem que ser rápido. Estamos todos do mesmo lado e precisamos entender que o trabalho conjunto é essencial para defender a sociedade”, argumentou.O presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, compartilhou da mesma visão. “O problema é mais complexo do que parece. Trata-se de uma questão cultural, enraizada em uma formação machista. E para combater isso, só há um caminho: darmos as mãos. Só vamos alcançar resultados reais se houver união e compromisso, como o que está sendo firmado hoje. Estamos enfrentando uma cultura, e isso exige esforço coletivo. Hoje estamos semeando algo que, quiçá, dará bons frutos”, apontou.Também estiveram presentes na assinatura do protocolo a primeira-dama, Vírginia Mendes; os secretários de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Augusto de Camargo Roveri, e de Justiça, Vitor Hugo Bruzulato Teixeira; a senadora Margareth Buzetti; o deputado estadual Valmir Moretto; a defensora pública-geral do Estado, Maria Luziane Ribeiro de Castro; as subprocuradoras-gerais do Ministério Público de Mato Grosso, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert (Planejamento e Gestão) e Januária Dorilêo (Administrativa); a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela; e as promotoras de Justiça Claire Vogel Dutra e Gileade Pereira Souza Maia.Sobre o protocolo – “O que está em jogo é a proteção de mulheres em situação de risco. E isso não pode esperar. Investir nessa estrutura é, acima de tudo, investir na proteção da vida das mulheres mato-grossenses”, afirmou a procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela, ao apresentar o “Protocolo de Intenções para Monitoração Eletrônica”.Coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino, a representante do Ministério Público de Mato Grosso detalhou os objetivos do documento, as atribuições dos agentes signatários, os dados operacionais da Central de Monitoramento, as especificações técnicas dos equipamentos utilizados, além dos principais desafios identificados e das soluções propostas.Para ela, “a assinatura do protocolo marca apenas o começo de uma jornada crucial. O foco agora é a implementação efetiva do que foi pactuado: estabelecer fluxos claros, responsabilidades definidas e prazos exequíveis”.O protocolo estabelece como atribuição do Governo a coordenação geral das políticas públicas voltadas ao tema, além da articulação entre os órgãos envolvidos. Já o Tribunal de Justiça é responsável pela aplicação das medidas judiciais, pela atualização do Banco Nacional de Medidas Protetivas e por garantir o acesso das forças de segurança às informações sobre medidas cautelares. O Ministério Público, por sua vez, acompanha a execução dessas medidas e fiscaliza o cumprimento das obrigações impostas aos agressores.Além disso, o protocolo estabelece como atribuições da Secretaria de Estado de Segurança Pública a integração dos sistemas de monitoração com o atendimento via 190, a criação de procedimentos para agilizar o despacho das ocorrências às equipes policiais, o fornecimento de dados para subsidiar políticas públicas e a priorização de ferramentas que automatizem o fluxo de informações, reduzindo o tempo de resposta.E define como atribuições da Secretaria de Estado de Justiça a instalação das tornozeleiras eletrônicas nos agressores, a entrega do botão de alerta às vítimas, a manutenção da Central de Monitoração 24 horas, a comunicação de violações ao Poder Judiciário, a definição de protocolos de atendimento e a capacitação da equipe técnica envolvida no processo.Acesse aqui a apresentação.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Justiça determina adequações em Casa Lar a pedido do MPMT

A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Comodoro (a 644 km de Cuiabá) obteve, nesta quarta-feira (29), duas decisões favoráveis na Justiça que determinam ao Município a adoção de medidas voltadas à adequação estrutural, logística e administrativa da Casa Lar da Criança Recanto Feliz, unidade de acolhimento institucional de crianças e adolescentes. As decisões são resultado de duas Ações Civis Públicas ajuizadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), após inspeção realizada em março deste ano, que identificou diversas irregularidades capazes de comprometer o atendimento integral e a proteção dos acolhidos.
Entre os problemas constatados estão a falta de acessibilidade arquitetônica, a inadequação dos espaços físicos destinados ao atendimento técnico, a ausência de equipe técnica exclusiva, além da insuficiência de veículos para o transporte das crianças e adolescentes. Também foi verificado que o Projeto Político-Pedagógico e o Regimento Interno da instituição encontram-se desatualizados, em desacordo com as normas do Sistema Único de Assistência Social (Suas).
As decisões judiciais determinam que o Município adote uma série de providências para sanar as irregularidades apontadas, entre elas apresentar, no prazo de 10 dias, um plano de adequação estrutural; iniciar as obras necessárias em até 30 dias; disponibilizar veículo adicional para atendimento da unidade em 15 dias; e comprovar periodicamente o cumprimento das medidas impostas.
Também foi determinado que o Município implante equipe técnica mínima exclusiva, composta por um assistente social e um psicólogo, no prazo de 10 dias; comprove o atendimento técnico contínuo e a elaboração dos Planos Individuais de Atendimento (PIA) em até 15 dias; adeque integralmente o quadro de pessoal, incluindo cuidadores e coordenação; atualize o Projeto Político-Pedagógico e o Regimento Interno no prazo de 60 dias; e implante programa de capacitação continuada dos profissionais em até 90 dias.
Em caso de descumprimento das determinações, a Justiça fixou multa diária de R$ 5 mil, limitada ao montante de R$ 100 mil, em cada uma das ações.
Nas ações, o MPMT destacou que a situação viola dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e compromete o princípio da prioridade absoluta assegurado às crianças e adolescentes pela Constituição Federal.
Segundo o promotor de Justiça Carlos Rubens de Freitas Oliveira Filho, cabe ao Município garantir condições adequadas de funcionamento da unidade. “Incumbe ao Município de Comodoro promover a adequação da estrutura física da Casa Lar da Criança Recanto Feliz, em sentido amplo, assegurando condições de acessibilidade, organização adequada dos espaços e suporte estrutural compatível com as diretrizes normativas, de modo a garantir atendimento digno, integral e inclusivo às crianças e adolescentes acolhidos”, afirmou.
O promotor acrescentou ainda que “a deficiência estrutural da unidade de acolhimento institucional, especialmente no que se refere à ausência de equipe técnica suficiente e qualificada, configura violação a direitos fundamentais de natureza coletiva, atingindo grupo determinado de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, o que justifica a atuação do Ministério Público na defesa de interesses coletivos e individuais indisponíveis”.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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