MINISTÉRIO PÚBLICO MT
MPMT debate política de drogas sob a ótica dos direitos humanos
A descriminalização do porte de drogas para consumo próprio foi debatida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, na manhã desta quinta-feira (29), durante o encontro virtual “Direitos Humanos e políticas sobre drogas”, promovido pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico. O tema foi abordado sob a ótica transversal entre as áreas da Saúde e do Direito, considerando o julgamento atualmente suspenso (desde 2015) do Recurso Extraordinário (RE) 635659, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito da constitucionalidade do artigo 28 da Lei 11.343/2006, que criminaliza o porte de drogas para consumo pessoal.
Na abertura do evento, o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular da Especializada, defendeu a descriminalização. “Quero colocar primeiramente, de plano, que sou completamente favorável. Eu já tinha esse posicionamento e o voto do nosso conterrâneo ministro Gilmar Mendes, que é o relator do Recurso Extraordinário no STF, me convenceu juridicamente”, afirmou. O procurador então leu o editorial “Perdas e danos” do jornal Folha de São Paulo, de 26 de junho deste ano, que considerou a política brasileira para as drogas um exemplo de ineficiência, uma vez que os dados apresentados no texto reforçam o diagnóstico de que a proibição é inócua e danosa.
Segundo a publicação, estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o país arque com um custo, em termos de bem-estar, de R$ 50 bilhões anuais (0,77% do PIB), em valores de 2017, com a proibição do uso de drogas e a repressão ao tráfico. Além disso, traz que a ilegalidade causa mais mortes do que o consumo e que o Brasil está em último lugar em um ranking de 30 nações do Global Drug Policy Index, que avalia a eficácia da política de drogas.
José Antônio abordou também o uso de drogas lícitas como remédios e álcool e propôs uma reflexão sobre os excessos com relação aos meios digitais (internet, telefone celular, redes sociais, entre outros). “Quero também lembrar das drogas lícitas como, por exemplo, remédios opioides. O uso de opioides nos Estados Unidos mataram no ano passado 70 mil pessoas, são remédios que se compra com receita médica e que temos no Brasil também. Ao falarmos de álcool, para cada litro de leite que se bebe no país são consumidos cinco litros de bebida alcóolica. Então, podemos dizer que há distorções sobre a forma de vermos a questão do entorpecimento das pessoas”, assinalou, destacando que o MPMT precisa enfrentar a temática da descriminalização de maneira desapaixonada, buscando contribuir da melhor maneira possível.
O procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz Junior, enalteceu a relevância da discussão. “Essa preocupação não é nova em alguns lugares do mundo, mas no Brasil ainda estamos realmente bastante atrasados na discussão, inclusive. A transversalidade da política de drogas é total com segurança pública, com o sistema de justiça e com a saúde. Mas ela também toca em assuntos onde o conservadorismo é muito forte, como a questão da religiosidade. E tem a questão econômica por trás também, especialmente no tocante às drogas lícitas”, pontuou.
Conforme o chefe do MPMT, é passado o momento de se discutir o tema com maior profundidade. “Creio que o Ministério Público deva ser uma instituição a colaborar nessa discussão. Afinal de contas, nós também contribuímos para que muitas dessas pessoas que entram no sistema carcerário pela prática de crimes de média e até de simples complexidade, tenham contato com organizações criminosas e, infelizmente, saiam muitas vezes do sistema muito piores do que entraram. O STF presta um grande serviço à sociedade brasileira e temos que reverberar isso, discutindo academicamente e no exercício da nossa atividade fim”, argumentou.
O evento online, organizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT e realizado por meio da plataforma Microsoft Teams, foi gravado e está disponível no canal do Ministério Público de Mato Grosso no YouTube (assista aqui). O encontro prossegue na manhã de sexta-feira (30), com a palestra da psicóloga Maria Angélica de Castro Comis sobre “Redução de danos e políticas públicas para pessoas que usam drogas: uma análise sob a ótica dos Direitos Humanos”. A promotora de Justiça Maria Coeli Pessoa de Lima atuará como debatedora.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Capacitação aborda julgamento com perspectiva de gênero no MPMT
Com o objetivo de qualificar integrantes da instituição para a aplicação da perspectiva de gênero na atuação ministerial e contribuir para a promoção dos direitos humanos e da justiça social, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) realizará o curso de extensão “Julgamento com Perspectiva de Gênero e Ministério Público”. A capacitação ocorrerá nos dias 12 e 24 de agosto de 2026, de forma virtual, por meio da plataforma Microsoft Teams. A iniciativa é do Centro de Apoio Operacional sobre Estudos de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e Gênero Feminino (CAO VD), em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT. Voltado a membros e servidores do Ministério Público de Mato Grosso, o curso terá carga horária total de 10 horas/aula, incluindo atividades complementares, e certificação para os participantes. A capacitação será ministrada pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) Eduardo Augusto Salomão Cambi, que abordará a aplicação da perspectiva de gênero na atuação judicial e extrajudicial do Ministério Público. O palestrante é pós-doutor pela Università degli Studi di Pavia, na Itália, mestre e doutor pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Também atua como professor associado da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e do Centro Universitário Assis Gurgacz (FAG).Além da trajetória acadêmica e da atuação na magistratura, Eduardo Cambi preside o Instituto Paranaense de Direito Processual e integra a Academia Paranaense de Letras Jurídicas. Reconhecido por sua produção intelectual e contribuição ao debate jurídico, o desembargador trará reflexões sobre a incorporação da perspectiva de gênero na atuação ministerial, destacando desafios, fundamentos jurídicos e boas práticas para a promoção da igualdade e do acesso à justiça.Programação – O primeiro módulo será realizado em 12 de agosto e terá abertura conduzida pela promotora de Justiça Ana Carolina Rodrigues Alves Fernandes de Oliveira, representando o CAO VD, e pelo coordenador do Ceaf, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro. Na ocasião, será ministrada a palestra “O Papel do Ministério Público na Defesa dos Direitos Humanos: Atuação Extrajudicial e Judicial”.Já no segundo encontro, marcado para 24 de agosto, os participantes acompanharão a palestra “O Protocolo de Julgamento e sua Repercussão na Atuação do Ministério Público”. A proposta é aprofundar o debate sobre os fundamentos normativos do julgamento com perspectiva de gênero, os protocolos instituídos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), evidenciando sua aplicação prática e sua relevância para a efetivação dos direitos fundamentais.Ao longo da capacitação, também serão discutidos os impactos dos estereótipos de gênero na interpretação dos fatos, na produção de provas e na tomada de decisões, além de estratégias voltadas ao fortalecimento de uma atuação ministerial ética, humanizada e comprometida com a redução das desigualdades estruturais.Segundo os organizadores, o curso busca fortalecer a implementação dos protocolos de julgamento com perspectiva de gênero e racial, estimulando práticas institucionais que contribuam para a construção de um sistema de justiça mais inclusivo, democrático e alinhado aos princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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