MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Acepipe
Queria eu escrever palavras sabidas, que abrissem o apetite, que dessem sede, fizessem estremecer o coração, atravessando os obstruídos canais de passagem. Uma última invenção. Uma última descoberta.
Descobrir o desconhecido não é coisa privativa de grandes heróis e viajantes. Não é coisa superior ou rara de Odisseu ou Marco Polo.
Não há uma pessoa que não seja um descobridor … um andarilho. (Na verdade já vi algumas)
Os eventos choram, dizem os franceses. As coisas, o lanço, o sucedido nos revelam e se deslindam a nós. A pessoa se constitui – descobre-se – sempre com e a partir do outro (que nem é tão outro assim).
Uma forma de entender essa descoberta, penso, não é só no atacado, quero dizer, observando os protagonistas, os grandes feitos, os que todos aplaudem. É possível também pegar no pequeno, nas minúcias. Trabalhar com o “atacado e o varejo” – expressões compreensíveis nessa comercialização que a gente vive, para ser bem claro! (mas não claro demais, Amigo Leitor, não claro demais! Não quero chegar a qualquer porto!)
Liguemo-nos às dores da terra. Não tenhamos medo do sol, da chuva, da vida! Coisas extraordinárias acontecem! Tudo que ainda não tem cerca! Não tenha medo de se inclinar, mesmo que aflito, sobre o resto, sobre algumas ruínas, em um rio que corre o tempo inteiro.
Se quiser pegar minhas palavras não as destrua, porque minha palavra não é tão só essas letras juntadas (uma espécie de pele de imagem) aqui, elas têm caminhos outros que o da mercadoria, que o das publicações, elas são a dor do meu povo e da minha gente, que sabe que vivendo estamos para doer, estamos doendo e que jamais se esquece de amar, depois de perder.
*Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso
Fonte: MP MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
MP participa da inauguração de oficina de costura em penitenciária
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, participou, nesta quinta-feira (23), da inauguração da oficina de costura escola da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. A nova estrutura vai ofertar 120 vagas de trabalho, com jornada de oito horas diárias, contribuindo para a reintegração social das reeducandas e para a redução de custos do Estado. Ao todo, foram instaladas 91 máquinas de costura, adquiridas pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (SAAP).
Atualmente, 20 reeducandas já foram certificadas pelo Senai e atuarão como multiplicadoras, auxiliando na capacitação das demais internas. O espaço conta com área de produção, estoque de matéria-prima e de peças prontas, além de refeitório e área de descanso. A produção da oficina será destinada, principalmente, à confecção de uniformes escolares da rede estadual, o que permitirá economia aos cofres públicos.
A procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente destacou que o Ministério Público atua de forma permanente no fortalecimento de projetos voltados à ressocialização no sistema prisional. “A oficina de costura representa uma oportunidade concreta de qualificação profissional e de reinserção social. Além do trabalho e da renda, iniciativas como essa fortalecem a autoestima dessas mulheres e contribuem para um recomeço digno.”
A procuradora também ressaltou a importância de práticas humanizadas, alinhadas a experiências exitosas, como as desenvolvidas na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), em especial nas unidades femininas, que estimulam responsabilidade, autonomia e a reconstrução de vínculos familiares.
A diretora da Penitenciária Feminina, Keily Adriana Arruda Marques, afirmou que a participação no projeto é voluntária e teve grande adesão. “As reeducandas recebem capacitação prática e certificação profissional, o que amplia as chances de retorno digno à sociedade. Já temos uma lista de mulheres interessadas em participar das próximas etapas.”
O presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, informou que a oficina atenderá demandas de órgãos públicos, com produção inicial estimada em 110 mil peças de uniformes escolares, podendo ser ampliada gradativamente.
Já o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou que o investimento reforça a política de ressocialização adotada pelo Estado. “Esse investimento representa um caminho eficaz para a ressocialização, ao garantir trabalho, dignidade e qualificação profissional. As reeducandas saem mais preparadas para o mercado de trabalho e para a vida em sociedade.”
Fonte: Ministério Público MT – MT
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