ECONOMIA
MDIC abre consulta pública sobre acordo comercial entre Mercosul e Japão
governo brasileiro abriu nesta quinta-feira (2/7) consulta pública para manifestações sobre as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão. Circular da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estabelece data limite de 15 de agosto para recebimento das contribuições.
A iniciativa marca uma nova etapa dos esforços para fortalecer a inserção internacional da economia nacional e ampliar oportunidades de comércio, investimentos e cooperação econômica com uma das maiores economias do mundo.
As contribuições deverão ser apresentadas por meio da plataforma Brasil Participativo, conforme orientações previstas na Circular Secex nº 50/2026.
Mercosul e Japão reúnem cerca de 400 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 7 trilhões. Com corrente de comércio de US$ 11,5 bilhões em 2025, o Japão figura entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
A pauta exportadora brasileira para o Japão é composta principalmente por café, carnes, celulose, máquinas e equipamentos elétricos, produtos químicos e motores. Em sentido inverso, destacam-se as importações de instrumentos e aparelhos de medição e controle, máquinas e equipamentos, medicamentos, veículos e autopeças.
A consulta pública é resultado da Resolução CEC nº 15, de 12 de junho de 2026, do Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que aprovou o mandato negociador brasileiro para uma negociação entre o Mercosul e o Japão. As contribuições recebidas subsidiarão a construção da posição brasileira nas discussões conduzidas no âmbito do Mercosul.
“O diálogo permanente com a sociedade é fundamental para seguirmos promovendo uma inserção internacional gradual, planejada, com contrapartidas e alinhada aos interesses do Brasil. Esta iniciativa reforça esse compromisso e qualifica a atuação do governo”, afirmou a secretaria de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres.
A abertura da consulta ocorre em um momento de intensificação do diálogo entre o Mercosul e o Japão, impulsionado pela Parceria Estratégica Mercosul–Japãopara aprofundar a cooperação política e econômica entre as partes.
Esse movimento ganhou novo impulso na Cúpula do G7 realizada em junho de 2026, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-ministra do Japão, SanaeTakaichi, manifestaram apoio ao lançamento formal das negociações, cujo início dependerá da aprovação dos Estados Partes do Mercosul.
A consulta pública permitirá identificar oportunidades, sensibilidades e prioridades dos diferentes setores da economia brasileira, contribuindo para que as negociações reflitam os interesses do setor produtivo e da sociedade.
A iniciativa reforça a estratégia do governo brasileiro voltada à ampliação de mercados, à atração de investimentos e à geração de oportunidades para empresas e trabalhadores brasileiros.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
ECONOMIA
Estudo traz subsídios para Brasil avançar na Política Nacional de Economia de Dados
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicou nesta quinta-feira (2/7) um Relatório de Recomendações Jurídicas com subsídios técnicos para apoiar a elaboração da Política Nacional de Economia de Dados (PNED).
O documento foi elaborado pela consultoria portuguesa Futura, por meio de uma parceria firmada entre o MDIC e a GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit) no âmbito do Diálogo Digital Brasil–União Europeia. A iniciativa é apoiada pela União Europeia e pelo governo alemão, sendo a GIZ responsável pela implementação dos projetos no contexto dos Diálogos Digitais Internacionais.
“A transformação digital vem impulsionando um novo paradigma econômico, no qual o uso estratégico dos dados e o seu compartilhamento seguro são fundamentais para gerar valor, inovação e competitividade por meio de novos produtos, processos e serviços”, afirma Cristiane Rauen, diretora do Departamento de Transformação Digital e Inovação do MDIC.
“Contudo”, continua ela, “o país ainda enfrenta obstáculos estruturais e regulatórios, embora apresente elevada aptidão tecnológica, já que, por exemplo, existem 175 milhões de usuários no portal GOV.BR e, recentemente, foi alcançado o recorde 313,3 milhões de transações por PIX em único dia”.
O objetivo do relatório é apresentar um panorama do tema a partir das experiências de normatização em Economia de Dados realizadas pela União Europeia nos últimos anos. O pioneirismo europeu se consolida pela Lei de Governança de Dados (Data Governance Act, 2022), pelo Regulamento de dados (Data Act, 2023) e pelo Digital Omnibus (2025).
O relatório do MDIC está estruturado baseando-se nas diferentes perspectivas para a elaboração de uma política pública fundamentada no compartilhamento de dados, em três fluxos distintos: Governo para Empresas (G2B); Entre Empresas (B2B); e Empresas para Governo (B2G). Essa abordagem – por modelos de negócios no compartilhamento de dados – permite redução das ambiguidades regulatórias e aumento da previsibilidade para os atores envolvidos.
Outro elemento central é a ênfase na implementação gradual, por meio de projetos-piloto em setores estratégicos. Segundo o relatório, essa estratégia permite testar, em condições reais, os instrumentos de governança, os padrões de interoperabilidade, os modelos de compartilhamento de dados e, até mesmo, meios rápidos e técnicos para resolução de disputas, reduzindo incertezas jurídicas.
O relatório destaca ainda a necessidade de coordenação institucional robusta para garantir escala e efetividade à política de dados. A experiência internacional demonstrou que a ausência de coordenação tende a gerar fragmentação e reduzir a adoção, especialmente entre pequenas e médias empresas. Essa coordenação deve ser acompanhada por instrumentos que reduzam riscos jurídicos, custos de transação e barreiras técnicas no compartilhamento de dados.
Entre outros pontos, o relatório aponta que economia de dados não deveria ser compreendida apenas como um segmento isolado do setor de tecnologia, mas sim como uma infraestrutura econômica crítica, capaz de aumentar a produtividade, impulsionar a inovação e ampliar a competitividade sistêmica da economia brasileira.
“A utilização intensiva de dados contribuiu para ganhos de eficiência, melhoria na tomada de decisões, aumento da transparência e estímulo à inovação, além de favorecer a criação de empregos qualificados”, afirma Cristiane Rauen. “Esses efeitos reforçaram o papel estratégico dos dados para a agenda de desenvolvimento nacional, particularmente em um contexto de transformação digital acelerada e crescente competição internacional por capacidades tecnológicas”.
Em síntese, o estudo conclui que o Brasil dispõe dos elementos fundamentais para avançar na estruturação de uma economia de dados dinâmica e competitiva. Mas a transformação desse potencial em resultados depende da implementação de uma política pública coordenada, orientada a evidências e focada em execução.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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