BASTIDORES DA POLÍTICA
Bastidores da política comentam que prefeito Abilio teria sido o autor da denúncia que originou a Operação Gorjeta
Operação da Polícia Civil apura desvio de emendas parlamentares que somam cerca de R$ 4 milhões; instituto ligado aos eventos esportivos é alvo de bloqueios, afastamentos e medidas cautelares
Nos corredores da política cuiabana, um assunto tem dominado as conversas desde a deflagração da Operação Gorjeta, nesta terça-feira (27): a suspeita de que a denúncia que deu origem à investigação teria partido do prefeito Abilio Brunini. Embora não haja confirmação oficial, interlocutores ouvidos em caráter reservado afirmam que o chefe do Executivo municipal teria levado às autoridades indícios de irregularidades envolvendo a destinação de emendas parlamentares a um instituto que atua na promoção de eventos esportivos.
A operação foi desencadeada pela Polícia Judiciária Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), e investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos, com indícios dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo os investigadores, o grupo teria se articulado para direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa, com devolução parcial dos valores ao vereador responsável pela indicação.
De acordo com dados do Portal da Transparência, o Instituto Brasil Central (Ibrace) recebeu aproximadamente R$ 4 milhões em emendas nos anos de 2024 e 2025, provenientes de três vereadores em exercício e dois ex-parlamentares. Apenas em 2025, o vereador Chico 2000 destinou R$ 1 milhão ao instituto, sendo R$ 600 mil para a Corrida do Bom Jesus de Cuiabá e R$ 400 mil para a Sexta Corrida do Legislativo, com pagamentos realizados pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer.
Outros repasses também chamaram a atenção dos investigadores. O ex-vereador Luiz Fernando encaminhou R$ 350 mil para a Quarta Corrida do Rotary Club. Já o vereador Cezinha Nascimento indicou R$ 1.856.276 para dois eventos, enquanto Kassio Coelho destinou R$ 500 mil para a Maratona City Cuiabá. Wilson Kero Kero e o ex-vereador Lilo Pinheiro indicaram R$ 250 mil para a Corrida pela Vida. Com exceção de Chico 2000, os demais parlamentares citados não são alvos diretos da operação.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 – Juiz das Garantias de Cuiabá e incluem 12 mandados de busca e apreensão, 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis e a suspensão do exercício da função pública de dois servidores da Câmara Municipal, além do afastamento de um vereador do mandato parlamentar.
Também foram impostas medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados, como a proibição de contato entre eles e com testemunhas, impedimento de acesso à Câmara Municipal e à Secretaria Municipal de Esportes, restrição de saída da comarca e entrega de passaportes.
A Justiça determinou ainda o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.
As atividades do instituto investigado foram suspensas, e a Controladoria-Geral do Município deverá realizar auditorias em todos os termos de parceria firmados com a Prefeitura. O Executivo municipal também ficou proibido de efetuar novos contratos ou pagamentos às empresas investigadas.
Entre os alvos da Operação Gorjeta estão, além de Chico 2000, seu chefe de gabinete, Rubens Vuolo Junior; o empresário João Chiroli, proprietário da Chiroli Uniformes; Magali Gauna Felismino Chiroli; Joaci Conceição Silva, assessor do vereador Mário Nadaf; Michelle Cruz Silveira; o presidente do Ibrace, Alex Jony Silva; além das pessoas jurídicas Chiroli Uniformes, Instituto Brasil Central e MT Mensura.
Nos bastidores, a possível participação do prefeito Abilio como autor da denúncia é interpretada por aliados como um gesto de enfrentamento à corrupção e, por adversários, como um movimento político estratégico. Oficialmente, o prefeito ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Enquanto isso, a Operação Gorjeta segue em andamento, e a Polícia Civil afirma que as investigações continuam para aprofundar a apuração sobre o destino dos recursos públicos e a eventual responsabilização dos envolvidos.
CUIABÁ
Com apoio da Prefeitura de Cuiabá, Grupo Flor Serrana lança primeiro álbum
A valorização da cultura popular cuiabana ganhou um importante reforço com o lançamento do álbum “Flor Serrana – As Tradições da Serra Abaixo”, primeiro trabalho fonográfico do Grupo Flor Serrana. O projeto foi viabilizado por meio do Edital Gambira Cultural – Múltiplas Linguagens, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, executados pela Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
Com 19 faixas, o álbum registra pela primeira vez em formato de áudio o repertório que acompanha as apresentações do grupo desde sua fundação, reunindo canções que preservam a memória, a religiosidade e a identidade das comunidades rurais da Serra Abaixo e da Baixada Cuiabana. Lançado nesta sexta-feira (7), o trabalho já está disponível nas plataformas Spotify e YouTube, ampliando o acesso do público a um patrimônio cultural que, até então, era transmitido principalmente por meio da tradição oral.
O investimento da Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, reforça o compromisso da gestão municipal com a preservação do patrimônio cultural imaterial, incentivando artistas, grupos e mestres da cultura popular a registrarem e difundirem suas produções para as novas gerações.
Fundado em 2012 por Helena Maria e Nezinho, o Grupo Flor Serrana surgiu a partir das tradicionais Festas de Santo realizadas nas comunidades rurais de Cuiabá, transformando essas vivências em um trabalho permanente de valorização do siriri e do cururu. Ao longo de mais de uma década, o coletivo consolidou-se como um dos principais representantes da cultura popular mato-grossense.
O repertório reúne composições autorais e adaptações de músicas tradicionais assinadas por Nezinho (Almindo Reis de Oliveira), Jorginho (Jorge Manoel Aguiar), Jhordan Costa, Eduardo Andrade, Adelino Costa, Leocádio Silva e Vinicius Gonçalves, além de obras de domínio popular preservadas pela tradição oral. As canções também evidenciam a devoção aos padroeiros Santo Antônio, São Gonçalo e Nossa Senhora Aparecida, elementos que fazem parte da identidade cultural das comunidades onde o grupo nasceu.
Para a dançarina e coreógrafa Kamily Amorim, o álbum representa um importante instrumento de preservação da cultura popular.
“Mais do que um lançamento musical, o álbum representa um importante registro do patrimônio cultural imaterial de Mato Grosso. Em um contexto em que grande parte do repertório tradicional permanece apenas na memória dos grupos e de seus mestres, a gravação contribui para a preservação dessas canções e amplia seu acesso para novas gerações e públicos de diferentes regiões do país.”
A produção musical foi realizada pelo Home Studio Alcimar e Thomas do Rasqueado, responsável pela gravação, mixagem e masterização, mantendo a sonoridade característica do siriri tradicional e valorizando instrumentos como a viola de cocho, o ganzá e o mocho.
Incentivo à cultura
O álbum demonstra a importância das políticas públicas de incentivo à cultura desenvolvidas pela Prefeitura de Cuiabá. Por meio da Lei Paulo Gustavo, a Secretaria Municipal de Cultura tem possibilitado que artistas e coletivos registrem e difundam produções que preservam a identidade cultural cuiabana e mato-grossense.
Além da produção musical, o projeto também valoriza a identidade visual. A capa do álbum, assinada pela artista Tamii, retrata elementos característicos da Serra Abaixo, como a estrada de chão, as serras, o pôr do sol da Baixada Cuiabana e os dançarinos de siriri, traduzindo visualmente a relação entre música, território e pertencimento.
Cultura cuiabana ganha novos espaços
Reconhecido por participações em importantes eventos, como o Festival de Siriri e Cururu de Cuiabá, FIT Pantanal, Festival Vambora, Festival Velha Joana e Sesc Celebra Cuiabá, além de festivais nacionais em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, o Grupo Flor Serrana inicia uma nova etapa de sua trajetória com o lançamento do álbum.
Entre os dias 20 e 28 de setembro, o grupo representará Mato Grosso no 1º Festival Folclórico Internacional de Maceió, levando ao público nacional e internacional a tradição do siriri das comunidades rurais da Baixada Cuiabana.
Para celebrar o lançamento, o grupo realizará, no dia 5 de setembro, uma festa com apresentações culturais e shows de artistas regionais. O evento também terá caráter beneficente para arrecadar recursos destinados à participação da delegação no festival internacional.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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