AGRONEGÓCIO
Senar leva capacitação em derivados do leite para Buriti
Com objetivo de preparar profissionais para a preparação de alimentos derivados do leite, utilizando equipamentos, utensílios, instrumentos e controle de qualidade de produtos e de processos na indústria de alimentos, o Sistema FAET/SENAR realizou no município de Buriti do Tocantins, o curso de Trabalhador na Produção de Derivados do Leite. Durante uma semana, produtores e trabalhadores rurais da região aprenderam técnicas para atuar na produção desses alimentos para um mercado em crescimento e cada vez exigente.
Hoziel Pereira do Nascimento estava desempregado e viu no curso uma chance de conquistar uma vaga no mercado de trabalho e até mesmo empreender no ramo. “Eu vi esse curso como uma grande oportunidade em minha vida, estou sem trabalhar acho que de agora em diante, com um certificado do Senar nas mãos, a coisa vai mudar. Para o aluno do curso, enquanto não surgem empregos, com o que ele aprendeu já dá pra buscar uma renda pra família. Ele pretende fazer algumas produções caseiras e vender na cidade, porque acredita que a procura por derivados do leite tem crescido bastante.
O curso é uma alternativa de fonte de renda para o trabalhador e o pequeno produtor, conforme destacou a instrutora do Senar, Merilene Damasceno. Para ela, o curso oportuniza novos caminhos e dissemina técnicas que garantem mais qualidade e segurança sanitária para os consumidores. “Neste curso de derivados do leite, estamos repassando técnicas para a fabricação de queijo minas-frescal, minas-padrão, mussarela, iogurte e doce de leite pastoso”, explicou a instrutora. Ela acredita que caprichando na produção, os clientes vão surgir sem dificuldade.
Para a presidente do Sindicato Rural de Augustinópolis, Cássia Cayres, que responde pela região de Buriti do Tocantins, iniciativas como essa visam fomentar novas práticas no setor rural da região. Para ela, a região tem uma produção crescente de leite e, ao oportunizar capacitações como a que foi oferecida pelo Senar, o sindicato e com o apoio da prefeitura local, os produtores poderão agregar valor à produção, melhorando a os ganhos na atividade e gerando novas perspectivas de renda no campo. A presidente destacou que novos cursos e capacitações serão oferecidas ao longo do ano.
AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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