AGRONEGÓCIO
Feicorte 2025 tem expectativa de conseguir forte comercialização
Presidente Prudente (560 km da capital, São Paulo) vai sediar, entre os próximos dias 17 e 21, a edição 2025 da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte). O objetivo é reforçar seu papel como principal feira indoor de pecuária de corte da América Latina, com foco em negócios, inovação e representatividade. Destaque deste ano é a forte presença feminina em todas as áreas — curadoria, gestão, palestras, gastronomia e genética.
No ano passado, a feira reuniu cerca de 8 mil visitantes e aproximadamente 100 empresas expositoras, promovendo julgamentos de touros e leilões de elite. Para 2025, a expectativa é superar os 10 mil participantes, conforme projeção dos organizadores.
Outro destaque da edição anterior foi o Leilão da Confraria da Carcaça Nelore, que arrecadou mais de R$ 1 milhão, com médias de R$ 48 mil para fêmeas e R$ 28 mil para machos, reafirmando a relevância do evento no cenário pecuário nacional.
Com 84 mil m² de área montada, o evento contará com leilões, julgamentos de raças como Wagyu e zebuínas, espaços dedicados à cadeia produtiva, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além do inovador “Beef Hour”, em parceria com a ABCZ, que traz experiências técnico-gastronômicas e degustações de carnes premium.
A programação técnica abordará genética avançada — incluindo ultrassonografia de carcaça em zebuínos e Wagyu —, sustentabilidade, manejo nutricional e eficiência produtiva. Grupos de pesquisadoras e produtoras conduzirão palestras e painéis que apresentam soluções concretas ao campo moderno.
A edição 2024 estabeleceu as bases para um mercado aquecido em 2025. Embora dados precisos sobre o volume financeiro ainda não tenham sido divulgados, o aumento no público e na presença de empresas em 2024 sugere aceleração nos negócios no evento deste ano.
A feira será também uma oportunidade para produtores do interior paulista, onde o varejo regional cresceu quase 7% em 2024, segundo dados da Fecomercio e levantamento do comércio local, refletindo aumento no poder de compra da região.
Serviço
Feicorte 2025 – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne
Quando: 17 a 21 de junho de 2025
Onde: Recinto de Exposições Jacob Tosello, Presidente Prudente (SP)
Programação e inscrições: www.feicortesp.com
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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