AGRONEGÓCIO

Fávaro apresenta oportunidades do agro brasileiro no India-Brazil Business Forum, em Nova Délhi

Publicados

em

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, liderou neste sábado (21), em Nova Délhi, um painel no India–Brazil Business Forum e destacou a retomada das relações entre Brasil e Índia. Segundo o ministro, inicia-se uma nova etapa de cooperação estratégica baseada em confiança, diálogo e complementaridade econômica. Ao lado de empresários e autoridades dos dois países, Fávaro apresentou oportunidades de ampliação do comércio bilateral, investimentos e inovação tecnológica no setor agropecuário.

O fórum integra a agenda oficial que a comitiva do governo brasileiro cumpre na Índia nesta semana. A visita ocorre a convite do primeiro-ministro Narendra Modi e é liderada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por ministros e parlamentares, além de uma grande comitiva de empresários brasileiros.

Segundo Fávaro, Brasil e Índia compartilham o compromisso com o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a estabilidade global. O ministro também ressaltou que a transformação da agropecuária brasileira nas últimas décadas foi impulsionada por ciência, tecnologia e governança, com papel central da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na adaptação de soluções aos trópicos e no aumento consistente da produtividade.

Leia Também:  Governo Federal lança Plano Safra 25/26 nesta terça-feira (1)

Fávaro apresentou exemplos concretos desse avanço. Citou a eficiência da produção de carne de frango no Brasil, estruturada em modelo de integração com pequenas propriedades e padrões sustentáveis. Mencionou ainda o melhoramento genético do girolando, tecnologia já negociada com o mercado indiano, e os ganhos de qualidade em feijões e pulses, segmento com potencial de cooperação entre os dois países.

O ministro ainda destacou a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono, a conservação do solo, a liderança brasileira no uso de bioinsumos, a recuperação de áreas degradadas no âmbito do Caminho Verde Brasil, a modernização do parque de máquinas e o desenvolvimento de moléculas biodegradáveis e seletivas.

Ao tratar das perspectivas comerciais, Fávaro defendeu a ampliação do intercâmbio com base na reciprocidade e lembrou que o agro brasileiro abriu 538 mercados internacionais nos últimos anos. Ele também destacou que quem deseja vender precisa comprar, reforçando a importância do equilíbrio nas relações comerciais.

O ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil apontou ainda a possibilidade de cooperação em inovação, com desenvolvimento conjunto de produtos biológicos, parcerias em agricultura regenerativa, atração de investimentos e ampliação da presença de empresas brasileiras na Índia, especialmente no processamento de alimentos. Também mencionou o interesse de empresas indianas em investir no Brasil nas áreas de tecnologia, inteligência artificial e bioinsumos.

Leia Também:  Saldo da balança comercial soma R$ 11 bilhões na primeira semana de junho

Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões. No encerramento da participação no fórum, Fávaro reforçou o compromisso brasileiro com previsibilidade regulatória e ambiente seguro para investimentos como base para parcerias de longo prazo.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Propaganda

AGRONEGÓCIO

Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

Publicados

em

O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Leia Também:  Governo anuncia medida provisória para a repactuação de dívidas até amanhã

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

Leia Também:  Déficit global de açúcar dobra e pressiona mercado brasileiro

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA