AGRONEGÓCIO

Escassez de fertilizantes: especialistas apontam soluções possíveis para produtores

A preocupação pela diminuição da oferta de fertilizantes, em decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia, tem sido uma realidade no Brasil. Atualmente, o país ocupa a quarta posição mundial com 8% do consumo mundial desses insumos. 

Um fato é consumado: o produtor terá que se adequar a quantidade de adubo a ser utilizado na sua produção. É o que ressalta o supervisor de campo da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-RS, Delmir Jonatto. 

“Se todos consumirem 70% desses insumos, a produção não cairá muito e podemos passar esse período de maneira mais estável. Nos últimos anos, a maioria dos produtores no país usaram adubo a mais do que a extração, deixando uma pequena reserva nos solos. Apesar da safra de inverno estar abastecida de insumos, é o momento de usar essa ‘poupança’ para a safra de verão”, indica.  

Para o supervisor de Campo, a análise de solo tem que ser bem-feita e utilizar o mínimo necessário para produzir. 

“É recomendada uma adubação equilibrada e que seja sempre realizada. É necessário criar a cultura de guardar, pensando que lá na frente pode faltar. Esse ano não terá uma sobra de adubo. É o momento de procurar um engenheiro agrônomo e uma assistência técnica para informar quantos quilos de insumo são necessários para produzir tantos quilos de grãos, porque, nos últimos anos, a situação era usar a mais. A relação ainda estava boa”, salienta.  

Apesar da diversidade no Brasil, não existem adubos em quantidades adequadas para resolver esse atual problema. 

“Mesmo com a adubação orgânica, como esterco de peru, gado e frango, que podem ser utilizados, esse mercado já existia, logo não há um aumento de oferta e isso não vai ser o suficiente para resolver. É importante trabalhar com um limite na planta, o seu potencial produtivo”, enfatiza

O ‘mental’ dos agricultores

A questão psicológica do produtor é um fator a ser relevado em meio a escassez de adubo, conforme Delmir Jonatto. 

“Analiso como preocupante o estado de estresse dos produtores. Estamos vindo de uma safra terrível, estiagem histórica e o custo de produção em elevação. Colocar como fator principal qual é o percentual de custo que o adubo gera ao produtor… Se for analisar, não é tão grande. O preço não vai alterar significativamente, representa, no máximo, 15% do total. É preciso trabalhar mais esse discernimento”, frisa. 

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Para Jonatto, infelizmente, os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina tiveram apenas como focos principais a produção de milho, soja, trigo e triticale, sendo que, nos últimos 15 anos, outras culturas de maior tolerância e estabilidade foram deixadas de lado. “Não se levou em conta todos os aspectos. Por mais que tenha que ser responsiva a produção, precisa ser estável, aguentar mais a um período de seca, suprir a deficiência de adubos, a capacidade agressiva do sistema radicular ou sanidade em clima adverso de um ano para outro. Ficamos em uma bolha pensando na produtividade e ficamos à mercê da segurança. Em condições normais, a perda será no máximo de 10%, mas, com a possibilidade de ter o fenômeno La Niña em 2022, falta de adubo e água, os problemas nas lavouras serão maiores”, enfatiza.

Integrar consultores e produtores 

Para o chefe geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemanski, a premissa é usar bem o que se tem na lavoura. 

“É necessário avaliar o quanto de nutrientes e de fertilizantes no solo estão disponíveis para as plantas, se estão acima dos níveis críticos estabelecidos para suprir as culturas”, aponta. 

Caso o estágio seja crítico ou próximo disso, é preciso ser feita uma amostragem de solo para uma produção rentável. 

“Isso é fazer uma boa agronomia, usar as cercanias agrícolas, ainda mais no Brasil que temos normas técnicas. É a eficiência econômica no uso de insumos para ter produtividade rentável”, complementa.

Lemanski aponta o projeto Duas Safras como solução para integrar o consultor técnico e o produtor na tomada de decisão a partir de uma análise econômica, na qual a integração de culturas de inverno ou de coberturas de solo que deixem palhada na lavoura podem contribuir para o incremento do teor de matéria orgânica do solo e, consequentemente, redução na necessidade de aplicação de fertilizantes químicos.

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Um ‘jogo de inteligência’ 

A melhor safra de inverno prepara o terreno para a melhor safra de verão. Segundo o especialista, tudo é um jogo de inteligência entre consultor técnico e produtor.

No caso dos fertilizantes, via análise, saber o que tem no solo, combinado com o que a planta/cultivar necessita. Isso permite a tomada de decisão quanto ao insumo que deve ser utilizado para a produtividade rentável. 

Já no caso de cultivares, a escolha precisa ser uma cultivar de maior resistência e tolerância a doenças fúngicas, o que pode significar uma aplicação de fungicidas contra quatro ou cinco de cultivares não resistentes a doenças. O ajuste na quantidade de semente estritamente necessária para a cultivar também é outra prática agronômica recomendável.

“O nitrogênio é o principal insumo promotor da produção do trigo. A cada 20 quilos de nitrogênio que a planta absorve pode significar 1 mil quilos de grãos produzidos. Então, a artesania do agro é usar as boas práticas agronômicas para ter mais renda com menos risco. A genética somada ao manejo eficiente resulta em uma produtividade rentável”, sinaliza.

Na Cultivar BRS 2020, foram 18 municípios e 20 lavouras demonstrativas que experimentaram a aplicação de adubo apenas uma vez. 

“Houve uma redução de custo de R$ 300 por hectare. Já o uso de quantidade de semente adequada para essa cultivar reduziu em R$ 115, sem perder potencial. No total, foram R$ 415 por hectare, uma grande economia ao que normalmente era realizado. Todos esses dados foram efetivados em campo”, recorda.

*Reprodução permitida desde que atribuídos créditos à Ascom/Padrinho Conteúdo

Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Colheita do café chega a 84% apesar do atraso provocado pelo clima

A colheita da safra brasileira de café chegou a 84% da produção estimada, mas está atrasada em relação aos anos anteriores. Em igual período de 2025, 94% do volume já havia sido retirado das lavouras. A média dos últimos cinco anos para esta época é de 90%. O avanço foi de seis pontos porcentuais em uma semana, favorecido pelo retorno do tempo seco às principais regiões produtoras.

O atraso está concentrado no café arábica, que representa a maior parte da produção de Minas Gerais. A colheita da variedade alcançou 77%, ante 91% no mesmo período do ano passado e média histórica de 85%.

No caso do canéfora, grupo que reúne conilon e robusta, os trabalhos estão praticamente concluídos. A colheita atingiu 99%, resultado semelhante ao de 2025 e ligeiramente superior à média de 98% dos últimos cinco anos.

Minas Gerais concentra a maior parte da produção brasileira de arábica e deverá colher 33,4 milhões de sacas de 60 quilos em 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa praticamente metade das 66,7 milhões de sacas previstas para o País.

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A estimativa mineira é 29,8% superior à da temporada anterior. O aumento foi favorecido pelo ciclo de bienalidade positiva dos cafezais e pelas condições climáticas registradas antes da floração e durante a formação dos grãos.

As chuvas fora de época, porém, prejudicaram a retirada do café das lavouras e a secagem nos terreiros. O excesso de umidade também aumentou a queda de frutos no solo, o que pode comprometer a qualidade de parte dos lotes e reduzir a disponibilidade de cafés de melhor bebida.

O problema atingiu principalmente áreas do Sul de Minas, maior região produtora de arábica do País. O tempo seco dos últimos dias permitiu a retomada dos trabalhos, mas não eliminou o atraso acumulado.

A entrada mais lenta do café novo mantém o mercado atento à oferta brasileira. Os estoques certificados na Bolsa de Nova York permanecem baixos, o que aumenta a reação das cotações a qualquer problema climático ou sinal de perda de qualidade.

A Conab estima que o Brasil produza 45,8 milhões de sacas de arábica em 2026, crescimento de 28% sobre o ano anterior. Para o canéfora, a previsão é de 20,9 milhões de sacas, alta de 0,8%.

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Nas próximas semanas, o produtor deverá concentrar esforços na conclusão da colheita e na secagem dos grãos. Em Minas Gerais, a qualidade dos lotes será decisiva para determinar quanto da safra maior conseguirá alcançar os mercados que pagam mais pelo café.

Fonte: Pensar Agro

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