AGRONEGÓCIO
Coordenadores do FIP fazem visita técnica no Triângulo Mineiro
Duas propriedades do Triângulo Mineiro receberam uma visita técnica da coordenação nacional do Projeto FIP Paisagens Rurais, executado no estado pelo Sistema FAEMG. O objetivo foi verificar como as ações do projeto estão sendo desenvolvidas em campo. Participaram das visitas, realizadas na última semana em Uberaba, a coordenadora técnica do FIP Paisagens no Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Bárbara Evelyn Silva, o coordenador do projeto em Minas Gerais, Ricardo Tuller, além de supervisores, técnicos de campo e representantes do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).
“Foi uma oportunidade para apresentar à coordenação nacional e demais parceiros como o projeto está sendo aplicado nas propriedades nesta região. Verificamos práticas de conservação do solo e recuperação de pastagens, como a construção de terraços e bolsões para evitar o carreamento do solo e favorecer a infiltração de água, melhorando a oferta de água via nascentes, por exemplo”, explicou Tuller. De acordo com ele, na Fazenda Capão Alto, uma das propriedades visitadas, foi possível ver que as duas nascentes existentes na área passaram a ter mais água após a aplicação dessas práticas.
Com apenas seis meses de assistência, a fazenda de pecuária de corte de 49 hectares já recuperou oito hectares no período. “O trabalho está indo muito bem na propriedade. Inicialmente, a preocupação foi garantir um estoque de volumoso. Para os próximos meses, o foco é gerar receita com a venda de animais e cuidar dos pastos”, comentou o técnico de campo Sidney de Freitas Gomes Júnior. Ele avaliou que a visita foi muito produtiva, especialmente para a troca de ideias relacionadas à proteção de áreas de APP e reserva legal.

Trabalho reconhecido
A coordenadora técnica do FIP Paisagens no SENAR, Bárbara Evelyn Silva, avaliou que o trabalho que o SENAR MINAS vem fazendo no projeto tem se mostrado efetivo para o alcance dos resultados. “As ações de suporte e monitoramento in loco tem por objetivo avaliar os avanços do projeto no estado e auxiliar a equipe nas estratégias de atuação em campo. A visita às propriedades atendidas é fundamental nesse processo. Pudemos ver na prática como o projeto está sendo implementado e os benefícios que podem ser gerados a partir dele”, destacou.
De acordo com ela, o manejo integrado da paisagem, com adoção de práticas de produção sustentáveis e adequação ambiental, gera ganhos em produtividade, conservação do solo e da água na propriedade. “São fatores que geram valor para a atividade produtiva, para o produtor e influenciam positivamente a região”, finalizou Bárbara.
Atualmente, o Projeto FIP Paisagens Rurais atende 1.553 produtores da pecuária de corte e de leite no Triângulo Mineiro, que estão inseridos na Bacia do Rio Tijuco. A assistência já proporcionou a recuperação de cerca de 10.000 hectares de pastagens e 6.500 hectares de passivos ambientais. “Entre os meses de julho e novembro vamos iniciar o atendimento a mais 500 produtores nos 12 municípios onde o projeto está presente em Minas Gerais”, destacou Tuller.
Alinhamento de demandas
Antes das visitas às propriedades, a coordenadora técnica do FIP Paisagens no SENAR também participou de reunião para alinhamento das demandas do projeto, juntamente com o coordenador no estado, Ricardo Tuller, o gerente regional do Sistema FAEMG em Uberaba, Caio Oliveira, e os quatro supervisores do projeto na região.
“Alinhamos várias questões como a contratação de novos técnicos e o cronograma de aplicação dos questionários para captação de mais produtores para o projeto”, comentou Tuller. O gerente regional Caio Oliveira destacou que também foram discutidos os Dias de Campo que serão promovidos com os produtores assistidos, entre os meses de julho e setembro. “Estamos programando 10 eventos que vão contemplar todos os municípios que hoje estão inseridos na assistência do FIP Paisagens. Será mais um momento para levar conhecimento diretamente para o produtor rural”, finalizou.
O supervisor Sebastião de Paula Rezende Junior avaliou que a visita da coordenação nacional foi muito positiva e possibilitou um olhar global do projeto. “Fizemos uma avaliação completa do trabalho de supervisão, dos resultados alcançados, das dificuldades e desafios, além de sanar dúvidas para que possamos atingir nossas metas, com mais segurança e engajamento para a continuidade da assistência ao produtor aqui na ponta”, ressaltou.
FIP Paisagens Rurais
O Projeto Gestão Integrada da Paisagem no Bioma Cerrado – FIP Paisagens Rurais é financiado com recursos do Programa de Investimento Florestal, através do Banco Mundial. A coordenação é do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, do MAPA, com parceria da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e do MCTIC, por meio do Inpe e da Embrapa.
AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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