AGRONEGÓCIO
Brumadinho: Assistência Técnica devolve dignidade a produtores rurais
Três anos após o rompimento da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho, muitas questões ainda seguem sem desfecho, mas os produtores rurais já podem respirar mais aliviados. O impacto na produção das fazendas e na confiança do consumidor foi grande, mas o trabalho conjunto dos produtores com a assistência técnica e gerencial do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos vem revertendo o quadro e gerando resultados animadores.
A entidade atua junto a produtores atingidos pela tragédia – direta ou indiretamente – com o Programa SuperAção Brumadinho. São 10 técnicos de campo atendendo gratuitamente a 480 propriedades dos municípios de Brumadinho, Mário Campos e Sarzedo. Com orientações práticas a partir de um diagnóstico individualizado, cada produtor reaprendeu o caminho da produtividade e das contas em dia.

Satisfação e retomada
Os irmãos Dárcio do Carmo Chagas e Mathias Machado do Carmo, produtores de banana na Comunidade Jordão, em Brumadinho, já estão dando a volta por cima. Os dois começaram a plantação em 2019, mesmo ano do rompimento da barragem, e tiveram muitas dificuldades. Mas, com empenho e com a ajuda do técnico Matheus Pena Campos, conseguiram retomar a comercialização e cativar os clientes com a qualidade das frutas. Para Dárcio, “o trabalho é puxado, mas dá muita satisfação”.
Na vizinha Mário Campos, o casal Milton Teles Ferreira e Sirlene Inácio Mendonça reinventou sua produção de hortaliças. Segundo o técnico Altino Júnior Mendes, eles trabalhavam com apenas um tipo de produto, que não trazia renda diária. Além disso, Milton sofreu com a desconfiança dos compradores, que achavam que a água que ele utilizava poderia estar contaminada com a lama. Depois do programa, o cenário na Fazenda Santa Helena é outro: “reduzimos custos e a renda aumentou demais da conta. O programa é 100%”, elogia Milton.
O analista técnico do Sistema FAEMG e coordenador do SuperAção Brumadinho, Wender Guedes Borges, explica que o objetivo é aumentar a lucratividade do produtor e não só a produtividade. “Mostrar quanto ele está produzindo, quanto está custando. Quebrar paradigmas para mostrar que a propriedade é uma empresa e deve ser tratada como tal”, reforça. Os assistidos e suas famílias ainda são orientados a participar dos cursos de capacitação gratuitos oferecidos pelo Sistema FAEMG, para complementar os conhecimentos adquiridos com o técnico.
Ações reunidas
Em novembro, o Parque de Exposições de Brumadinho recebeu um Dia de Campo dedicado ao Programa SuperAção Brumadinho. Mais de 270 pessoas foram em busca de novos conhecimentos com apresentações dos técnicos de campo e convidados. As estações contemplaram as sete cadeias produtivas atendidas: bovinocultura de corte, bovinocultura de leite, caprinocultura, avicultura, piscicultura, olericultura e fruticultura perene.
“O que vimos foi a reunião de vários parceiros que querem o desenvolvimento do agro a partir da transferência de conhecimento para a evolução dos produtores em suas respectivas atividades. A avaliação foi muito positiva”, disse o gerente de Assistência Técnica e Gerencial do Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos, Bruno Rocha de Melo.
O programa termina em maio deste ano, depois de dois anos de prestação de serviço. Até agora, cerca de 70% dos produtores assistidos já voltaram a registrar melhorias no negócio.
AGRONEGÓCIO
Na Agrishow, Governo do Brasil lança crédito para máquinas agrícolas e reforça apoio ao setor produtivo
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou, neste domingo (25), ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, da abertura oficial da 31ª edição da principal feira de tecnologia agrícola do país, a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
O vice-presidente ressaltou a importância da Agrishow para o desenvolvimento do setor e anunciou medidas voltadas ao financiamento e à modernização do agro. “Hoje, uma das maiores Agrishows do mundo é aqui, em Ribeirão Preto. Como cresceu”, afirmou Geraldo Alckmin.
Na oportunidade, o ministro André de Paula destacou que a feira é um espaço que simboliza o que o Brasil tem de melhor: a capacidade de produzir, inovar, gerar renda e alimentar o país e o mundo.
“Ribeirão Preto é reconhecida como a capital brasileira do agronegócio, consolidando-se como um dos principais polos agroindustriais do país. A região reúne alta produtividade, inovação e integração entre produção e indústria, sendo referência nacional. Simboliza o Brasil que produz energia limpa, alimento e desenvolvimento. Trata-se de uma das regiões com maior concentração de produção de açúcar e etanol do mundo, estratégica para a transição energética”, evidenciou o ministro.
Na abertura, também ocorreu o lançamento da nova modalidade do MOVE Brasil, voltada para máquinas e implementos agrícolas, com a disponibilização de R$ 10 bilhões em crédito. “O governo está liberando recursos para o setor de máquinas. Serão R$ 10 bilhões, com juros bem mais baixos, para financiar tratores, implementos e colheitadeiras, fortalecendo a modernização do campo”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin.
A iniciativa dá continuidade ao sucesso da primeira etapa do programa, voltada ao setor de caminhões, cujos recursos foram integralmente utilizados em cerca de 90 dias, evidenciando a alta demanda por crédito no segmento. Nesta nova fase, denominada Move Agricultura, os financiamentos contarão com taxas de juros em patamar de um dígito e serão operacionalizados por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com participação do Banco do Brasil, cooperativas e instituições financeiras privadas.
Além disso, o vice-presidente também destacou outras medidas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo, como a disponibilização de R$ 15 bilhões por meio do programa Brasil Soberano, direcionado a segmentos impactados no comércio exterior, e mais R$ 10 bilhões para financiamento de bens de capital. Segundo ele, o conjunto de ações amplia o acesso ao crédito e contribui para a modernização da produção, o aumento da competitividade e o estímulo à indústria de máquinas e equipamentos no país.
APOIO AOS PRODUTORES RURAIS
O deputado federal e vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim, reforçou a importância do alinhamento entre o setor produtivo e o governo federal. “Nós precisamos de um projeto de renegociação das dívidas para que o produtor possa retomar a sua produção e restabelecer a sua capacidade produtiva. Isso é indispensável”, disse. Ainda, evidenciou o papel do diálogo contínuo entre o Mapa e a FPA na construção de soluções para o fortalecimento do agro brasileiro.
Sobre o tema, o ministro André de Paula salientou o compromisso de ampliar ainda mais a pujança do setor, por meio da redução de taxas, da aprovação dos projetos de lei do Seguro Rural e da renegociação de dívidas rurais no país, que tramitam no Congresso Nacional.
“Primeiro, buscamos um novo recorde no nosso Plano Safra, mas com a consciência de que, mais importante do que assegurar um valor expressivo de recursos, é conseguir trabalhar com uma taxa compatível, que viabilize o acesso dos nossos produtores a esses recursos. Quero, com o apoio de todos, aprovar o projeto de lei do seguro rural, porque esse é um instrumento essencial para dar segurança ao produtor. Também estamos envolvidos nos esforços para aprovar uma nova proposta de renegociação de títulos rurais no país, garantindo fôlego e previsibilidade para o setor”, afirmou o ministro.
É compromisso do Governo Federal buscar soluções definitivas para os produtores rurais, conforme complementou Geraldo Alckmin. “Para quem está inadimplente e também para quem está adimplente, em ambos os casos haverá empenho na renegociação das dívidas. De outro lado, destaco a questão do seguro rural. É evidente que as mudanças climáticas criam uma insegurança muito maior. Há, sim, necessidade de integração e apoio, dentro do rigor fiscal que o governo precisa ter, para melhorarmos o seguro rural”, acrescentou.
O ministro André de Paula reforçou a importância da parceria institucional e da abertura ao diálogo com o setor produtivo. “Sei que o sucesso que possamos alcançar depende muito da parceria e da capacidade de estabelecer diálogo com as associações, entidades e parlamentares”, disse.
Ele também destacou a relevância estratégica do agro para o país. “Sobre a minha responsabilidade recaiu liderar um setor que é orgulho do Brasil, responsável por 25% do nosso PIB e por 49% da pauta de exportações do país”, concluiu.
AGRISHOW
Uma das principais feiras do agronegócio da América Latina, a Agrishow ocorre anualmente em Ribeirão Preto (SP) e reúne produtores rurais, empresas de máquinas e equipamentos, fornecedores de insumos, startups e instituições do setor para apresentar novidades, fechar negócios e discutir tendências do agro. É vista como uma grande vitrine de inovação para o campo, onde são lançados tratores, colheitadeiras, sistemas de irrigação, soluções de agricultura de precisão, armazenagem, conectividade e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e da eficiência.
O presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, destacou que a feira representa mais do que inovação tecnológica, sendo também um símbolo da força e da resiliência do setor. “O mundo espera que o Brasil aumente a oferta de alimentos em 40% até 2050. Isso não é apenas uma pressão, é uma oportunidade soberana”, disse.
Além disso, reforçou que a edição de 2026 da feira demonstra a confiança do produtor no futuro e a capacidade do setor de aliar tecnologia, sustentabilidade e produtividade.
Em 2025, a feira recebeu cerca de 197 mil visitantes e movimentou R$ 14,6 bilhões em negócios.
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