AGRONEGÓCIO

BNDES amplia crédito rural e projeta até R$ 70 bilhões na safra 25/26

O crédito rural ganhou novo impulso nesta semana com a decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de colocar R$ 15,3 bilhões adicionais à disposição dos produtores dentro do Plano Safra 2025/2026. A medida reforça a estratégia do banco de sustentar o fluxo de financiamento ao campo em um cenário de custos elevados e necessidade crescente de investimento produtivo.

Do volume anunciado, R$ 10,4 bilhões serão direcionados à agricultura empresarial, enquanto R$ 4,9 bilhões atenderão produtores da agricultura familiar, ampliando o alcance das linhas oficiais de crédito ao longo do ciclo agrícola.

Com esse reforço, o BNDES acumula R$ 30,8 bilhões já desembolsados no primeiro semestre da safra, considerando tanto recursos equalizados do Plano Safra quanto operações realizadas com recursos próprios da instituição. Apenas entre julho e dezembro, foram mais de 105 mil operações indiretas, que somaram R$ 26,4 bilhões, concentradas principalmente em linhas de investimento.

Outro destaque é o avanço do BNDES Crédito Rural, modalidade com juros livres e recursos próprios, que respondeu por R$ 4,4 bilhões em contratações até agora, sinalizando uma maior diversificação das fontes de financiamento no campo.

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Para o segundo semestre da safra, até junho de 2026, ainda restam R$ 20,1 bilhões disponíveis para contratação dentro das linhas equalizáveis do Plano Safra, sendo mais da metade destinada à agricultura empresarial, segmento que concentra a maior parte dos investimentos estruturantes.

No planejamento da safra 2025/26, o banco recebeu R$ 39,7 bilhões em recursos equalizáveis do governo federal. Uma mudança na regra de execução permitiu que R$ 24,1 bilhões fossem utilizados ainda no primeiro semestre do ciclo, dividindo a aplicação dos subsídios em dois períodos e garantindo previsibilidade orçamentária ao Plano Safra.

A expectativa do BNDES é encerrar a safra com até R$ 70 bilhões desembolsados. Desse total, quase R$ 40 bilhões virão de linhas com equalização — R$ 26,3 bilhões para médios e grandes produtores e R$ 13,4 bilhões para a agricultura familiar — além de R$ 30,3 bilhões ofertados via crédito com recursos próprios e taxas livres.

A leitura do banco é que o crédito seguirá concentrado em investimentos, modernização produtiva e sustentabilidade, mantendo o setor agropecuário como um dos principais vetores de crescimento da economia brasileira ao longo de 2025 e 2026.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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