NACIONAL
Prêmio Anísio Teixeira marca os 75 anos da Capes
Uma celebração às trajetórias que transformaram a sociedade por meio do conhecimento. Assim foi realizada mais uma cerimônia de entrega do Prêmio Anísio Teixeira, um dos mais altos reconhecimentos concedidos pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O evento, realizado na quarta-feira, 1º de julho, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional, aconteceu em um ano especial, que marca os 75 anos da Fundação.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, foi representado na cerimônia pelo secretário-executivo do MEC, Rodolfo Cabral. Ao homenagear os agraciados, o secretário-executivo destacou o legado de Anísio Teixeira, idealizador da Capes e defensor da integração entre a Educação Superior e a Educação Básica. Ressaltou que os 20 premiados representam a excelência da ciência, da educação e do compromisso com o desenvolvimento do país, tendo em vista suas contribuições em diversas áreas do conhecimento e da gestão pública. Por fim, manifestou o reconhecimento do Estado brasileiro às trajetórias que fortaleceram a pesquisa, a inovação e a educação, mesmo diante de períodos de adversidade.
“A todos os senhores e senhoras, manifesto o mais profundo reconhecimento do Estado brasileiro. As trajetórias de cada uma e cada um asseguraram a continuidade do desenvolvimento científico e pedagógico em períodos de adversidades. E a isso, somos extremamente gratos”, disse Cabral
Durante a solenidade, a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, ressaltou a importância histórica da formação de recursos humanos qualificados para o desenvolvimento do Brasil e parabenizou a comunidade acadêmica pelos avanços conquistados nas últimas décadas.
“Na década de 1950, quando a Capes e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) foram criados, já era evidente que a formação de capital humano com domínio do conhecimento científico e tecnológico era uma condição indispensável para o desenvolvimento econômico e social e para o fortalecimento da soberania nacional”, destacou.
A premiação homenageia o legado de Anísio Teixeira, educador considerado um dos principais defensores da educação pública, democrática e de qualidade no Brasil. Primeiro dirigente da Capes, o intelectual teve papel decisivo na consolidação das políticas nacionais de educação e na valorização da formação de professores e pesquisadores.
Autoridades – Além de um diploma, os homenageados receberam simbolicamente a estatueta “Singularidade do Saber”, obra concebida pelo artista pernambucano Wellington Genuíno Dourado, estudante vinculado ao mestrado nacional profissional em Ensino de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Também esteve presente na celebração o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo Cruz, que deu um testemunho como ex-bolsista da Fundação. “Celebrar os 75 anos da Capes é reconhecer que essa instituição ajudou a construir o nosso país, e eu sou prova disso, bolsista de mestrado e doutorado com muito orgulho”, agradeceu.
A solenidade recebeu, ainda, Nina Santos, neta do geógrafo, cientista e escritor Milton Santos (1926-2001), agraciado com o Prêmio Anísio Teixeira, em 2006, e homenageado pelo centenário de seu nascimento neste ano.
A professora Nilma Lino Gomes ficou responsável por proferir o discurso em nome dos agraciados de 2026 e fez uma fala em defesa da educação pública, da ciência e da democracia.
“Há homenagens que reconhecem uma trajetória; outras, além de reconhecerem uma trajetória, renovam uma responsabilidade”, observou a homenageada. “A educação é um direito, a produção do conhecimento é uma lei pública, e a democracia é a condição que torna ambas possíveis. Esse encontro de trajetórias possui um significado que ultrapassa as nossas histórias individuais”, ressaltou.
Na solenidade, também foram reconhecidos os agraciados da edição de 2016, na categoria Educação Básica, que compareceram à cerimônia, na ocasião, em protesto à situação política. Segundo o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Carlos Roberto Jamil Cury – orador do grupo – a época da edição do último prêmio foi um período marcado por “problemas com a democracia no país”. Cury destacou ainda as contribuições do patrono do prêmio para a relação indissociável entre a educação e a democracia.
“Anísio Teixeira foi escudo e espada. Escudo por haver defendido a educação pública de acusações injustas e improcedentes. Espada por defender, de forma brilhante, a relação indissociável entre educação e democracia”, afirmou Carlos Roberto Jamil Cury. “Nossa geração também teve de ser escudo contra a censura, a autocensura e a violência contra o Estado de Direito. E teve de ser espada, em favor do retorno da democracia, da redução das desigualdades e da valorização da educação como instrumento de transformação social”, correlacionou.
Confira a lista completa dos contemplados com o Prêmio Anísio Teixeira:
Educação Superior
- Ana Mae Barbosa: uma das pioneiras no campo da arte-educação no Brasil. Possui uma trajetória dedicada à educação e à pesquisa, sendo criadora do primeiro programa de pós-graduação em Arte-Educação do país.
- Débora Foguel: possui uma carreira dedicada à educação, pesquisa e gestão universitária. Foi pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UFRJ e participou da comissão de elaboração do Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) 2025-2030.
- Arlindo Philippi Junior: atuou expressivamente na pós-graduação da USP. Publicou 68 artigos científicos em periódicos qualificados, 178 capítulos de livros e 54 livros publicados e/ou organizados, além de ter sido agraciado com três Prêmios Jabuti.
- Dalila Andrade Oliveira: reconhecida por suas contribuições aos estudos sobre o trabalho docente e por sua expressiva produção científica no campo das políticas educacionais, atuando também junto ao CNPq.
- Josicélia Dumet Fernandes: professora emérita e titular da Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Contribuiu para a consolidação da formação stricto sensu nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
- Marilena de Souza Chaui: uma das mais relevantes filósofas brasileiras, com trajetória amplamente reconhecida por distinções nacionais e internacionais, acumulando quatro Prêmios Jabuti em sua carreira.
- Dermeval da Hora Oliveira: desenvolve pesquisas nas áreas de Fonologia e Sociolinguística Variacionista, com foco no português falado, tendo exercido a função de coordenador da Área de Linguística e Literatura da Capes.
- Keti Tenenblat: pesquisadora de excelência com contribuições significativas para a Geometria Diferencial. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Matemática e integrou comitês estratégicos do CNPq e da Capes.
- Lydia Massako Ferreira: atuou no fortalecimento da formação de residentes e na implantação de laboratórios de cultura de células em Cirurgia Plástica, além de colaborar por décadas em comissões de avaliação da Capes.
- Rita de Cássia Barradas Barata: uma das principais referências brasileiras no campo da Saúde Coletiva, com relevante contribuição à formação, à capacitação e ao aperfeiçoamento de profissionais em âmbito nacional e internacional.
Educação Básica
- Maria Carmen Freire Diógenes Rêgo: atuou na formação de professores e na construção de currículos inovadores para a primeira infância, com ampla produção bibliográfica que integra educação, saúde e tecnologia.
- Edileuza Fernandes da Silva: atua com compromisso na formação de professores, na gestão educacional e na formulação de políticas públicas voltadas à garantia do direito à educação com qualidade e equidade.
- Maria Beatriz Moreira Luce: orientada pelos princípios da modernização e da democratização do ensino, exerceu papel de destaque no desenvolvimento da educação superior e nos processos de avaliação institucional.
- Márcia Ângela da Silva Aguiar: com sólida produção acadêmica nas áreas de políticas educacionais e gestão escolar, atualmente exerce a presidência da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).
- Helena Costa Lopes de Freitas: foi presidente da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (Anfope), consolidando-se como referência na defesa de uma formação docente sólida e crítica.
- Nilma Lino Gomes: atua no fortalecimento da educação antirracista e na formação docente. Integrou a Câmara de Educação Básica do CNE e exerceu o cargo de ministra da Igualdade Racial.
- Luiz Fernandes Dourado: atua com impacto na organização dos sistemas educacionais e na formulação de políticas públicas, com destaque para a defesa permanente da formação de professores.
- Jaqueline Moll: referência em defesa da Educação Integral, participou da criação da Cátedra Unesco Cidade que Educa e Transforma, da qual preside a Assembleia de Delegados.
- Gersem Baniwa: tem atuação decisiva na criação e no fortalecimento de programas de formação inicial e continuada de docentes indígenas, promovendo propostas pedagógicas que articulam saberes tradicionais e científicos.
- Gilmar Pereira da Silva: conduz agendas ligadas aos direitos humanos, às questões ambientais e ao enfrentamento do racismo ambiental, com forte contribuição estratégica para o desenvolvimento da educação na região Norte.
Edição 2016
- Carlos Roberto Jamil Cury: autor de relevantes contribuições ao direito à educação e à legislação educacional, tendo presidido a Câmara de Educação Básica do CNE e a Capes, além de atuar como professor emérito da UFMG.
- Dermeval Saviani: criador da Pedagogia Histórico-Crítica, possui contribuições fundamentais ao pensamento educacional brasileiro, sendo professor emérito da Unicamp e pesquisador emérito do CNPq.
- Magda Becker Soares: revolucionou o ensino da língua portuguesa no país ao integrar a aprendizagem do sistema de escrita às práticas sociais de leitura e escrita nos estudos sobre alfabetização e letramento.
- Bernardete Angelina Gatti: atuação de destaque na pesquisa, na pós-graduação e na formulação de políticas públicas de avaliação educacional, com funções estratégicas na Fundação Carlos Chagas, na Capes e no CNPq.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Capes
Fonte: Ministério da Educação
NACIONAL
MEC amplia prazo de participação no Diagnóstico de Equidade Racial
O Ministério da Educação (MEC) ampliou o prazo de participação no Diagnóstico Equidade 2026. Agora, redes estaduais e municipais de ensino terão até o dia 15 de julho para preenchimento e envio das informações. O Diagnóstico faz parte da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq) e está disponível no módulo Pneerq do Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec). Até o momento, 89% dos questionários foram enviados (totalizando 4.967 municípios e 23 estados); 2% de preenchimento em andamento e 8% de questionários não foram iniciados.
O Diagnóstico tem o objetivo de mapear os avanços e desafios das redes na implementação da Lei nº 10.639/2003, alterada pela Lei nº 11.645/2009, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas.
O mapeamento busca subsidiar políticas públicas voltadas à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nas escolas. O diagnóstico também tem a proposta de monitorar a implementação da educação para as relações étnico-raciais (Erer), da educação escolar quilombola (EEQ) e da educação escolar indígena (EEI) nas redes públicas de ensino de todo o Brasil.
Os eixos do diagnóstico estão organizados em dez dimensões temáticas: fortalecimento do marco legal; formação de gestores e profissionais da educação; gestão educacional; materiais didáticos e paradidáticos; currículo; financiamento; indicadores, avaliação e monitoramento; gestão democrática e mecanismos de participação social; educação escolar quilombola; e educação escolar indígena.
Pneerq – A Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola, criada pela Portaria nº 470/2024, objetiva implementar ações e programas educacionais voltados à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nos ambientes de ensino, bem como à promoção da política educacional para a população quilombola.
São compromissos dessa política: estruturar um sistema de metas e monitoramento; assegurar a implementação do art. 26-A da Lei nº 9.394/1996; formar profissionais da educação para gestão e docência no âmbito da educação para relações étnico-raciais (Erer) e da educação escolar quilombola (EEQ); induzir a construção de capacidades institucionais para a condução das políticas de Erer e EEQ nos entes federados; reconhecer avanços institucionais de práticas educacionais antirracistas; contribuir para a superação das desigualdades étnico-raciais na educação brasileira; consolidar a modalidade educação escolar quilombola, com implementação das Diretrizes Nacionais; e implementar protocolos de identificação e resposta ao racismo nas escolas (públicas e privadas).
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi
Fonte: Ministério da Educação
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