MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Solenidade de posse de Ana Luiza Peterlini será nesta quinta (11)
A solenidade de posse da procuradora de Justiça Ana Luiza Avila Peterlini de Souza será realizada nesta quinta-feira (11), às 10h, no auditório da Procuradora-Geral de Justiça, em Cuiabá. A cerimônia terá transmissão ao vivo pelo canal do MPMT no YouTube.A nova procuradora de Justiça foi promovida no dia 5 de maio de 2026, pelo critério de merecimento. Ela assumirá a 18ª Procuradoria de Justiça Cível. A promoção foi concedida por unanimidade, em razão da presença dela por três vezes na lista tríplice.Ana Luiza Peterlini ingressou no Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) em 1995 e construiu uma trajetória marcada pela atuação na defesa do meio ambiente e dos interesses difusos e coletivos. Desde 2005, exerce atividades exclusivamente voltadas à proteção ambiental. Graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), em 1993, é especialista em Direito Processual Civil, Interesses Difusos e Coletivos pela Universidade de Cuiabá (2005). Em 2019, concluiu mestrado em Estudos Latino-Americanos, com especialização em Conservação e Desenvolvimento de Florestas Tropicais, pela Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.Ao longo da carreira, também ocupou funções estratégicas na gestão ambiental. Foi secretária de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso entre 2015 e 2016, período em que integrou o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e presidiu o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema-MT). Em 2020, atuou como coordenadora do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do MPMT.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Promotora do MPMT defende tese sobre feminicídio
A promotora de Justiça Lindinalva Correia Rodrigues apresenta, nesta sexta-feira (12), sua tese de doutorado intitulada “Eles não param de matar: o feminicídio como exercício de soberania sobre o corpo feminino em face da ineficiência do Estado contemporâneo”. A defesa pública será realizada às 9h, no auditório da Sede das Promotorias de Justiça, em Cuiabá, reunindo membros do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), comunidade acadêmica e convidados.Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o trabalho é fruto de mais de duas décadas de atuação profissional e pesquisa da promotora na área de enfrentamento à violência contra a mulher. A investigação analisa a persistência dos altos índices de feminicídio no Brasil e propõe uma reflexão crítica sobre as limitações da atuação estatal diante desse fenômeno.A pesquisa parte do pressuposto de que o feminicídio não pode ser compreendido apenas como crime comum, mas como expressão de uma dinâmica de poder que se estabelece sobre o corpo feminino. Nesse contexto, a autora sustenta que, diante de falhas estruturais do Estado, o agressor passa a exercer uma espécie de “soberania doméstica”, criando ambientes em que a violência se perpetua sem a devida intervenção preventiva.Para fundamentar a análise, a tese dialoga com importantes referências teóricas, como os conceitos de “necropolítica”, de Achille Mbembe; “pedagogias da crueldade”, de Rita Segato; e “vida nua”, de Giorgio Agamben. A partir desses aportes, o estudo propõe a existência de um “estado de exceção de gênero” no ambiente doméstico, onde mulheres em situação de vulnerabilidade acabam desprovidas de proteção eficaz.O trabalho adota metodologia baseada em triangulação epistêmica e análise de dados estatísticos, com foco no estado de Mato Grosso no período de 2024 a 2026. A pesquisa também aborda a interseccionalidade, considerando fatores como raça e identidade de gênero, com destaque para a realidade de mulheres negras e casos de transfeminicídio.Ao revisitar casos emblemáticos de violência contra a mulher no Brasil, o estudo evidencia que a persistência do feminicídio está associada não apenas a falhas pontuais, mas a uma estrutura que permite a reprodução da violência. Nesse sentido, a autora conclui que o enfrentamento efetivo exige o fortalecimento de políticas públicas e a construção de uma justiça com perspectiva de gênero, voltada à prevenção e à proteção das vítimas.Durante a apresentação, foi destacada a relevância do tema para o Ministério Público e para a sociedade, especialmente diante dos desafios ainda existentes na implementação de mecanismos de proteção, mesmo com o arcabouço legal proporcionado pela Lei Maria da Penha (2006) e pela Lei do Feminicídio (2015).A trajetória da promotora Lindinalva Correia Rodrigues, marcada pela atuação pioneira na aplicação da Lei Maria da Penha, contribuiu para a construção de uma pesquisa que alia rigor acadêmico e vivência prática.“A investigação emerge de um lugar de fala situado: o de uma pesquisadora que testemunhou o impacto devastador da violência letal contra a mulher e a dificuldade de o sistema de justiça romper com a gestão da morte, sem a concretização de políticas públicas de acolhimento, informação, prevenção e reeducação”, destaca a promotora de Justiça.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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