CRISE NA EDUCAÇÃO
Abílio contra-ataca e diz que Amauri Monge tinha autonomia; investigação dos livros começou há 90 dias – veja entrevista
Prefeito afirma que ex-secretário era responsável pelos contratos da Educação e diz que apuração interna começou ainda em janeiro após suspeitas de irregularidades
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), subiu o tom nesta quinta-feira (28) ao comentar as investigações envolvendo supostas irregularidades na compra de materiais didáticos da Secretaria Municipal de Educação e afirmou que o então secretário da pasta, Amauri Monge, possuía autonomia administrativa para conduzir contratos e ordenar despesas dentro da gestão.
Durante entrevista à imprensa, Abilio afirmou que a investigação interna começou há cerca de 90 dias, no dia 28 de janeiro, e que a administração municipal decidiu aprofundar as apurações antes de tornar o caso público.
Segundo o prefeito, somente após surgirem indícios considerados graves é que a denúncia passou a ser tratada de maneira mais aberta pela gestão.
“O secretário é ordenador de despesas e possui autonomia para fazer contratos”, declarou Abilio ao comentar a atuação de Amauri Monge à frente da Secretaria de Educação.
A fala foi interpretada nos bastidores como uma tentativa clara do prefeito de delimitar responsabilidades dentro da estrutura administrativa da Prefeitura de Cuiabá e evitar que o desgaste político do caso recaia diretamente sobre o gabinete do Executivo.
A crise ganhou força após denúncias envolvendo compras de materiais didáticos e possíveis inconsistências em contratos ligados à Educação municipal. O caso passou a movimentar os bastidores políticos da Capital e abriu uma nova frente de desgaste para a administração municipal.
Abilio também afirmou que não participou diretamente das negociações investigadas e reforçou que os procedimentos administrativos da pasta eram conduzidos pela própria Secretaria de Educação.
Nos bastidores, aliados do prefeito avaliam que a estratégia agora será demonstrar que a investigação partiu da própria gestão municipal, numa tentativa de sustentar o discurso de transparência e combate a possíveis irregularidades internas.
O caso envolvendo a Educação já é tratado como uma das maiores crises políticas da atual gestão e deve aumentar a pressão por esclarecimentos, auditorias e responsabilizações dentro da Prefeitura de Cuiabá nas próximas semanas.
Veja o video
CUIABÁ
Base e oposição protocolam CPIs para investigar suposto rombo de R$ 80 milhões na Educação de Cuiabá
Câmara Municipal recebe dois pedidos de CPI após denúncias de irregularidades em contratos de livros, materiais didáticos e compras da Secretaria de Educação
A crise envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá ganhou novos desdobramentos políticos nesta quinta-feira (28) após vereadores da base aliada e da oposição protocolarem pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um suposto rombo de R$ 80 milhões denunciado pelo prefeito Abilio Brunini (PL).
Os requerimentos foram apresentados um dia após a gestão municipal revelar suspeitas de irregularidades em contratos ligados à compra de materiais didáticos, livros e outros insumos pedagógicos durante a administração do ex-secretário Amauri Monge.
O primeiro pedido foi protocolado pelo vereador Demilson Nogueira (PP), integrante da base do prefeito. Poucos minutos depois, a vereadora Maysa Leão (Republicanos), da oposição, também apresentou um requerimento próprio para investigação dos contratos da Educação.
Os dois pedidos ultrapassaram o número mínimo de assinaturas necessárias para instalação da CPI, aumentando ainda mais a pressão política sobre a Prefeitura e sobre ex-integrantes da Secretaria Municipal de Educação.
No requerimento apresentado por Demilson, o parlamentar pede a instauração da chamada “CPI da Educação” por um período inicial de 120 dias, com objetivo de investigar possíveis irregularidades, fraudes, sobrepreços, direcionamentos contratuais e danos ao erário envolvendo contratos administrativos, licitações, adesões a atas e compras de materiais pedagógicos.
O documento também cita denúncias envolvendo livros produzidos com uso de inteligência artificial e comercializados por cerca de R$ 800 a unidade, situação que, segundo o vereador, pode indicar desperdício de recursos públicos e eventual superfaturamento.
Já o pedido protocolado pela vereadora Maysa Leão amplia o escopo da investigação e busca apurar contratos, aquisições, reformas, fornecimentos e prestações de serviços vinculados à Secretaria Municipal de Educação entre os anos de 2021 e 2026.
A oposição também quer investigar denúncias relacionadas à precariedade das escolas municipais, atraso na entrega de uniformes, ausência de climatização adequada nas unidades de ensino e possíveis incompatibilidades entre os valores contratados e a estrutura encontrada nas escolas da Capital.
Nos bastidores, a abertura simultânea de pedidos de CPI por vereadores da base e da oposição foi interpretada como um sinal de que o escândalo da Educação ultrapassou barreiras partidárias e passou a gerar preocupação generalizada dentro da Câmara Municipal.
A crise teve início após o prefeito Abilio Brunini afirmar que a própria gestão identificou indícios de ilegalidades na Secretaria de Educação e que uma investigação interna já vinha sendo conduzida há cerca de 90 dias.
Com a oficialização dos pedidos de CPI, a tendência é de que o caso se transforme em uma das maiores crises políticas da atual legislatura, ampliando o desgaste da gestão municipal e elevando a pressão por responsabilizações administrativas e políticas nos próximos meses.
Fonte: olhar direto
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