MATO GROSSO

Seduc promove ações de prevenção à violência sexual com foco na proteção de estudantes no próximo mês

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) desenvolverá, ao longo do mês de maio, uma série de ações nas escolas da Rede Estadual voltadas à campanha Maio Laranja, dedicada à prevenção e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A data de referência da mobilização é o 18 de maio, instituída no calendário oficial como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

As atividades serão conduzidas pelas equipes de mediação escolar, com abordagem voltada à informação, à orientação e ao fortalecimento da rede de proteção no ambiente escolar. A proposta é capacitar a comunidade escolar a reconhecer sinais de violência, a saber como agir diante de suspeitas e a compreender os caminhos corretos para a notificação dos casos.

Além do trabalho direto com estudantes, professores, gestores e famílias, a Seduc também busca reforçar a articulação com o Sistema de Garantia de Direitos, que envolve órgãos e instituições responsáveis pela proteção integral de crianças e adolescentes. A escola, nesse contexto, atua como espaço de escuta, acolhimento e encaminhamento, sem substituir as atribuições legais dos órgãos competentes.

As ações seguem as diretrizes previstas em legislações nacionais que tratam da proteção de crianças e adolescentes, entre elas, a Lei nº 9.970/2000, que instituiu o 18 de maio como data nacional de enfrentamento à violência sexual; a Lei nº 14.432/2022; a Lei nº 11.691/2022; e a Lei nº 14.811/2024, que fortalece medidas de proteção no ambiente escolar e amplia o olhar sobre violências praticadas contra esse público.

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A campanha Maio Laranja dá continuidade ao trabalho realizado pela Seduc em abril, quando as escolas desenvolveram atividades de prevenção e combate ao bullying e ao cyberbullying. As ações buscaram ampliar o diálogo sobre as diferentes formas de violência no contexto escolar, com atenção à convivência, ao pertencimento e à participação da comunidade na construção de ambientes mais seguros.

Segundo Patrícia Carvalho, do Núcleo de Mediação Escolar, com a mudança de tema em maio, o foco passa a ser uma violência muitas vezes silenciosa, que exige preparo, sensibilidade e responsabilidade de todos os adultos que convivem com crianças e adolescentes. “A orientação às escolas é tratar o assunto com seriedade, sem alarmismo, garantindo informação adequada e proteção às possíveis vítimas”, pondera.

Ela reforça que a mobilização também reforça o papel da escola como uma das portas de entrada para a rede de proteção. Professores, gestores e servidores, por estarem próximos da rotina dos estudantes, podem perceber alterações de comportamento, sinais de sofrimento ou situações que mereçam atenção. “Quando isso ocorre, o encaminhamento correto faz diferença”, completa Patrícia Carvalho.

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De acordo com a secretária de Estado de Educação, Flávia Emanuelle, a campanha Maio Laranja ganha força quando deixa de ser apenas uma data no calendário e entra na rotina da escola como uma conversa possível, responsável e protegida.

“Ao preparar profissionais para identificar sinais, acolher relatos e acionar os canais adequados, a Seduc ajuda a reduzir o espaço do silêncio, que muitas vezes favorece a permanência da violência. E o resultado mais importante desse tipo de ação nem sempre aparece de imediato. Ele se constrói quando uma criança entende que pode pedir ajuda, quando um professor sabe como agir, quando a gestão escolar não minimiza um sinal e quando a rede de proteção responde de forma articulada. A confiança dentro da escola é fortalecida e aproxima a comunidade de uma responsabilidade que precisa ser compartilhada”, conclui.

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

Beatificação de Padre Nazareno transforma Jauru em novo destino de peregrinação religiosa

Lágrimas, orações, cânticos e manifestações de fé marcaram a manhã histórica de sábado (13.6), em Jauru, na cerimônia que oficializou a beatificação do padre Nazareno Lanciotti. Sob o sol forte do oeste mato-grossense, milhares de fiéis permaneceram por horas acompanhando a celebração de beatificação do missionário italiano, assassinado em 2001, reconhecido agora pela Igreja Católica como mártir da fé. Nem o calor intenso diminuiu a emoção de quem aguardava há mais de duas décadas por esse momento.

A celebração reuniu mais de 80 caravanas de diversas regiões de Mato Grosso e de outros Estados, além de autoridades civis e religiosas. Estiveram presentes o governador Otaviano Pivetta, secretários de Estado, parlamentares e representantes da Igreja Católica de várias partes do Brasil. O momento mais aguardado ocorreu quando o cardeal Dom João Braz de Aviz, enviado do Vaticano para representar o Papa Leão XIV, leu a carta apostólica que oficializou a beatificação.

“Concedemos que o venerável servo de Deus, Nazareno Lanciotti, mártir, missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano, seja doravante chamado Beato”, declarou o cardeal diante da multidão.

Mais do que um marco religioso, a cerimônia abriu uma nova perspectiva para Jauru. Com a beatificação, a cidade passa a integrar o mapa dos destinos de peregrinação católica e pode se consolidar como um importante polo de turismo religioso em Mato Grosso.

A expectativa da Igreja é que o fluxo de visitantes aumente nos próximos anos. Hoje, Jauru já recebe peregrinos atraídos pela história do padre Nazareno, pelo Movimento Sacerdotal Mariano e pelos locais ligados à sua trajetória. Com o reconhecimento oficial da Igreja, esse movimento tende a se intensificar.

Para o padre Diogo Monteiro, da Arquidiocese de Cuiabá, a beatificação coloca definitivamente o município no cenário nacional do turismo religioso.

“Jauru já era um lugar de peregrinação. Todos os anos, os fiéis vinham por causa da história do padre Nazareno e da espiritualidade mariana. Agora, com a beatificação e com as relíquias do beato preservadas aqui, a tendência é que esse movimento cresça ainda mais”, afirmou.

Segundo ele, muitas pessoas que chegaram para a cerimônia nunca haviam visitado a cidade. “A beatificação colocou Jauru e também Mato Grosso no cenário do turismo religioso. Muita gente está conhecendo a cidade pela primeira vez e descobrindo toda a história construída aqui”, disse.

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Os locais ligados ao beato já formam uma espécie de roteiro de fé para os visitantes. Entre eles estão a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, onde está a urna com os restos mortais do beato; o Memorial Beato Nazareno Lanciotti; o Santuário Imaculado Coração de Maria; o Hospital Nossa Senhora do Pilar; o Lar dos Velhinhos Imaculado Coração de Maria; além da Sala do Martírio, do bosque e de outros espaços que preservam sua memória.

A transformação de Jauru em destino de peregrinação encontra respaldo na própria história do sacerdote italiano que chegou à região na década de 1970. Durante quase três décadas, padre Nazareno permaneceu na mesma paróquia, dedicando-se não apenas à evangelização, mas também à criação de obras sociais, projetos educacionais e ações voltadas ao atendimento dos mais vulneráveis.

O cardeal Dom João Braz de Aviz destacou que a relevância do reconhecimento vai além do aspecto religioso.

“Se a gente olha Jauru quando ele chegou e o que é hoje, pode notar não apenas o crescimento da Igreja, mas também o crescimento humano e social proporcionado por ele. Basta ver as obras sociais que ficaram”, afirmou.

O legado permanece vivo na memória dos moradores que conviveram com o sacerdote. Um deles é Adilson Barbosa dos Santos, conhecido como Pio, que foi coroinha do padre Nazareno e hoje atua como ministro da Igreja Católica.

Visivelmente emocionado ao lembrar do antigo pároco, ele recordou a convivência iniciada ainda na infância.

“Tudo o que existe aqui na igreja, o asilo, tantas obras, têm a marca dele. Ele doou a vida por essa cidade. Eu fui coroinha do padre Nazareno e depois recebi dele o convite para ser ministro. Foi um sonho realizado.”

Para Pio, a beatificação representa também uma oportunidade de desenvolvimento para Jauru.

“Eu acredito que a cidade deu um grande passo. O padre Nazareno fez muito por nós e creio que Jauru vai crescer ainda mais com esse reconhecimento.”

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Entre os milhares de fiéis presentes estava a controladora interna Bárbara Nathalia Nogueira Garnica Rocha, que visitou Jauru pela primeira vez especialmente para acompanhar a cerimônia.

“A figura do padre Nazareno nos mostra que a devoção mariana nos leva a amar ainda mais Jesus Cristo. Estar aqui hoje é muito significativo. É um evento grandioso, o primeiro desse tipo em Mato Grosso, acontecendo praticamente no quintal de casa”.

Embora a beatificação represente a conclusão de uma etapa importante, para a Igreja ela também pode ser o início de um novo caminho. O próximo passo possível é a canonização, que transformaria o beato em santo.

Rumo à santificação

Amigo da família Lanciotti e autor de um livro sobre sua trajetória, o italiano Ivaldo Riva acompanha o processo há anos e acredita que a devoção popular ao beato será fundamental para essa nova fase.

Ele próprio atribui ao padre Nazareno uma experiência que considera milagrosa. Após sofrer uma hemorragia cerebral e passar por uma cirurgia complexa em 2017, disse ter recorrido à intercessão do sacerdote.

“A emoção de todo esse processo está ligada a essa experiência que vivi. Sempre acreditei na santidade do padre Nazareno”, contou.

Segundo ele, a beatificação foi construída não apenas por documentos e investigações, mas também pela fé das pessoas que mantiveram viva a memória do sacerdote durante mais de duas décadas.

“Uma coisa que sempre me impressionou foi perceber que já existia um culto popular. As pessoas vinham rezar, visitar o túmulo, manter viva a lembrança dele. Isso foi muito importante para a beatificação.”

Agora, a expectativa é que a devoção cresça ainda mais. Se um milagre for oficialmente reconhecido pelo Vaticano por intercessão do beato Nazareno Lanciotti, o missionário que dedicou a vida a Jauru poderá dar o próximo passo rumo aos altares da Igreja Católica, transformando a cidade que escolheu para viver e morrer em um dos mais importantes centros de peregrinação religiosa do Centro-Oeste brasileiro.

Fonte: Governo MT – MT

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