AGRONEGÓCIO
Brasil participa pela primeira vez da feira Alimentaria e amplia conexões comerciais no mercado europeu
O Brasil participou, pela primeira vez, da feira Alimentaria, uma das principais feiras internacionais dos setores de alimentos, bebidas e gastronomia, realizada de 23 a 26 de março, em Barcelona, na Espanha. A participação brasileira marcou a estreia do país no evento e integrou a estratégia de promoção internacional dos produtos do agronegócio brasileiro.
A ação foi coordenada pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI). No Pavilhão Brasil, foram apresentados produtos como açaí, café, cachaça, molhos e alimentos termoprocessados, elaborados a partir de matérias-primas da agropecuária brasileira.
Ao longo dos quatro dias de feira, o espaço brasileiro registrou grande fluxo de visitantes, indicando o interesse do público internacional pela diversidade de produtos do agro brasileiro e abrindo perspectivas para negócios e expansão comercial na região.
A presença na Alimentaria integra o calendário de ações internacionais voltadas à promoção comercial do setor. Ao reunir potenciais compradores, fornecedores e representantes de diferentes mercados, feiras internacionais aproximam empresas de canais de distribuição, fortalecem a imagem dos produtos brasileiros no exterior e ajudam a identificar novas oportunidades de negócios.
Vale destacar que a participação do Brasil na feira também ocorreu em um momento de maior aproximação comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Com o avanço do acordo entre os dois blocos, cresce a expectativa de mais oportunidades para os produtos brasileiros no mercado europeu. Em 2025, a União Europeia foi o segundo principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, com US$ 25,2 bilhões, valor 8,6% superior ao registrado em 2024.
Sobre a Alimentaria
Voltada ao público profissional, a Alimentaria é uma das principais feiras internacionais dos setores de alimentos, bebidas e food service, reunindo empresas, compradores e representantes da cadeia de distribuição de diversos países. Em 2026, o evento reuniu cerca de 110 mil visitantes e mais de 3.300 expositores.
Informação à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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