TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Mestrado em Direitos Fundamentais reúne magistrados e debate instituições e democracia na Esmagis

Nesta quinta e sexta-feira (5 e 6 de fevereiro), magistrados que cursam o “Mestrado em Direitos Fundamentais e Democracia” participam, na sede da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), da disciplina presencial “Instituições, Democracia e Processo Decisório”, com o professor Bruno Meneses Lorenzetto, acadêmico com experiência internacional.

Doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Lorenzetto é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Direito do Centro Universitário Autônomo do Brasil (UniBrasil) e atuou como Visiting Scholar na prestigiada Columbia Law School, nos Estados Unidos.

Segundo o professor, a disciplina foi pensada para aproximar teoria e prática judicial. “É uma disciplina que se propõe a discutir justamente o conjunto das instituições e os processos decisórios”, afirmou. Segundo ele, o tema dialoga diretamente com a magistratura. “A gente pode pensar processos decisórios de uma forma bastante abrangente, tomamos decisões ao longo do dia, enfim, mas tem especificidade das decisões dentro do âmbito do Judiciário”. Nesta edição, a turma trabalha especialmente a ideia de justiça a partir da obra Esferas da Justiça, de Michael Walzer.

Na parte teórica, Lorenzetto enfatizou a importância das instituições para o Estado Democrático de Direito. “O autor que a gente está trabalhando fala da importância de um conjunto de instituições. Instituições robustas são, sem dúvida, fundamentais para o Estado Democrático de Direito”, afirmou. Embora reconheça que a gente nunca vai chegar ao ideal almejado, o professor ressalta que é possível construir “um conjunto de respostas adequadas, dentro de uma democracia, para as demandas que são apresentadas perante o Estado”. Nesse contexto, lembrou que, no Brasil, “felizmente temos instituições que garantem o acesso à justiça, nas suas várias concepções possíveis. A porta do Judiciário é fundamental para, justamente, atender a esse conjunto de demandas da sociedade”.

Ainda segundo ele, o papel do professor é mediar um conjunto de questões que são trazidas, como o caso recente do cachorro Orelha, até questões também técnicas, ressaltando que “qualquer questão técnica envolve uma dimensão também política”. Por fim, Lorenzetto destacou o impacto da experiência acadêmica na atuação prática dos magistrados. “A contribuição que acaba ocorrendo para os magistrados, dentre as diferentes disciplinas que eles vão ter acesso ao longo do mestrado, está nesse sentido de uma atualização da parte de debates sobre jurisdição e assim por diante, mas também essas questões mais clássicas da ideia de justiça, o que é justiça, como decidir de forma justa”, avaliou.

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Ele ressaltou que esse diálogo deve se refletir nas dissertações, uma contribuição, em última instância, para a sociedade. “Tem uma série de problemas bastante concretos e burocráticos que eles enfrentam no dia a dia, que também podem ser objeto desse momento, que é o espaço acadêmico. De você parar, refletir, ver quais escolhas você está tomando, quais decisões estão sendo feitas. As instituições que a gente possui são fruto de um conjunto de decisões que foram tomadas, em algum momento, por alguém, e um conjunto de ideias que moveram essas decisões, então isso se reflete também em relação ao judiciário”, afirmou.

Para ele, o programa de mestrado está em sintonia com o debate global. “De tudo que eu tenho acompanhado em diferentes países que a gente acabou frequentando, o programa não está perdendo em relação a nenhum outro lugar. Todos os tópicos e temas que estão sendo debatidos contemporaneamente nesses outros países acabam também por se fazer presentes aqui.”

Ao comentar o convênio entre Esmagis-MT e UniBrasil, o professor ressaltou a centralidade da formação continuada e do diálogo. “A ideia de formação é contínua. A gente vai estar sempre buscando se atualizar, ler o que tem de mais relevante, novo e assim por diante. Esse convênio da Esmagis com UniBrasil é uma oportunidade muito rica, porque o conhecimento é construído de uma forma dialógica”, disse. “A gente aprende muito com os estudantes e a gente também tem uma série de questões que a gente traz para eles refletirem de forma conjunta”, acrescentou, agradecendo a decisão de firmar a parceria, voltada a “qualificar os magistrados para discutir essas questões contemporâneas”.

Mulher em primeiro plano, em ambiente de sala de aula, usando blusa com estampa em tons terrosos e cabelos soltos na altura dos ombros. Ao fundo, aparecem outros participantes sentados e um quadro branco, indicando um contexto acadêmico ou de formaçãoO entusiasmo dos participantes reforça a relevância da iniciativa conjunta entre Esmagis-MT e UniBrasil. Para a juíza Suzana Guimarães Ribeiro, da Segunda Turma Recursal, o mestrado representa a chance de ampliar horizontes e revisitar temas que o cotidiano da magistratura nem sempre permite explorar. “Quando nos foi oferecido, através da Esmagis, essas vagas de mestrado pela Unibrasil, o que me motivou foi o desejo de estudar outras matérias e sair do conforto, buscar novos conhecimentos, conhecimento de outras áreas do direito que a gente comumente não tem acesso”, afirmou. Para ela, o impacto é direto na prestação jurisdicional: “Quem ganha é o jurisdicionado, porque qualifica, especialmente nós, juízes mais antigos, e nos dá a oportunidade de voltar a estudar outras matérias e trazer mais qualificação ao nosso trabalho”.

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Homem sentado em cadeira de sala de aula ou auditório, com postura atenta e levemente inclinada para trás. Usa camisa de manga longa em tom escuro e relógio no pulso. Uma das mãos está próxima ao queixo, em gesto de reflexão, enquanto ele acompanha a atividade. O juiz Flávio Maldonado de Barros, titular do 6º Juizado Especial da Capital, destacou o aprofundamento teórico proporcionado pelo curso. “Vim angariar conhecimento qualificado. O mestrado busca um aprofundamento nos temas e aqui envolve muita discussão sobre direitos fundamentais, democracia”, explicou. Ele ressaltou que temas sensíveis, como liberdade de expressão, exigem constante atualização:

“O nosso material de trabalho é conhecimento. E o conhecimento é algo que você deve constantemente estar aprimorando, reciclando”. Para Maldonado, investir na formação acadêmica dos magistrados gera reflexos diretos na sociedade: “Proporcionar uma qualificação desse quilate significa qualificar o profissional. E qualificando o profissional da magistratura, em primeira mão, nós teremos material para a nossa atividade final e toda a população é agraciada com isso”.

Próximos encontros

A atividade pedagógica é fruto de uma cooperação técnica entre o Poder Judiciário de Mato Grosso, a Esmagis-MT e o Centro Universitário UniBrasil, reforçando o compromisso com a formação continuada e a especialização de magistrados e profissionais do Direito no estado.

Ainda em fevereiro, ocorrerão outros encontros, desta vez de maneira on-line (Microsoft Teams), nos dias 20 e 27, das 18h às 22h.

A agenda segue com novos encontros presenciais em março: 5 e 6, e 19 e 20, das 8h às 18h, na sede da Esmagis.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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