POLÍTICA NACIONAL
Representação brasileira analisa na terça acordo entre Mercosul e União Europeia
A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul analisa na terça-feira (10), a partir das 10h, o acordo de livre comércio entre o bloco sul-americano e a União Europeia, assinado em janeiro.
Os 10 senadores e os 27 deputados federais que integram o grupo devem votar o relatório do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), atual presidente da representação — que é um órgão do Congresso Nacional.
O acordo prevê que ambos os blocos devem implementar um amplo compromisso de liberalização tarifária em setores industriais e agrícolas, eliminando ou reduzindo gradualmente tarifas de importação e exportação de diversos produtos e serviços.
Se o texto for aprovado, o acordo tomará a forma de um projeto de decreto legislativo e será enviado para a análise da Câmara e do Senado.
Mercosul
Para beneficiar o Mercosul, o texto determina que a União Europeia terá de eliminar ou reduzir tarifas de importação sobre uma série de bens, especialmente produtos agrícolas e agroindustriais.
Algumas tarifas serão zeradas imediatamente. É o caso das carnes bovinas brasileiras de alta qualidade vendidas para a Europa (dentro da Cota Hilton, limitada em 10 mil toneladas para o Brasil). Hoje, a tarifa europeia é de 20%. As informações são do documento do governo federal “Factsheet: Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia”.
União Europeia
Para beneficiar a União Europeia, cerca de 91% dos bens europeus vendidos ao Brasil seriam beneficiados com a redução de tributos sul-americanos, o que seria implementado em períodos que vão de 4 a 15 anos.
Essa transição, no que se refere ao setor automotivo será de: 18 anos para carros elétricos; 25 anos para carros movidos a hidrogênio; e 30 anos para novas tecnologias.
Exceções e salvaguardas
Produtos considerados sensíveis e estratégicos ficaram de fora do acordo, o que engloba 9% dos bens importados pelo Brasil atualmente. As compras realizadas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) não serão afetadas.
Além disso, os parlamentares do bloco europeu criaram salvaguardas que podem proteger seus agricultores da competição sul-americana.
O texto prevê que, caso um dos blocos adote medidas que prejudiquem o acordo, a outra parte poderá buscar soluções amigáveis e até suspender obrigações. Segundo o governo, isso protegerá os exportadores brasileiros.
Para a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o Brasil precisará regulamentar a Lei de Reciprocidade para ter segurança contra alterações unilaterais.
Impostos
No Brasil, o governo federal deixaria de arrecadar os seguintes valores em impostos sobre produtos e serviços europeus: R$ 683 milhões em 2026, R$ 2,5 bilhões em 2027 e R$ 3,7 bilhões em 2028.
“A redução de receita certamente será compensada com o acesso ao mercado europeu e a novos investimentos […] A União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de bens de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2025”, destacou o governo brasileiro em mensagem presidencial.
De acordo o Executivo brasileiro, as economias dos países do Mercosul e da União Europeia somam US$ 22,4 trilhões de dólares em produto interno bruno (PIB).
“É um dos maiores acordos bilaterais de livre comércio do mundo. É uma sinalização em favor do comércio internacional. Juntos, Mercosul e União reúnem cerca de 718 milhões de pessoas”, ressalta o governo.
Outros impactos
A expectativa do governo é que a parceria desenvolva outras áreas, como:
- geração de empregos;
- desenvolvimento sustentável;
- proteção trabalhista;
- transparência pública;
- solução de controvérsias;
- regulação sanitárias, fitossanitárias, subsídios, compras governamentais e propriedade intelectual.
Parlamentares do Mercosul
A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul reúne senadores e deputados federais indicados pelos líderes partidários para atuarem como parlamentares do Parlasul (o Parlamento do bloco).
Entre as atividades dessa representação estão reuniões em Montevidéu e a análise preliminar de tratados internacionais (antes de serem votados nas Casas Legislativas, por exemplo).
O Parlasul não votará o acordo. O órgão acompanhou as negociações com uma comissão temporária. O texto passa a valer no Brasil se o Congresso Nacional e o Parlamento Europeu o aprovarem, independentemente da posição dos outros países.
Tramitação
A expectativa é que os deputados federais votem o texto diretamente no Plenário da Câmara até o fim de fevereiro. E que os senadores avaliem o documento na Comissão de Relações Exteriores (CRE) e em Plenário até a segunda semana de março. As informações são do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que articulou um grupo de trabalho para acompanhar o acordo.
Nelsinho é presidente da CRE e vice-presidente da Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Em debate na Câmara, especialistas apontam desafios ambientais e econômicos da transição energética
Em seminário promovido por três comissões da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), especialistas apresentaram sugestões ambientais e econômicas para a gradual substituição dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, diretamente ligados ao aquecimento do planeta. De forma geral, defenderam uma transição energética com metas anuais, prazos vinculantes e fundos para garantir justiça climática.
No aspecto político, a coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, Carolina Marçal, destacou que o Brasil precisa superar contradições na condução do tema.
“Ao mesmo tempo em que o Brasil tem se colocado como um líder climático global e tem de fato exercido um papel importante nesse sentido, a gente vê uma expansão da indústria fóssil e de frentes de exploração inclusive em lugares emblemáticos, como na Margem Equatorial e em outras regiões”, salientou.
Analista do WWF Brasil, Ricardo Fuji mostrou impactos da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, com elevado custo social e risco de emissão de 446 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. Segundo ele, o quadro seria bem diferente se o investimento fosse direcionado à produção de eletricidade limpa e biocombustíveis.
“Com aquele mesmo investimento de R$ 32 milhões na Foz do Amazonas, daria para instalar um parque e linhas de transmissão para gerar eletricidade renovável”, exemplificou.
Derivados do petróleo
Os especialistas também discutiram o cenário geopolítico que impacta no preço internacional dos derivados de petróleo. Só nos primeiros 50 dias da atual guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, a indústria petrolífera lucrou 150 bilhões de dólares, segundo a 350.org Brasil, organização global pelo fim dos combustíveis fósseis.
Outro dado revela que 2/3 da população mundial vivem em países que importam petróleo e, obviamente, tiveram aumento no custo de vida durante essa guerra.
O diretor da organização 350.org no Brasil, João Cerqueira, lembrou que o setor é altamente subsidiado no mundo inteiro. Ele pediu aos parlamentares a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que proíbe novos subsídios ao carvão, além da rejeição de outra proposta (PL 1371/25) que mantém esses subsídios até 2050 no Brasil.
Um dos organizadores do debate, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) defendeu a atual estratégia do governo federal no enfrentamento da crise. “Quero ressaltar o papel do governo brasileiro diante dessa crise em curso. Foi a ação política, e não a ação de mercado, que posicionou o Brasil em um lugar melhor do que o de outras nações. Ou seja: não é o livre mercado que vai dar o tom de como nós vamos alcançar e fazer essa travessia para uma transição justa sobre a questão energética.”

Conta de luz
Também houve debates em torno dos impactos da política energética na conta de luz. Representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Leandro Moreira citou esforços para redução do peso dos subsídios custeados pela tarifa energética. Um deles é o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26), em análise na Câmara.
Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, sugeriu foco do país em planejamento, financiamento e estratégia industrial de longo prazo, sobretudo diante das novas opções de exploração mineral e energética.
“Nós não podemos sair da dependência fóssil para uma nova dependência tecnológica e material. Por isso, agendas como a de minerais críticos estratégicos precisam ser tratadas como agendas industriais, com agregação de valor e considerando rastreabilidade, circularidade e salvaguardando padrões socioambientais robustos”, defendeu Bruna Targino.
O seminário na Câmara foi promovido pelas Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
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