CUIABÁ

Vereadora cobra ampliação de delegacias e ações mais eficazes contra a violência à mulher

Débora Inácio – Assessoria vereadora Michelly Alencar 

“Por trás de cada número há uma mulher, uma mãe, uma filha, uma história interrompida pela violência”.  Foi com essa reflexão que a vereadora Michelly Alencar (União Brasil) abriu seu pronunciamento na tribuna da Câmara Municipal de Cuiabá, na terça-feira (14), ao abordar um dos temas mais urgentes e recorrentes de sua atuação parlamentar: o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio.
A manifestação ocorreu após mais um caso registrado na capital no último domingo, quando uma mulher de 47 anos foi vítima de tentativa de feminicídio no bairro Ribeirão do Lipa. O agressor, ex-companheiro da vítima e monitorado por tornozeleira eletrônica, foi preso.
“Esse caso aconteceu muito próximo da minha casa. Mais uma mulher que quase morreu pelas mãos de um ex-companheiro. A tentativa era matar. E esse é só mais um caso. Toda semana temos relatos de feminicídios ou tentativas em Mato Grosso”, afirmou Michelly.
A parlamentar lembrou que, por dois anos consecutivos, Mato Grosso liderou o ranking nacional de feminicídios, reforçando que não se pode tratar essas estatísticas como números frios ou naturalizados. “Estamos falando de vidas que foram ceifadas, de famílias destruídas, de crianças que ficaram órfãs. Não podemos aceitar que isso se torne comum”, declarou.
Michelly destacou ainda a importância de políticas públicas efetivas e comemorou o anúncio do aumento de 500% no orçamento do governo estadual destinado à prevenção da violência contra a mulher para 2026, dentro da Lei Orçamentária Anual (LOA).
“Esse aumento é um passo importante. Mostra uma visão de quem realmente quer proteger as mulheres e cuidar das pessoas. Mas não basta ter orçamento: precisamos garantir que esses recursos sejam aplicados com eficiência”, pontuou.
A vereadora defendeu a ampliação do atendimento 24 horas nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher em Cuiabá e cidades vizinhas.
“É inadmissível que, com índices tão altos de violência, uma cidade como Várzea Grande, por exemplo, ainda não tenha uma delegacia especializada funcionando em tempo integral. Muitas mulheres chegam emocionalmente abaladas, intimidadas, e não encontram o acolhimento adequado. Isso precisa mudar”, cobrou.
Michelly reforçou que continuará ocupando a tribuna sempre que necessário para dar voz às mulheres vítimas de violência.
“As nossas ações, enquanto vereadoras, podem parecer pequenas, mas representam vozes que cobram justiça e políticas públicas mais eficazes. Cada número representa uma mulher, uma história, uma vida”, concluiu.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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CUIABÁ

Prefeito suspende por decreto aprovação de lotes abaixo de 200 m² e medida vai parar na Justiça

Especialista em Direito Imobiliário e Diretor Jurídico do CRECI/MT, afirma que prefeito não pode suspender efeitos de lei municipal por ato do Executivo

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou decreto suspendendo, por tempo indeterminado, a aprovação de novos projetos de loteamento e desmembramento que prevejam lotes com menos de 200 m² e frente inferior a 10 metros. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município que circulou na quinta-feira (25) e já é alvo de uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade proposta pelo MDB, atendendo solicitação o Pré Candidato a Deputado Federal, CLAUDECIR CONTTREIRA.

O Decreto nº 12.169/2026 determina que a Prefeitura deixe de analisar, emitir diretrizes e aprovar projetos que não atendam aos novos parâmetros até que entre em vigor uma nova legislação urbanística municipal. Na prática, ficam suspensas aprovações que hoje são permitidas pela Lei Complementar nº 389/2015, que estabelece área mínima de 180 m² para os lotes.

Embora o decreto afirme que a lei continua em vigor e que a suspensão tem caráter temporário, a medida impede a aplicação prática da legislação vigente aos processos em andamento e aos novos pedidos protocolados no município.

A constitucionalidade do decreto é contestada pelo advogado especialista em Direito Imobiliário e Direito Condominial, Miguel Zaim. Segundo ele, o prefeito não pode, por decreto, restringir a eficácia de uma norma aprovada pelo Poder Legislativo.

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“À primeira vista, eu vejo que esse decreto é inconstitucional. O prefeito não pode legislar por decreto ou suspender a eficácia de uma norma que está em vigor. Para alterar essa regra é necessária outra lei, debatida e aprovada pela Câmara Municipal”, afirmou.

Na avaliação do especialista, a administração municipal extrapolou sua competência administrativa ao editar um ato que, na prática, modifica a aplicação da legislação urbanística.

“O prefeito é chefe do Poder Executivo e exerce função administrativa. Se pretende alterar os parâmetros definidos em lei, deve encaminhar um projeto ao Legislativo. Não pode retirar a eficácia de uma norma em vigor por meio de decreto”, disse.

Miguel Zaim também afirma que a mudança tende a provocar impactos econômicos no mercado imobiliário e no acesso da população à moradia.

Segundo ele, a exigência de terrenos maiores reduz o número de lotes que podem ser implantados em cada empreendimento, aumentando os custos de produção e, consequentemente, o preço final dos imóveis.

“Vai encarecer os terrenos, dificultar o acesso à moradia para as famílias de menor renda e também afastar investimentos. Outras cidades de Mato Grosso adotam lotes mínimos de 180 m² justamente para ampliar o acesso à habitação de forma organizada e urbanizada”, afirmou.

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O advogado acrescenta que o aumento da metragem mínima também pode elevar o valor dos financiamentos habitacionais e reduzir a competitividade de Cuiabá em relação a outros municípios, tendo em vista que as grandes construtoras deverão desistir de investimentos na capital.

Ação na Justiça

A legalidade do decreto também será analisada pelo Judiciário. O MDB ingressou com uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade questionando a medida adotada pelo prefeito.

Entre os argumentos apresentados está o de que o Executivo teria “inovado” na ordem jurídica por meio de decreto, criando restrições não previstas na legislação municipal e suspendendo, de forma indireta, os efeitos de uma lei que permanece vigente.

Anteriormente, no início de maio, Abilio chegou a encaminhar o projeto à Câmara de Vereadores, em regime de urgência, para aplicar as novas medições.

No entanto, o Executivo pediu o projeto de volta, suspendendo a tramitação, para novas discussões sobre o assunto. Ainda não há previsão para que a proposta cumpra o rito legal e seja votada pelos vereadores.

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