AGRONEGÓCIO
Proibição de queimadas agrícolas vai até o fim de outubro por risco extremo
O governo de São Paulo decidiu manter suspensas até 31 de outubro todas as autorizações de queima controlada no estado, em razão do agravamento da seca e do aumento das temperaturas. A restrição atinge desde a queima de palha da cana-de-açúcar até práticas fitossanitárias utilizadas no controle de pragas e doenças.
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), a prorrogação da medida busca conter o avanço de incêndios em áreas agrícolas e florestais, que voltaram a crescer nas últimas semanas com o tempo mais seco e ventos intensos. Durante o período de suspensão, nenhuma nova autorização será emitida, e os pedidos em andamento permanecem bloqueados até nova avaliação.
Os alertas meteorológicos acenderam o sinal vermelho no interior paulista: cidades como Araçatuba, Bauru e Presidente Prudente ultrapassaram os 38 °C, enquanto Santos e Ribeirão Preto registraram as maiores temperaturas do ano. A Defesa Civil estadual classificou o risco de fogo como “crítico” em quase todo o território.
A decisão tem caráter preventivo e se apoia no histórico recente de incêndios — em 2024, o estado enfrentou um dos períodos mais secos e quentes da década, com aumento nas queimadas e na poluição atmosférica. O governo reforça que o uso do fogo para colheita da cana vem sendo gradualmente substituído por mecanização e manejo sustentável, reduzindo a prática em quase 99% desde 2007, segundo a Cetesb.
Com a estiagem prolongada, a orientação às usinas e produtores é adotar métodos alternativos de preparo e limpeza de áreas, como trituradores e compostagem, além de acionar os canais de denúncia e emergência ambiental em caso de fumaça ou focos de incêndio.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos
A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).
O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.
Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.
No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.
A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.
Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.
Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.
Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.
A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.
Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.
O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.
Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.
Serviço
VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)
Fonte: Pensar Agro
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