MATO GROSSO

Sema e UFMT lançam livro sobre a biodiversidade do Parque Estadual do Xingu

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) lançarão o livro “Parque Estadual do Xingu: biodiversidade, recursos naturais, importância ecológica e socioambiental” nesta sexta-feira (19.9).

A obra aborda a importância ecológica e histórica da Unidade de Conservação e foi viabilizada por meio de um Termo de Cooperação Técnica firmado com a UFTM para realizar pesquisas em Unidades de Conservação como forma de aprimorar conhecimentos e auxiliar na confecção e atualização do Plano de Manejo. A publicação contou com o apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

“A Sema e a UFMT uniram esforços para realizar o levantamento e a catalogação das espécies da fauna e da flora do Parque Estadual do Xingu. Os conhecimentos compilados nesta obra servirão como fonte de informação para o meio acadêmico e a sociedade, além de subsidiar ações de educação ambiental, conservação de biodiversidade e políticas públicas voltadas à gestão do Parque Estadual do Xingu”, cita a Secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, no prefácio da publicação.

Flora

Entre as grandes novidades que a pesquisa trouxe está a de cinco espécies de orquídeas que foram registradas pela primeira vez em Mato Grosso e Centro-Oeste, entre as 49 espécies registradas de 26 gêneros no Parque. Também houve dois novos registros para Mato Grosso de samambaias e licófitas, entre as 52 encontradas na Unidade de Conservação.

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Sobre as briófitas, que são o segundo maior grupo de plantas terrestres, foram reconhecidas 64 espécies, sendo a maior parte de musgo. Sete das espécies estão sendo referidas pela primeira vez na região Centro-Oeste.

As lianas, que são componentes importantes nas comunidades florestais, contribuindo com a funcionalidade dos ecossistemas, também estão entre as plantas pesquisadas. Foram identificaras 63 espécies em estado fértil, abrangendo 48 gêneros e 21 famílias botânicas ao longo de estradas, trilhas e margens de rios na Unidade de Conservação.

Fauna

Armadilhas de garrafa pets em trilhas do parque capturaram 249 abelhas entre 2021 e 2022. No Parque Estadual do Xingu, que está em uma área de transição entre cerrado e a floresta amazônica, também foram coletados mais de 2 mil indivíduos de 120 espécies de besouros utilizando métodos diferentes em 6 expedições diferentes.

Entre os animais inventariados pela primeira vez no local estão as formigas, que são insetos que compõe um papel fundamental nas florestas tropicais e fazem parte de diversas cadeias de interação com outros animais e plantas. Foram encontradas 55 diferentes gêneros de formigas de diversas espécies sendo que algumas nunca foram antes analisados no estado de Mato Grosso.

O estudo aponta também para grande diversidade de borboletas. Entre 2021 e 2023 foram registradas 1517 indivíduos pertencentes a 151 espécies.

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Por meio de armadilhas fotográficas e transecto lineares (método de amostragem usado em ecologia para estimar a densidade e abundância de populações de animais ou plantas), foram registrados 29 mamíferos de médio e grande porte, incluindo 9 espécies ameaçadas de extinção.

Nove riachos foram analisados em período tanto de seca como de cheia, encontrando 46 espécies de peixes. Quanto a aves foram identificadas 363 espécies distribuídas em 69 famílias, sendo 17 inseridas em alguma categoria de ameaça a extinção.

Outro animal que fez parte da pesquisa foi o morcego, que é reconhecido como necessário para o funcionamento adequado dos ecossistemas naturais e compreender a sua diversidade é importante para políticas públicas de conservação. No parque foram registradas 10 espécies diferentes.

Parque Estadual do Xingu

O Parque Estadual do Xingu está localizado no município de Santa Cruz do Xingu, no nordeste de Mato Grosso. A Unidade de Conservação foi criada pelo Decreto Estadual nº 3585, de 7 de dezembro de 2001 e teve seus limites alterados através da Lei Estadual nº 8.054, de 29 de dezembro de 2003, passando a abranger uma área total de 95.024,84 hectares.

SERVIÇO:

Lançamento do livro: Parque Estadual do Xingu: biodiversidade, recursos naturais, importância ecológica e socioambiental

DIA: 19/9 – sexta-feira

HORA: 9H

LOCAL: auditório Arne Sucksdorff – Sema MT

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

Beatificação de Padre Nazareno transforma Jauru em novo destino de peregrinação religiosa

Lágrimas, orações, cânticos e manifestações de fé marcaram a manhã histórica de sábado (13.6), em Jauru, na cerimônia que oficializou a beatificação do padre Nazareno Lanciotti. Sob o sol forte do oeste mato-grossense, milhares de fiéis permaneceram por horas acompanhando a celebração de beatificação do missionário italiano, assassinado em 2001, reconhecido agora pela Igreja Católica como mártir da fé. Nem o calor intenso diminuiu a emoção de quem aguardava há mais de duas décadas por esse momento.

A celebração reuniu mais de 80 caravanas de diversas regiões de Mato Grosso e de outros Estados, além de autoridades civis e religiosas. Estiveram presentes o governador Otaviano Pivetta, secretários de Estado, parlamentares e representantes da Igreja Católica de várias partes do Brasil. O momento mais aguardado ocorreu quando o cardeal Dom João Braz de Aviz, enviado do Vaticano para representar o Papa Leão XIV, leu a carta apostólica que oficializou a beatificação.

“Concedemos que o venerável servo de Deus, Nazareno Lanciotti, mártir, missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano, seja doravante chamado Beato”, declarou o cardeal diante da multidão.

Mais do que um marco religioso, a cerimônia abriu uma nova perspectiva para Jauru. Com a beatificação, a cidade passa a integrar o mapa dos destinos de peregrinação católica e pode se consolidar como um importante polo de turismo religioso em Mato Grosso.

A expectativa da Igreja é que o fluxo de visitantes aumente nos próximos anos. Hoje, Jauru já recebe peregrinos atraídos pela história do padre Nazareno, pelo Movimento Sacerdotal Mariano e pelos locais ligados à sua trajetória. Com o reconhecimento oficial da Igreja, esse movimento tende a se intensificar.

Para o padre Diogo Monteiro, da Arquidiocese de Cuiabá, a beatificação coloca definitivamente o município no cenário nacional do turismo religioso.

“Jauru já era um lugar de peregrinação. Todos os anos, os fiéis vinham por causa da história do padre Nazareno e da espiritualidade mariana. Agora, com a beatificação e com as relíquias do beato preservadas aqui, a tendência é que esse movimento cresça ainda mais”, afirmou.

Segundo ele, muitas pessoas que chegaram para a cerimônia nunca haviam visitado a cidade. “A beatificação colocou Jauru e também Mato Grosso no cenário do turismo religioso. Muita gente está conhecendo a cidade pela primeira vez e descobrindo toda a história construída aqui”, disse.

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Os locais ligados ao beato já formam uma espécie de roteiro de fé para os visitantes. Entre eles estão a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, onde está a urna com os restos mortais do beato; o Memorial Beato Nazareno Lanciotti; o Santuário Imaculado Coração de Maria; o Hospital Nossa Senhora do Pilar; o Lar dos Velhinhos Imaculado Coração de Maria; além da Sala do Martírio, do bosque e de outros espaços que preservam sua memória.

A transformação de Jauru em destino de peregrinação encontra respaldo na própria história do sacerdote italiano que chegou à região na década de 1970. Durante quase três décadas, padre Nazareno permaneceu na mesma paróquia, dedicando-se não apenas à evangelização, mas também à criação de obras sociais, projetos educacionais e ações voltadas ao atendimento dos mais vulneráveis.

O cardeal Dom João Braz de Aviz destacou que a relevância do reconhecimento vai além do aspecto religioso.

“Se a gente olha Jauru quando ele chegou e o que é hoje, pode notar não apenas o crescimento da Igreja, mas também o crescimento humano e social proporcionado por ele. Basta ver as obras sociais que ficaram”, afirmou.

O legado permanece vivo na memória dos moradores que conviveram com o sacerdote. Um deles é Adilson Barbosa dos Santos, conhecido como Pio, que foi coroinha do padre Nazareno e hoje atua como ministro da Igreja Católica.

Visivelmente emocionado ao lembrar do antigo pároco, ele recordou a convivência iniciada ainda na infância.

“Tudo o que existe aqui na igreja, o asilo, tantas obras, têm a marca dele. Ele doou a vida por essa cidade. Eu fui coroinha do padre Nazareno e depois recebi dele o convite para ser ministro. Foi um sonho realizado.”

Para Pio, a beatificação representa também uma oportunidade de desenvolvimento para Jauru.

“Eu acredito que a cidade deu um grande passo. O padre Nazareno fez muito por nós e creio que Jauru vai crescer ainda mais com esse reconhecimento.”

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Entre os milhares de fiéis presentes estava a controladora interna Bárbara Nathalia Nogueira Garnica Rocha, que visitou Jauru pela primeira vez especialmente para acompanhar a cerimônia.

“A figura do padre Nazareno nos mostra que a devoção mariana nos leva a amar ainda mais Jesus Cristo. Estar aqui hoje é muito significativo. É um evento grandioso, o primeiro desse tipo em Mato Grosso, acontecendo praticamente no quintal de casa”.

Embora a beatificação represente a conclusão de uma etapa importante, para a Igreja ela também pode ser o início de um novo caminho. O próximo passo possível é a canonização, que transformaria o beato em santo.

Rumo à santificação

Amigo da família Lanciotti e autor de um livro sobre sua trajetória, o italiano Ivaldo Riva acompanha o processo há anos e acredita que a devoção popular ao beato será fundamental para essa nova fase.

Ele próprio atribui ao padre Nazareno uma experiência que considera milagrosa. Após sofrer uma hemorragia cerebral e passar por uma cirurgia complexa em 2017, disse ter recorrido à intercessão do sacerdote.

“A emoção de todo esse processo está ligada a essa experiência que vivi. Sempre acreditei na santidade do padre Nazareno”, contou.

Segundo ele, a beatificação foi construída não apenas por documentos e investigações, mas também pela fé das pessoas que mantiveram viva a memória do sacerdote durante mais de duas décadas.

“Uma coisa que sempre me impressionou foi perceber que já existia um culto popular. As pessoas vinham rezar, visitar o túmulo, manter viva a lembrança dele. Isso foi muito importante para a beatificação.”

Agora, a expectativa é que a devoção cresça ainda mais. Se um milagre for oficialmente reconhecido pelo Vaticano por intercessão do beato Nazareno Lanciotti, o missionário que dedicou a vida a Jauru poderá dar o próximo passo rumo aos altares da Igreja Católica, transformando a cidade que escolheu para viver e morrer em um dos mais importantes centros de peregrinação religiosa do Centro-Oeste brasileiro.

Fonte: Governo MT – MT

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