MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Rede de Enfrentamento oferece curso sobre violência doméstica

Em 2024, todos os dias, ao menos quatro mulheres morreram vítimas de feminicídio no Brasil. Os dados, divulgados pelo 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, evidenciam que a violência contra as mulheres segue sendo um dos grandes desafios enfrentados pelas políticas públicas brasileiras. Pensando nisso, o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra Mulheres da Comarca de Várzea Grande, iniciou neste mês a qualificação anual voltada a profissionais da educação da rede municipal de ensino. O promotor de Justiça da 6ª Promotoria Criminal de Várzea Grande, Marcelo Lucindo Araújo, destacou que o curso representa muito mais do que uma etapa de formação. Segundo ele, trata-se de uma ferramenta poderosa de preparação para proteger mulheres em situação de violência doméstica e familiar. “Sabemos que não é fácil lidar com esse tipo de situação. Mais do que técnica, ela exige empatia, sensibilidade e, acima de tudo, preparo. É exatamente isso que o curso proporciona, mais conhecimento, segurança para agir e uma compreensão ainda maior do nosso papel perante a sociedade”, afirmou. A primeira etapa da qualificação ocorreu no dia 9 de setembro (terça-feira), no auditório do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), e contou com duas aulas: “Tipos de violência e desigualdades de gênero no ambiente escolar”, ministrada por Tânia Matos, presidente da Associação Brasileira de Mulheres da Carreira Jurídica de MT (ABMCJ-MT), e “Princípios norteadores do atendimento de mulheres vítimas de violência”, conduzida pela analista assistente social do MPMT, Michelle Moraes Santos. Também participaram da abertura o professor doutor Peter Wilhelms, diretor da Área das Ciências Sociais Aplicadas do Univag; a professora mestre Danusa Balthazar de Andrade, coordenadora do curso de Direito do Univag; Tânia Matos, presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreira Jurídica de Mato Grosso (ABMCJ-MT) – triênio 2023/2026; Eva de Paulo Vieira Santos, subsecretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Várzea Grande; e a coronel Emirella Martins, chefe de gabinete da Prefeitura de Várzea Grande, representando a prefeita municipal. A iniciativa, que terá encontros mensais de setembro a novembro, tem como objetivo capacitar educadores(as) para atuar de forma assertiva diante de situações de violência no ambiente escolar. O curso aborda casos sensíveis, como revelações de crianças e adolescentes sobre agressões sofridas por suas responsáveis, relatos de familiares de alunos(as) em situação de violência doméstica e situações envolvendo servidoras da própria comunidade escolar. Ao todo, 150 profissionais da rede municipal de educação de Várzea Grande participaram da primeira etapa. Etapa seguinte – O próximo encontro será realizado de forma online no dia 29 de setembro de 2025, com a aula “O espaço escolar na prevenção das desigualdades de gênero”, ministrada pelo professor de Sociologia da UFMT e integrante da Rede de Frente de Barra do Garças, Luis Antonio Bitante Fernandes. Estagiária escreve sob a supervisão da jornalista Ana Luíza Anache.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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FloreSer alcança 1.286 alunos e muda percepção de jovens sobre violência

O projeto FloreSer finalizou, na última semana, as rodas de conversa na Escola Estadual Professor Welson Mesquita, localizada no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá. Entre março e abril, 284 estudantes participaram das atividades, que abordaram temas relacionados à violência doméstica e familiar, incluindo machismo, misoginia, abuso nas relações e suas consequências, que podem culminar em diferentes formas de violência contra mulheres e meninas, inclusive o feminicídio.No mesmo período, o projeto contemplou 1.286 estudantes de escolas públicas e privadas da capital. Entre os resultados observados, destaca-se o fato de que os alunos passaram a reconhecer sinais de abuso, manipulação, controle e ciúme em seus relacionamentos, antes frequentemente naturalizados.Também foram realizados atendimentos e esclarecimentos individuais, além de relatos de alunas que, após as discussões, compartilharam situações vivenciadas por elas ou por familiares, recebendo orientações sobre as medidas cabíveis. Houve, ainda, intervenção direta junto a professoras em situação de violência doméstica, com os devidos encaminhamentos e suporte. As rodas de conversa foram realizadas simultaneamente em turmas com cerca de 25 estudantes por sala.A temática “Violência nas relações afetivas adolescentes: como reconhecer e enfrentar” é trabalhada por profissionais do Núcleo de Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar – Espaço Caliandra, do Ministério Público, inserida no eixo da prevenção primária. A iniciativa busca conscientizar os jovens sobre os diversos tipos de violência, evitando sua reprodução nas relações afetivas, além de promover mudanças comportamentais e fomentar uma cultura de respeito às mulheres.Estudante da Escola Welson Mesquita, João Paulo Gonçalves Nascimento, de 16 anos, participou pela primeira vez de uma roda de conversa sobre violência contra mulheres e meninas e avaliou positivamente a experiência. “Isso ajuda a evitar conflitos e problemas no futuro. Já tive um relacionamento que não deu certo. Se eu soubesse dessas coisas antes, talvez tivesse sido diferente”, relatou.Para ele, compreender as relações envolve respeitar a parceira, seus espaços, limites e escolhas. “Mesmo que você não goste de uma pessoa, é preciso respeitar”, afirmou.A colega de classe, Valquíria Bernardes, também de 16 anos, estudante do 2º ano C, compartilhou uma experiência pessoal, destacando como o ciúme afetou seu relacionamento. “Eu proibia ele de falar com algumas amigas antigas. Antes, eu pensava que amiga de homem era só mãe e namorada. Com o tempo, percebi que tanto mulheres quanto homens têm o direito de manter amizades”, refletiu.Segundo ela, discutir sinais de abuso nas relações ajuda os adolescentes a reconhecer comportamentos inadequados e contribui para a construção de relações mais saudáveis no futuro.A coordenadora pedagógica da escola, Maria Osvaldita da Silva, afirmou que o projeto possibilitou aos alunos uma compreensão mais ampla da violência contra a mulher, para além da forma física, incluindo também as dimensões psicológica, verbal e emocional. “Alguns estudantes relataram situações vivenciadas ou presenciadas, o que demonstra que o tema faz parte da realidade de muitos. Por isso, precisa ser tratado com responsabilidade e acolhimento no ambiente escolar”, avaliou.Ela também destacou mudanças percebidas após as rodas de conversa. “Muitos alunos relataram que não tinham clareza sobre o que caracteriza a violência e que, agora, conseguem identificar situações que antes consideravam ‘normais’. Outros ressaltaram a importância de ter um espaço seguro para dialogar sobre esses temas”, concluiu.A promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, coordenadora do projeto, destacou que o FloreSer foi pensado para as novas gerações. “Precisamos investir na educação, que é um pilar essencial para a mudança. A violência contra a mulher não é uma criminalidade comum, tampouco simples de ser enfrentada. Não depende apenas de leis ou punições, mas de uma integração entre todas as instituições. É fundamental que toda a sociedade atue de forma conjunta, tanto por meio de investimentos em segurança pública quanto em educação”, afirmou.Ainda nessa perspectiva, a promotora ressaltou que o Ministério Público atua em diferentes frentes de prevenção. “Buscamos a responsabilização dos agressores, mas também desenvolvemos projetos preventivos, especialmente nas escolas, com crianças e adolescentes. Além disso, é fundamental envolver os homens nesse debate. Não basta discutir apenas com as mulheres; é preciso que os homens compreendam sua responsabilidade, não apenas como possíveis agressores, mas como parceiros na promoção da prevenção e da conscientização. Eles também devem contribuir para disseminar a cultura da não violência e combater práticas sociais de misoginia que incentivam novas agressões”, completou.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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