CUIABÁ

Vereador articula reunião para implementação de Grupos Reflexivos em Cuiabá

Marcelo Borges – Assessoria do vereador Fellipe Corrêa&nbsp
Com o objetivo de diminuir a reincidência em casos de violência contra mulheres, a Secretária da Mulher de Cuiabá está discutindo a implementação de grupos reflexivos para homens que cumprem medidas protetivas por terem cometido algum tipo de violência contra mulheres. A proposta é do vereador Fellipe Corrêa (PL).
O parlamentar articulou um encontro na última quinta-feira (14) para troca de experiências entre a secretária da pasta, Tenente Coronel Hadassah Suzannah, e o ex-delegado geral da Polícia Civil de Mato Grosso e coordenador do grupo Papo de Homem pra Homem, Mário Aravechia.&nbsp
Durante a reunião, os gestores trocaram experiências sobre as estratégias necessárias para que os grupos tenham um trabalho efetivo. “A Polícia Civil já pratica o Papo de Homem pra Homem desde 2014, com mais efetividade após a celebração de um termo de cooperação com o Tribunal de Justiça desde 2021 quando obrigatoriamente homens com medidas protetivas na região metropolitana, principalmente Cuiabá, tem que obrigatoriamente os nossos grupos reflexivos”, disse o delegado.&nbsp
Para Hadassah, o encontro foi uma oportunidade de tirar dúvidas sobre qual a melhor forma de colocar a política pública em prática. “Hoje a reunião foi com o intuito de conhecer um pouquinho sobre como funciona os grupos reflexivos já executados pela Polícia Civil e tentar colocar essa proposta na realidade de Cuiabá. Para isso a gente já entendeu que precisamos levantar alguns dados junto ao sistema judiciário, a demanda desses homens, e vamos buscar entender também a capacidade que nós temos de fazer um trabalho preventivo dentro do município de Cuiabá”, afirmou.&nbsp
O vereador Fellipe está destinando R$ 250 mil em emenda parlamentar à Secretaria da Mulher para implementação da lei.
“Não podemos permitir que fique apenas no papel, como ficou na gestão passada. Com essa emenda, queremos garantir estrutura e capacitação para que os grupos reflexivos no município funcionem e alcancem o objetivo: reduzir a reincidência, proteger as mulheres cuiabanas e evitar que o ciclo da violência se repita com os filhos e filhas destes lares nas suas futuras famílias”, ressaltou Corrêa.
Em 2023, o parlamentar aprovou na Câmara a Lei 6.986 que institui os grupos na capital mato-grossense, entretanto, apesar de ter sancionado, o ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) nunca chegou a executar a política pública.
Com a chegada de Abilio Brunini (PL) e seu time de secretários ao Palácio Alencastro, o cenário é outro. Desde o primeiro semestre de 2025 a equipe da Secretaria da Mulher vem discutindo a execução da legislação.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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CUIABÁ

Prefeito suspende por decreto aprovação de lotes abaixo de 200 m² e medida vai parar na Justiça

Especialista em Direito Imobiliário e Diretor Jurídico do CRECI/MT, afirma que prefeito não pode suspender efeitos de lei municipal por ato do Executivo

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou decreto suspendendo, por tempo indeterminado, a aprovação de novos projetos de loteamento e desmembramento que prevejam lotes com menos de 200 m² e frente inferior a 10 metros. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município que circulou na quinta-feira (25) e já é alvo de uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade proposta pelo MDB, atendendo solicitação o Pré Candidato a Deputado Federal, CLAUDECIR CONTTREIRA.

O Decreto nº 12.169/2026 determina que a Prefeitura deixe de analisar, emitir diretrizes e aprovar projetos que não atendam aos novos parâmetros até que entre em vigor uma nova legislação urbanística municipal. Na prática, ficam suspensas aprovações que hoje são permitidas pela Lei Complementar nº 389/2015, que estabelece área mínima de 180 m² para os lotes.

Embora o decreto afirme que a lei continua em vigor e que a suspensão tem caráter temporário, a medida impede a aplicação prática da legislação vigente aos processos em andamento e aos novos pedidos protocolados no município.

A constitucionalidade do decreto é contestada pelo advogado especialista em Direito Imobiliário e Direito Condominial, Miguel Zaim. Segundo ele, o prefeito não pode, por decreto, restringir a eficácia de uma norma aprovada pelo Poder Legislativo.

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“À primeira vista, eu vejo que esse decreto é inconstitucional. O prefeito não pode legislar por decreto ou suspender a eficácia de uma norma que está em vigor. Para alterar essa regra é necessária outra lei, debatida e aprovada pela Câmara Municipal”, afirmou.

Na avaliação do especialista, a administração municipal extrapolou sua competência administrativa ao editar um ato que, na prática, modifica a aplicação da legislação urbanística.

“O prefeito é chefe do Poder Executivo e exerce função administrativa. Se pretende alterar os parâmetros definidos em lei, deve encaminhar um projeto ao Legislativo. Não pode retirar a eficácia de uma norma em vigor por meio de decreto”, disse.

Miguel Zaim também afirma que a mudança tende a provocar impactos econômicos no mercado imobiliário e no acesso da população à moradia.

Segundo ele, a exigência de terrenos maiores reduz o número de lotes que podem ser implantados em cada empreendimento, aumentando os custos de produção e, consequentemente, o preço final dos imóveis.

“Vai encarecer os terrenos, dificultar o acesso à moradia para as famílias de menor renda e também afastar investimentos. Outras cidades de Mato Grosso adotam lotes mínimos de 180 m² justamente para ampliar o acesso à habitação de forma organizada e urbanizada”, afirmou.

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O advogado acrescenta que o aumento da metragem mínima também pode elevar o valor dos financiamentos habitacionais e reduzir a competitividade de Cuiabá em relação a outros municípios, tendo em vista que as grandes construtoras deverão desistir de investimentos na capital.

Ação na Justiça

A legalidade do decreto também será analisada pelo Judiciário. O MDB ingressou com uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade questionando a medida adotada pelo prefeito.

Entre os argumentos apresentados está o de que o Executivo teria “inovado” na ordem jurídica por meio de decreto, criando restrições não previstas na legislação municipal e suspendendo, de forma indireta, os efeitos de uma lei que permanece vigente.

Anteriormente, no início de maio, Abilio chegou a encaminhar o projeto à Câmara de Vereadores, em regime de urgência, para aplicar as novas medições.

No entanto, o Executivo pediu o projeto de volta, suspendendo a tramitação, para novas discussões sobre o assunto. Ainda não há previsão para que a proposta cumpra o rito legal e seja votada pelos vereadores.

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