TECNOLOGIA
“Há uma decisão política clara de ampliar o financiamento no Nordeste”, afirma ministra
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, participou nesta terça-feira (10) do evento “Nordeste em Pauta: Indústria e Inovação”, promovido pelo portal Metrópoles em parceria com o Banco do Nordeste. O encontro reuniu autoridades e especialistas para debater caminhos para o fortalecimento da indústria brasileira, com foco especial no papel estratégico da região Nordeste na economia nacional.
Em sua participação, a ministra destacou os avanços recentes na política industrial do país, especialmente com a implementação da Nova Indústria Brasil (NIB), e reafirmou o compromisso do governo com o desenvolvimento tecnológico e produtivo do Nordeste.
“A gente vive um momento especial. Temos uma política industrial, a Nova Indústria Brasil, que reflete o compromisso do governo federal de fortalecer o setor produtivo, reindustrializar o país e impulsionar a inovação como motor do desenvolvimento. E os resultados já começaram a aparecer”, enfatizou Luciana Santos.
Segundo a ministra, mesmo diante das dificuldades impostas pelos juros altos, a indústria brasileira teve um crescimento superior a 3% em 2024, alcançando o maior faturamento dos últimos 15 anos. Para ela, o foco do MCTI está na promoção de uma inovação que seja descentralizada, inclusiva e capaz de transformar realidades regionais.
“Há uma decisão política clara de ampliar o financiamento no Nordeste, fortalecer a inovação e reduzir desigualdades”, disse Luciana, ao citar duas iniciativas recentes voltadas à região: a Chamada Pública Nordeste, com potencial de até R$10 bilhões para fomento a projetos inovadores, e o fundo FIP Nordeste Capital Semente, de R$120 milhões, voltado ao financiamento de startups nordestinas.
A ministra também ressaltou o esforço da pasta em descentralizar os investimentos em ciência e tecnologia. De acordo com a ministra, o MCTI considera o Nordeste uma região de muitas capacidades. Desde o início do mandato, mais de R$1,3 bilhão foram desembolsados para instituições do Nordeste por meio de editais geridos pela Finep, o que representa um aumento superior a 250% em relação ao governo anterior.
Nordeste em foco
O evento “Nordeste em Pauta: Indústria e Inovação” reuniu autoridades públicas e especialistas para discutir o fortalecimento da indústria nacional a partir da experiência nordestina. O encontro teve como objetivo apresentar soluções para a industrialização sustentável e a redução das desigualdades regionais, com base no avanço já observado em diversos estados da região.
Em 2024, segundo dados do IBGE, a produção industrial brasileira cresceu 3,1%, com o Nordeste apresentando médias expressivas. O Rio Grande do Norte teve o maior avanço regional, com alta de 7,4%, seguido pelo Ceará (6,9%) e Pernambuco (4,6%). A Bahia também registrou desempenho positivo, com crescimento de 2,7%.
Durante a abertura, a CEO do Metrópoles, Lilian Tahan, destacou a importância do momento vivido pelo Brasil na reorganização das cadeias produtivas globais e da oportunidade que o país tem de ampliar sua presença no cenário internacional.
“O Brasil tem tudo para ampliar sua participação nesse esforço, ampliar nossa capacidade de inovação, de produção, geração de renda, conhecimento, tecnologia, garantia e segurança de acesso aos medicamentos e às tecnologias aqui no nosso país”, afirmou Lilian.
Além da ministra Luciana Santos, também participaram do evento o governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, Rafael Fonteles; o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara; a diretora do BNDES e presidente da ABDE, Maria Fernanda Coelho; o diretor do Banco do Nordeste e também diretor da ABDE, Aldemir Freire; o economista-chefe do Banco do Nordeste, Rogério Sobreira; e o diretor Financeiro, de Crédito e Captação da Finep, Márcio Stefanni.
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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