TECNOLOGIA
MCTI apresenta propostas estratégicas para a COP30 ao embaixador André Corrêa do Lago
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, se reuniu na sexta-feira (23) com o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), para discutir a participação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no evento, marcado para ocorrer em novembro deste ano, em Belém (PA).
Durante a reunião, a ministra Luciana Santos apresentou diversas iniciativas e projetos em que a pasta está investindo na região amazônica como o programa Pró-Amazônia, um dos eixos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
“Na próxima reunião do FNDCT, que vai acontecer este mês, será aprovado mais um eixo estratégico, o de mudança do clima e aquecimento global”, acrescentou a ministra. Entre outros investimentos também estão as pesquisas em rede, as pesquisas com os países amazônicos e as Infovias de integração de cabos subterrâneos de fibra óptica feitas pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
Também foi apresentado ao embaixador o AmazonFace, experimento realizado em parceria com Reino Unido, que está previsto para ser inaugurado em outubro de 2025. O objetivo do projeto é investigar como a floresta amazônica irá responder ao aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, previsto para o futuro.
“É um experimento único no mundo. É um trabalho muito meticuloso para simular o aumento de CO₂ na floresta e fazer a avaliação de como o bioma vai reagir no futuro”, explicou a ministra.
Luciana Santos também ressaltou o programa de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para pesquisadores da Amazônia, por meio de chamadas públicas visando apoiar projetos que abordem questões locais e globais relacionadas ao meio ambiente e mudanças climáticas.
Ações do MCTI para a COP30
A pasta está preparando uma série de iniciativas focadas na contribuição científica do Brasil para o enfrentamento das mudanças climáticas. A ministra detalhou a criação de um Grupo de Trabalho que já recebeu mais de 600 propostas a serem debatidas na COP30, provenientes de unidades de pesquisa, instituições vinculadas e departamentos finalísticos do MCTI.
As propostas foram agrupadas em eixos temáticos que farão parte do evento “Espaço da Ciência do Brasil”, que será realizado no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) durante o evento da ONU. O local contará com reuniões, mesas-redondas e discussões sobre setores estratégicos das mudanças climáticas, como o uso sustentável da Amazônia, o papel da ciência e da tecnologia no combate ao aquecimento global e as políticas públicas necessárias para enfrentar os desafios ambientais.
“São muitas contribuições para mostrar como a ciência está contribuindo para o enfrentamento das mudanças do clima”, disse Luciana.
Além disso, o MCTI lançará um livro que vai destacará as contribuições da ciência na identificação dos impactos das mudanças climáticas no Brasil e projetar os efeitos futuros. O livro também servirá como um guia para a formulação de políticas públicas eficazes para mitigar os impactos ambientais nas próximas décadas.
O embaixador André Corrêa do Lago explicou como será o espaço brasileiro no pavilhão da COP30. Ele acredita que o MCTI terá um espaço amplo no debate dentro da agenda oficial do evento.
“Teremos um pavilhão brasileiro na área Azul, um pavilhão brasileiro na área verde, que será aberto ao público. E estamos criando salas temáticas (energia, floresta, agricultura, cidades e temas transversais) que estarão relacionados aos estudos científicos relacionados ao ministério”, finalizou o embaixador.
Também participaram da reunião a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, o diretor do Departamento de Clima e Sustentabilidade, Osvaldo Moraes, o subsecretário de Ciência e Tecnologia para a Amazônia, Eliomar da Cunha, e o chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais da pasta, Carlos Matsumoto.
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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