CUIABÁ

Picape S10, com carretinha, é usada para furto de grama da Avenida Contorno Leste; Prejuízo é de R$ 950 mil

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Obras Públicas, estima um prejuízo ao erário público de quase R$ 1 milhão devido ao furto de 50 mil metros quadrados de grama que preenchiam os canteiros da Avenida Contorno Leste, que será entregue pela gestão Emanuel Pinheiro nos próximos dias, beneficiando cerca de 300 mil pessoas. Dois episódios foram registrados somente na última semana. O furto ocorreu especificamente no trecho que vai do Coxipó à Avenida Dante Martins de Oliveira (Jurumirim). As ações são registradas durante a noite e, na maioria das vezes, nos finais de semana.

Entre os episódios de vandalismo mais recentes estão os de segunda-feira (29) no Morro da Oração e na noite de quinta-feira (2 de maio), no mesmo local e, neste último, teria sido levada por ocupantes de uma picape modelo S10, de cor branca. O metro quadrado custa em torno de R$ 17, isso fora o replantio e o transporte.

“É uma perda muito grande de recursos e que acaba resultando em desperdício de mão de obra também, porque tem que ser refeito, atrasa o andamento dos serviços e gera mais custos. Só para a conclusão desse trecho que será inaugurado vamos ter que replantar quase 17 mil metros quadrados de grama novamente. A sociedade precisa ser parceira da gestão e denunciar esses cidadãos. São valores que poderiam ser investidos em outras prioridades da Contorno Leste”, explicou o vice-prefeito José Roberto Stopa. Pelo quantitativo de grama que é retirada dos canteiros das obras, acredita-se que são levadas em veículos de grande porte. No último caso, uma S10 branca (com uma carretinha) foi vista na região. “É muita coisa mesmo, estamos falando de cerca de R$ 950 mil, mas há uma grande dificuldade para flagrar e punir essas pessoas que estão cometendo esta ação”, disse um representante da empresa HB20 Construções que executa a obra.

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Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT

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CUIABÁ

Prefeito suspende por decreto aprovação de lotes abaixo de 200 m² e medida vai parar na Justiça

Especialista em Direito Imobiliário e Diretor Jurídico do CRECI/MT, afirma que prefeito não pode suspender efeitos de lei municipal por ato do Executivo

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou decreto suspendendo, por tempo indeterminado, a aprovação de novos projetos de loteamento e desmembramento que prevejam lotes com menos de 200 m² e frente inferior a 10 metros. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município que circulou na quinta-feira (25) e já é alvo de uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade proposta pelo MDB, atendendo solicitação o Pré Candidato a Deputado Federal, CLAUDECIR CONTTREIRA.

O Decreto nº 12.169/2026 determina que a Prefeitura deixe de analisar, emitir diretrizes e aprovar projetos que não atendam aos novos parâmetros até que entre em vigor uma nova legislação urbanística municipal. Na prática, ficam suspensas aprovações que hoje são permitidas pela Lei Complementar nº 389/2015, que estabelece área mínima de 180 m² para os lotes.

Embora o decreto afirme que a lei continua em vigor e que a suspensão tem caráter temporário, a medida impede a aplicação prática da legislação vigente aos processos em andamento e aos novos pedidos protocolados no município.

A constitucionalidade do decreto é contestada pelo advogado especialista em Direito Imobiliário e Direito Condominial, Miguel Zaim. Segundo ele, o prefeito não pode, por decreto, restringir a eficácia de uma norma aprovada pelo Poder Legislativo.

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“À primeira vista, eu vejo que esse decreto é inconstitucional. O prefeito não pode legislar por decreto ou suspender a eficácia de uma norma que está em vigor. Para alterar essa regra é necessária outra lei, debatida e aprovada pela Câmara Municipal”, afirmou.

Na avaliação do especialista, a administração municipal extrapolou sua competência administrativa ao editar um ato que, na prática, modifica a aplicação da legislação urbanística.

“O prefeito é chefe do Poder Executivo e exerce função administrativa. Se pretende alterar os parâmetros definidos em lei, deve encaminhar um projeto ao Legislativo. Não pode retirar a eficácia de uma norma em vigor por meio de decreto”, disse.

Miguel Zaim também afirma que a mudança tende a provocar impactos econômicos no mercado imobiliário e no acesso da população à moradia.

Segundo ele, a exigência de terrenos maiores reduz o número de lotes que podem ser implantados em cada empreendimento, aumentando os custos de produção e, consequentemente, o preço final dos imóveis.

“Vai encarecer os terrenos, dificultar o acesso à moradia para as famílias de menor renda e também afastar investimentos. Outras cidades de Mato Grosso adotam lotes mínimos de 180 m² justamente para ampliar o acesso à habitação de forma organizada e urbanizada”, afirmou.

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O advogado acrescenta que o aumento da metragem mínima também pode elevar o valor dos financiamentos habitacionais e reduzir a competitividade de Cuiabá em relação a outros municípios, tendo em vista que as grandes construtoras deverão desistir de investimentos na capital.

Ação na Justiça

A legalidade do decreto também será analisada pelo Judiciário. O MDB ingressou com uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade questionando a medida adotada pelo prefeito.

Entre os argumentos apresentados está o de que o Executivo teria “inovado” na ordem jurídica por meio de decreto, criando restrições não previstas na legislação municipal e suspendendo, de forma indireta, os efeitos de uma lei que permanece vigente.

Anteriormente, no início de maio, Abilio chegou a encaminhar o projeto à Câmara de Vereadores, em regime de urgência, para aplicar as novas medições.

No entanto, o Executivo pediu o projeto de volta, suspendendo a tramitação, para novas discussões sobre o assunto. Ainda não há previsão para que a proposta cumpra o rito legal e seja votada pelos vereadores.

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