TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Judiciário de Chapada promove Círculo de Paz com pessoas obesas

O som da natureza, o cantos dos pássaros, o cheiro das plantas, a paisagem dos paredões e da cachoeira Véu de Noiva do município de Chapada dos Guimarães (60 km de Cuiabá), foram o cenário de mais um encontro do série dos Círculos Coloridos na Saúde, que está sendo realizada pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da comarca juntamente com a Secretaria de Saúde local.
 
Nesta edição, que foi realizada no dia 9 de abril, com foco em obesidade participaram servidores da justiça estadual, da saúde e pessoas que estão acima do peso. O projeto é uma forma inovadora da justiça restaurativa e o sistema de saúde, de tratar a obesidade sem preconceito.
 
O círculo trouxe um olhar humanizado às pessoas que estão acima do peso ou pela temática da obesidade. “A gente vê que a sociedade está longe de se preocupar com a pessoa que tem obesidade. Hoje em dia, estima-se metade da população está com sobrepeso. Então, aqui no município, fizemos essa parceria com a saúde local. Acredito que o objetivo está sendo alcançado. Essa terceira etapa do círculo, foi fantástica e trouxe novas ideias tanto para o judiciário quanto para a secretaria do município. Com isso, o judiciário vem se tornando cada vez mais instrumento de pacificação social, ressaltou o juiz coordenador do Cejusc de Chapada dos Guimarães, Leonísio Salles de Abreu Júnior.
 
Rainne Ferreira, de 18 anos, que luta contra a obesidade, foi uma das convidadas da atividade. Com a dinâmica de falar de si a estudante contou os inúmeros preconceitos enfrentados. Ela já foi considerada a “Duff“ da turma (Em um grupo de amigas, a Duff – é aquela que não se destaca, a menos atraente da turma). Para a jovem, a dinâmica do círculo foi a melhor experiência da vida e trouxe aceitação e autoestima.
 
“É uma maneira das pessoas colocarem a dor de uma forma mais amorosa. Fiquei mais leve ao escutar histórias e ter falado um pouco da minha. Gostei da dinâmica, revela a importância e a empatia com o outro. Eu já tentei várias vezes emagrecer, fiz dietas absurdas, tomei remédios, e busquei outras opções. Quem está de fora não imagina o que passa uma pessoa obesa. Não é por preguiça e nem estamos neste quadro por querer”, ressaltou.
 
A Adriana Roberti, ao ser convidada para participar do círculo colorido da saúde descobriu que não está sozinha. A servidora conseguiu emagrecer cerca de 40 kg desde a cirurgia bariátrica. O processo auxiliou a ter uma vida mais saudável e manter o bem-estar. “Foi muito gratificante dividir experiência, conversar na informalidade, sem estereótipo, sem avaliar ninguém e sem julgamentos. Aqui todos falam a mesma língua, no mesmo grau de igualdade. Compartilho das mesmas histórias porque eu também as vivi. Sou uma ex-obesa, estou no processo, a bariátrica é um meio para conseguir emagrecer,” comentou.
 
Justiça Restaurativa – A justiça Restaurativa é um movimento social e um convite para transformar a problemática das relações humanas com foco em cooperação e pertencimento. E é nesse contexto que os círculos coloridos na saúde trabalham os aspectos físico, mental, espiritual, emocional e psicológico do ser humano e tornam mais harmoniosa a ambiência entre os profissionais da saúde e os usuários do sistema de saúde de Chapada.
 
Para Vera Rondon, terapeuta integrativa, é possível perceber um pouco dos métodos integrativos no Círculo de Paz. É uma ferramenta de apoio muito importante, além de ser um ambiente de acolhimento e cura. As pessoas se reconhecem, partilham as dores e as dificuldades.
 
Série dos Círculos Coloridos na Saúde: até dezembro, estão previstas mais 9 edições com temáticas variadas (autismo, abuso de crianças e adolescentes, doação de sangue, hepatites virais, aleitamento materno, prevenção ao suicídio, câncer de mama, diabete e aids).
 
Obesidade: existem diferentes tipos da doença, sendo que a obesidade de grau I é considerada obesidade leve; a obesidade de grau II é a obesidade moderada e a obesidade de grau III é a obesidade mórbida.
 
O cardiologista do TJMT, Herbert Monteiro chama atenção para o sofrimento que as pessoas obesas passam brigando com a balança. “O primeiro passo é realizar um tratamento humanizado sem julgamentos, e jamais culpar o paciente. A pessoa com excesso de peso vem acompanhada de sentimentos que muitas vezes desencadeiam distúrbios emocionais. A equipe de saúde não tem apenas a missão de prescrever tratamentos, mas, também acolher o paciente, respeitar o modo de viver e suas escolhas, ” orienta o médico.
 
A pessoa obesa pode apresentar problemas e complicações diversas, como: diabetes, pressão alta, apneia do sono, aterosclerose, trombose, varizes, distúrbios no ciclo menstrual (nos pacientes do sexo feminino), problemas cardiovasculares diversos, além de ansiedade, depressão e transtorno alimentar.
 
Hoje em dia a obesidade pode ser tratada de diversas maneiras, incluindo a mudança nos hábitos de vida, com a reeducação alimentar, a prática de atividades físicas, e em casos mais graves, a cirurgia. Nesta lista, pode–se, incluir as práticas integrativas que contribuem individualmente ou associadas às outras formas de tratamentos.
 
De acordo com Letícia Vieira Dall Bello, psicóloga do departamento de saúde do Fórum de Chapada, o tratamento adequado une a questão biológica e mental potencializa a recuperação da saúde e sendo assim, promove a melhoria na qualidade de vida e no bem-estar físico e mental do paciente. Ou seja, olhar para o ser humano de forma integrada, não apenas corpo, mas também a mente.
 
Quando o assunto é hábitos alimentares o ideal é contar com o apoio de um profissional. De acordo com a nutricionista do TJMT o princípio da Nutrição é a inclusão dos alimentos saudáveis. Para montar o programa alimentar, devemos levar em conta o estado nutricional do paciente, necessidades individuais, nível de atividade física, exames, história clinica e familiar, além do estilo de vida. O programa alimentar deve ser individualizado.
 
Dados: de acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2023, a incidência da obesidade global deve apresentar um crescimento exponencial nos próximos anos. Apenas no Brasil a previsão é de que até 2035, 41% da população adulta conviva com a doença e que o crescimento anual na população infantil atinja o alto nível de 4,4%.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem: Foto 1: Cachoeira Véu de Noiva e em torno muitas árvores e alguns paredões que compõem a paisagem. Foto 2: Arte redonda confeccionada com várias palavras relacionadas aos malefícios da obesidade ao centro, ao redor uma boneca “Magali” – personagem da Turma da Mônica, mini hambúrguer e batata frita de brinquedo usada no meio da roda. Foto 3: Mulher de cabelos pretos, usando óculos, muito sorridente, vestindo uma blusa na cor azul marinho . Foto 4: Paisagem com árvores,  uma área coberta com várias pessoas sentadas formando uma grande roda participando da atividade da Justiça Restaurativa.
 
Maritza Fonseca
Coordenadoria de Comunicação da Presidência TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Audiência da Corregedoria debate como atingir o poder econômico do crime organizado

Participantes do painel debatem os impactos da Lei Antifacção durante audiência pública promovida pela Corregedoria.Por trás de homicídios, tráfico de drogas e disputas por território existe uma engrenagem menos visível: o dinheiro. A avaliação foi compartilhada por especialistas que participaram do painel Lei Antifacção e Governança Corporativa: limites e deveres das pessoas jurídicas, realizado nesta sexta-feira (12), durante audiência pública “A Lei do Combate ao Crime Organizado no Brasil e os impactos no sistema de justiça criminal: desafios e oportunidades”, promovida pelo Poder Judiciário, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso para discutir o novo marco legal de combate ao crime organizado.

O painel reuniu o expositor, o promotor de Justiça Renee do Ó Souza, o delegado da Polícia Civil Caio Albuquerque, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), e o juiz Anderson Clayton Dias Batista. A mediação foi conduzida pelo conselheiro estadual da OAB-MT, Douglas Ibarra.

Ao longo das discussões, um ponto ganhou destaque: para enfraquecer as organizações criminosas não basta prender integrantes. É preciso atingir a estrutura financeira que sustenta essas atividades.

Promotor de Justiça Renee do Ó Souza apresenta reflexões sobre o enfrentamento econômico ao crime organizado.Segundo o promotor Renee do Ó Souza, uma das principais inovações da Lei Antifacção é justamente direcionar o foco para o patrimônio, os recursos financeiros e as empresas utilizadas para dar suporte ao crime organizado. “A única forma de inibir o envolvimento de alguém na criminalidade organizada é demonstrar que o crime não compensa”, afirmou.

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De acordo com o expositor, a legislação cria mecanismos que permitem ao Estado alcançar bens, valores e até estruturas empresariais utilizadas para ocultar patrimônio ou movimentar recursos ilícitos. Entre as medidas previstas estão bloqueios patrimoniais, restrições de atividades econômicas e a possibilidade de intervenção judicial em empresas utilizadas para favorecer práticas criminosas.

Juiz Anderson Clayton Dias Batista debate os impactos da nova legislação para as pessoas jurídicas.O juiz Anderson Clayton Dias Batista observou que a nova legislação busca reduzir a tolerância com relações empresariais que possam beneficiar organizações criminosas.

“A nova legislação exige uma postura mais ativa das empresas. Não basta alegar desconhecimento. As organizações precisam verificar quem são seus parceiros comerciais e adotar mecanismos de controle para evitar relações que possam favorecer, direta ou indiretamente, o crime organizado”.

Homem de terno escuro, camisa branca e gravata azul, com cabelos grisalhos curtos, segura um microfone e fala. Ele tem um pin dourado na lapela. O fundo é uma parede de painéis claros.O mediador Douglas Ibarra chamou atenção para a linguagem corporativa presente na nova legislação. Para ele, a proposta do legislador foi ampliar o alcance do enfrentamento ao crime organizado, permitindo que a atuação estatal chegue também às estruturas econômicas e societárias que podem servir de suporte para atividades criminosas.

A perspectiva das investigações foi apresentada pelo delegado Caio Albuquerque. Com experiência na apuração de homicídios ligados a organizações criminosas, ele afirmou que o domínio territorial exercido por facções tem tornado a elucidação de crimes cada vez mais complexa. Segundo o delegado, o medo imposto às comunidades faz com que testemunhas deixem de colaborar com as investigações, dificultando a identificação de autores e a produção de provas.

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Delegado Caio Albuquerque aborda os desafios das investigações relacionadas às organizações criminosas.Caio Albuquerque destacou que o fortalecimento das organizações criminosas observado nos últimos anos exige instrumentos mais eficientes de enfrentamento e defendeu que a nova legislação oferece mecanismos que podem contribuir para esse trabalho.

O painel integrou a audiência pública promovida pela Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso para debater os impactos da Lei nº 15.358/2026, conhecida como marco legal de combate ao crime organizado.

A íntegra da discussão está disponível no canal do TJMT no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=70cR1MxQkvs

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Audiência pública reúne centenas de pessoas para discutir lei de combate ao crime organizado

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Painel de Audiência pública debate impactos do domínio social estruturado para o sistema de justiça criminal

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Autor: Alcione dos Anjos

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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