TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Poder Judiciário de Mato Grosso

Cuiabá conta atualmente com aproximadamente 87% de cobertura de rede coletora de esgoto, que é composta por três Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), localizadas nos bairros Dom Aquino, Tijucal e Ribeirão do Lipa e 34 unidades de tratamento, totalizando cerca de 1.225 litros por segundo de esgoto tratado. De acordo com a concessionária do serviço de água e esgoto na Capital, a empresa já investiu cerca de R$ 1 bilhão do total de R$ 1,2 bilhão previsto na concessão, que deve ser aplicado até 2024 na implantação de novas redes de coleta de esgoto, adutora, reservatórios, revitalização de estruturas e construção de estações de tratamento de água e esgoto (ETAs e ETEs).
 
No entanto, para que o investimento em saneamento básico realmente beneficie a população e o meio ambiente, é preciso que os proprietários dos imóveis façam as interligações de suas instalações hidrossanitárias à rede pública de coleta de esgoto, o que é obrigação de cada dono de imóvel, conforme o Código de Posturas do Município (Lei complementar nº 4/1992) e a Lei do Saneamento Básico (Lei federal nº 11.445/2007), entre outros decretos e resoluções. Estimativa da Águas Cuiabá aponta que pelo menos a metade dos imóveis da cidade não são interligados à rede coletora de esgoto.
 
Com o objetivo de regularizar essa situação, o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) Ambiental promoveu reunião extrajudicial com o Ministério Público Estadual (MPMT), a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos Delegados (Arsec), Secretaria de Meio Ambiente, Procuradoria Geral do Município (PGM) e da Secretaria de Ordem Pública (SORP), e a empresa Águas Cuiabá para alinhamento de projeto que visa, através dos meios autocompositivos (conciliações extrajudiciais), fomentar a ação voluntária dos munícipes para que realizem interligação da rede particular na caixa de inspeção da concessionária, passando o esgoto a ser efetivamente coletado e tratado, evitando assim, sanções administrativas e penais decorrentes do descumprimento da obrigação, que chegariam ao Judiciário.
 
O juiz coordenador do Cejusc Ambiental, Rodrigo Roberto Curvo, compareceu à reunião para agradecer a todos pelo empenho na busca de um meio ambiente equilibrado e saudável para todos e registrou o suporte que tem sido garantido pelo NUPEMEC para a consolidação do projeto. “É fundamental esse esforço que eu sei que todos estão fazendo. Já é de conhecimento do desembargador Mário Kono, que é o presidente do NUPEMEC. Ele está dando todo o apoio logístico e institucional”, disse.
 
De acordo com a gestora do Cejusc Ambiental de Cuiabá, Jaqueline Bagao Schoffen, as tratativas tiveram início no primeiro semestre e, após uma segunda reunião com a participação de todas as instituições, realizada na última sexta-feira (10), o projeto já está perto de ser apresentado à sociedade cuiabana.
 
“Nós vamos movimentar, no mês de fevereiro, 150 procedimentos, ou seja, vamos abarcar 150 residências para fazer um evento teste, que trará subsídios para replicação em larga escala. Os proprietários dos imóveis serão convidados a participar de uma audiência de conciliação pré-processual no Cejusc Ambiental, onde teremos presente o preposto da concessionária, que vai fazer todo o esclarecimento de como funciona essa interligação, informando sobre materiais empregados, mão-de-obra, vamos explicar a responsabilidade desse munícipe, tratar sobre os benefícios que essa medida trará para o meio ambiente e toda a coletividade. E havendo interesse dele em aderir ao projeto, ele vai assinar um termo de acordo, com um prazo para cumprimento dessa obrigação. Com isso ele ficaria isento da aplicação das multas, que são regidas pelo órgão administrativo, e também das sanções criminais, uma vez que a não realização dessa interligação também causa dano ambiental”, explica Jaqueline.
 
Para a promotora de Justiça, Maria Fernanda Correia da Costa, a falta de interligações dos imóveis à rede pública de coleta de esgoto significa que esses resíduos estão sendo despejados nas redes de águas pluviais, em fossas sépticas ou fossas negras, que são altamente poluentes, o que demonstra a importância do projeto de regularização, que irá contemplar toda a cidade. “Se hoje já existe um sistema moderno de rede pública que capta, trata para lançar nos cursos d’água, então esse projeto vai melhorar a qualidade de vida ambiental, vai melhorar a saúde pública porque vai ocorrer o tratamento dos efluentes”.
 
A promotora de Justiça destaca ainda que o projeto em conjunto com as demais instituições não tem o intuito de penalizar os munícipes que ainda não fizeram a conexão das residências com a rede de coleta de esgoto. “Ninguém está em lado oposto. Não vai existir de um lado o Judiciário, Ministério Público, Município de Cuiabá e do outro o cidadão. Nós estamos todos do mesmo lado em que o cidadão, o proprietário do imóvel faça a interligação para melhorar a qualidade de vida de todos”, afirma Maria Fernanda. Ela aponta ainda que tanto o Ministério Público quanto o Judiciário estão pensando em formas de subsidiar as pessoas vulneráveis socioeconomicamente para a realização das obras, que custam menos de R$ 1 mil, conforme mencionado na reunião.
 
De acordo com o diretor-geral da Águas Cuiabá, Renato Carlini Camargo, a parceria entre Judiciário, Ministério Público, Prefeitura e concessionária é de extrema importância. “Vai potencializar o benefício dos investimentos que a Águas Cuiabá vem realizando porque além dos investimentos que a gente realiza, também tem a parte do munícipe, que é a interligação. Então com todos esses stakeholders reunidos a gente vai conseguir dar potência e beneficiar ainda mais o meio ambiente com esses investimentos”, afirma, ressaltando que, do ponto de vista técnico, as interligações das casas à rede pública vai possibilitar o devido tratamento do esgoto, que será devolvido ao meio ambiente com as características ideais de lançamento.
 
Camargo informa ainda que outro eixo do projeto proporcionará capacitação gratuita para habilitar profissionais aptos a atender à grande demanda do serviço de interligação nos imóveis.
 
Além do benefício ao meio ambiente e à saúde pública, a procuradora do Município, Patrícia Cavalcanti, que participou da reunião no Cejusc Ambiental, pontua que a completa regularização da rede de esgoto do município trará benefícios do ponto de vista imobiliário e urbanístico. “Hoje vários imóveis estão em situação irregular e essa falta de esgoto prejudica ainda mais o imóvel e o entorno do bairro. Então o bairro em si vai ganhar muito, os imóveis vão ser valorizados. O munícipe e o Município só têm a ganhar com esse projeto. A cidade só vai se desenvolver de forma adequada se os moradores efetivarem essa ligação à rede de esgoto, que já está à disposição”, frisa.
 
Também participaram da reunião o diretor de regulação e fiscalização da Arsec, Alexandro de Oliveira; a secretária-adjunta de Meio Ambiente de Cuiabá, Ana Paula Morreli; o assessor jurídico da SORP, Júlio César Lopes; a coordenadora de Assuntos Regulatórios da Águas Cuiabá, Desiree Duarte da Silva e servidoras do Nupemec.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão de pessoas com deficiência visual.
 
Foto 1: Representantes do Cejusc Ambiental, Ministério Público, Prefeitura de Cuiabá, Águas Cuiabá e Nupemec sentados em torno de uma mesa oval no Cejusc Ambiental. Foto 2: Foto de perfil e busto do juiz Rodrigo Roberto Curvo. Ele é um homem branco, de olhos e cabelos escuros, usando camisa branca, terno cinza e gravata de listras brancas e pretas. Ele está sentado e falando. Atrás dele há um banner do Cejusc Ambiental que mostra a imagem de um aperto de mãos. Foto 3: Diretor geral da Águas Cuiabá, Renato Carlini Camargo, concede entrevista à TV Justiça. Ele é um homem branco, de olhos castanhos, cabelos grisalhos, usando camisa azul e óculos de grau. Foto 4: Gestora do Cejusc Ambiental, Jaqueline, sentada à mesa e conversando com os demais participantes da reunião. Ela é uma mulher branca, loira, de olhos castanhos, usando camisa cor-de-rosa, brincos de argola. Atrás dela há um banner do Cejusc ambiental que mostra uma imagem de aperto de mãos. Foto 5: Foto em plano aberto que mostra, em primeiro plano, uma rua em obras de instalação de rede de esgoto, com buracos, trator, homens trabalhando, faixa zebrada, amontoado de terra e, ao fundo, uma visão panorâmica dos prédios de Cuiabá.
 
Celly Silva/ Fotos: Elcio Evangelista e Theo Medeiros
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Justiça Sem Fronteiras facilita regularização de documentos em Palmarito

Foto horizontal que mostra o boliviano Gustavo Soliz sorrindo para a foto, em pé no corredor de uma escola, onde ocorreu o mutirão Justiça Sem Fronteiras. Ele é um homem com traços bolivianos, pele marrom, cabelos pretos e lisos, usando camisa polo azul celeste. A 2ª edição da Expedição Justiça Sem Fronteiras tem levado serviços de cidadania à comunidade de Palmarito, em Vila Bela da Santíssima Trindade, localizada a 594 quilômetros de Cuiabá. Os atendimentos, realizados na Escola Municipal Duque de Caxias, continuam nesta sexta-feira (12).

Entre as demandas atendidas estão os pedidos de regularização de documentos de moradores brasileiros e bolivianos, que aproveitam a iniciativa para resolver pendências sem precisar se deslocar para outros municípios.

Há três anos trabalhando na venda de frutas e verduras na região, o vendedor ambulante boliviano Gustavo Soliz procurou a expedição para regularizar sua situação no Brasil e conquistar mais segurança para trabalhar.

“Eu gostaria de conseguir meus documentos para vir com toda a minha família e trabalhar legalmente aqui no Brasil. Quero ter tudo em regra, sem medo, e poder contribuir também”, disse.

Foto horizontal que mostra a boliviana Gerônima Chube sorrindo timidamente para a foto e mostrando um documento. Ela está no pátio de uma escola. Ela é uma mulher com traços bolivianos, pele marrom, cabelo preto, liso e preso para trás, usando camiseta marrom.Moradora de Palmarito há seis anos, a boliviana Gerônima Chube aproveitou a passagem da expedição pela comunidade para fazer a documentação dos filhos.

“Eu quero fazer o documento do meu filho porque ele está estudando e está precisando. Se não fosse aqui, eu teria que ir para longe, e nós não temos condições de viajar. Achei muito bom porque ficou tudo mais fácil”, relatou.

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Cidadania mais perto da população

Promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), por meio da Justiça Comunitária, a Expedição Justiça Sem Fronteiras leva cidadania, acesso à Justiça e serviços essenciais às comunidades localizadas na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia. A iniciativa reúne instituições parceiras para oferecer atendimentos gratuitos nas áreas de documentação, orientação jurídica, saúde, assistência social, educação, cidadania, entre outros.

Foto horizontal que mostra o oficial de Registro Civil de Vila Bela da Santíssima Trindade, Ademir Baldo, trabalhando, sentado em frente a um laptop. Ele é um homem branco, de cabelo castanho e liso, usando camiseta verde com logo da Expedição Justiça Sem Fronteiras e óculos de grau.Segundo o oficial de Registro Civil de Vila Bela da Santíssima Trindade, Ademir Baldo, a procura pela regularização de documentos por cidadãos bolivianos tem aumentado nos últimos anos.

“Muitos bolivianos chegam com a documentação do país de origem, mas precisam regularizar sua situação migratória para obter documentos brasileiros, acessar a carteira de trabalho e exercer suas atividades de forma legal”, afirmou.

Ele explica que a demanda sempre existiu na região de fronteira, mas se tornou mais intensa nos últimos anos, impulsionada principalmente pela busca por oportunidades de trabalho no Brasil.

“Quando o atendimento chega até essas localidades, as pessoas conseguem resolver suas demandas sem precisar percorrer grandes distâncias. Isso facilita a regularização e amplia o acesso à cidadania”, destacou.

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Foto horizontal em plano aberto que mostra o corredor de uma escola com paredes verdes de um lado e aberto para o pátio do outro, com várias pessoas sentadas, aguardando atendimento no mutirão Justiça Sem Fronteiras.Próximas etapas

Após os atendimentos em Palmarito, a programação segue para o distrito de Santa Clara de Monte Cristo, em Vila Bela da Santíssima Trindade, nos dias 14 e 15 de junho, com atendimentos na Escola Estadual/Municipal Ponta do Aterro.

A última etapa da Expedição será realizada no distrito de Vila Picada, em Porto Esperidião, nos dias 17 e 18 de junho, na Escola Municipal Dona Lila Hill de Souza.

Autor: Emily Magalhães

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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