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Polícia Militar realiza aula inaugural do 3º Curso Especialista em Escolta e Batedor

A Polícia Militar de Mato Grosso realizou, na manhã desta segunda-feira (21.08), a aula inaugural do 3º Curso de Especialista de Escolta e Batedor Motorizado. A solenidade aconteceu no auditório do Quartel do Comando-Geral da PMMT, em Cuiabá. A função do escolta e batedor é garantir a fluidez do trânsito e a segurança do deslocamento de autoridades, delegações e comitivas em grandes eventos.

O curso será realizado por meio do Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário (BPMTran) e a turma composta por 19 alunos do Batalhão de Trânsito e Companhia de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) da PMMT, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Exército Brasileiro, Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá (Semob) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Durante 45 dias, esses alunos passarão por 11 disciplinas com conteúdos teóricos e práticos, voltados à escolta e batedor. O curso tem carga horária prevista de 250 horas/aula.

O comandante-geral da PMMT, coronel Alexandre Corrêa Mendes, deu as boas-vindas aos alunos e ressaltou o importante papel do curso para os ensinamentos da função de batedor e a confiança e parceria de instituições vizinhas, que trazem militares para serem capacitados em Mato Grosso.

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“Desejo que todos os alunos sejam bem-vindos, em especial os alunos de outros Estados e outras instituições. Tenho plena consciência que nesses 45 dias todos vocês irão ganhar um amplo conhecimento para desempenharem essas funções, com muita técnica, disciplina e eficiência, pois é assim que as capacitações da Polícia Militar são realizadas”, ressaltou o coronel Mendes.

O comandante do Batalhão de Trânsito, tenente-coronel Adão César Rodrigues Silva, destacou que são os batedor e escolata que planejam as rotas, oferecem a segurança e resguardam as pessoas e eventos. “Este curso da Polícia Militar tem se tornado referência em todo o território nacional, devido a sua técnica apurada na capacitação. Aos alunos, desejo o máximo de proveito possível, aproveitem a experiência e se dediquem ao máximo”, pontuou o tenente-coronel.

A aula inaugural do curso foi uma palestra com o tema: “Atividades de escolta e batedor no Estado de Mato Grosso”, ministrada pela secretária de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT), tenente-coronel Grasiele Bugalho, que também comandou o Batalhão de Trânsito, no ano de 2013, e possui em sua formação o curso de escolta e batedor.

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Em sua palestra, a tenente-coronel Grasiele relembrou o período em que esteve à frente da unidade e repassou os conhecimentos adquiridos aos alunos. “Também fui aluna do curso em um momento especial na instituição, que estava se preparando para a Copa do Mundo de 2014. Conseguimos capacitar todos os policiais, na época, e fizemos um excelente evento, com muita segurança, e é sobre esse legado de superação que venho falar aos alunos. Mostrar que uma equipe com um objetivo em comum sempre próspera e que vamos evoluir para servir a sociedade mato-grossense”, finalizou.

Também estiveram presentes na aula inaugural a comandante-geral adjunta da PMMT, coronel Francyanne Siqueira Chaves; o diretor de Ensino, Instrução e Pesquisa da PMMT, coronel Januário Batista; o comandante do Comando de Policiamento Especializado (CPE), coronel Antônio Gilvando Souza; e o corregedor-geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), coronel PM Juliano Chiroli.

Fonte: PM MT – MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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