POLÍTICA MT

Barranco cobra apuração de irregularidades em teste físico de concurso da Segurança Pública

Foto: FABLICIO RODRIGUES / ALMT

O deputado estadual Valdir Barranco (PT) pediu ao Procurador-Geral da Justiça do Ministério Público Estadual, José Antônio Borges, a apuração das irregularidades ocorridas durante a aplicação do Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso da Segurança Pública de Mato Grosso (editais nº 006/2022, nº 007/2022, nº 003/2022 e nº 004/2022).

O parlamentar apresentou o Requerimento nº 376/2022 na manhã dessa quarta-feira (25), na Assembleia Legislativa, e aponta que muitos candidatos e candidatas relataram diversos erros durante e após o teste. “Recebi muitas denúncias sobre as falhas durante a realização da prova física e depois da prova. São chocantes as fotos e vídeos que as pessoas que realizaram a prova me enviaram como prova do absurdo que foi esse TAF. São lesões em várias partes do corpo. Isso é uma vergonha”, apontou.

A não disponibilização dos vídeos com as imagens do teste de cada pessoa também foi outra grave irregularidade relatada pelos candidatos. “Os concurseiros também nos passaram a falta do princípio de publicidade no concurso, pois as gravações não foram enviadas para os candidatos, proibindo assim o seu direito de defesa, uma vez que o recurso administrativo começou e fechou, e vários não tiveram a oportunidade de entrar no processo pela ausência de imagens”, disse Barranco.

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Talvez a denúncia mais grave seja a direcionada para determinada atitude de um avaliador do teste. “Segundo várias pessoas, somente um avaliador reprovou mais de 40 candidatos. Eles me disseram que ele é professor e dono de uma academia direcionada para os exercícios do TAF e que teria favorecido seus alunos e alunas no teste. Isso fere o princípio de isonomia e imparcialidade”, apontou.

Barranco pede a anulação e suspensão da 3ª fase do concurso da PM/MT e BM/MT (TAF), conforme decisão que foi tomado no TAF do concurso realizado no Pará. “Peço que o certame seja anulado pela falta de equidade e pelo alto número de irregularidades no teste. Esses mesmos erros ocorreram no Pará. Até a denúncia de professor de curso preparatório sendo avaliador, assim como aqui no Estado. Os candidatos merecem um concurso com lisura e livre de erros”, finalizou.

Fonte: ALMT

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POLÍTICA MT

Chico Guarnieri propõe programa para diagnóstico tardio e inclusão de autistas no mercado de trabalho em MT

Está em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) o Projeto de lei, nº 194/2026, de autoria do deputado Chico Guarnieri (PSDB), que cria o Programa Estadual NeuroMT. A proposta é voltada à identificação tardia, ao suporte e à inclusão produtiva de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente adultos que não tiveram diagnóstico na infância.

A inicaitiva busca enfrentar uma realidade ainda pouco visível: a de pessoas que passaram anos sem diagnóstico e, por isso, enfrentaram dificuldades na vida social e profissional.

O tema ganhou destaque durante uma palestra sobre o TEA promovida pelo parlamentar, na última quarta-feira (28), em Campo Novo do Parecis, onde relatos reforçaram, na prática, os impactos dessa realidade.

A fotógrafa Ana Paula Grillo, mãe atípica e atualmente em processo de investigação diagnóstica, destacou que o diagnóstico, mesmo quando ocorre na vida adulta, pode trazer respostas importantes. “Sim, tem uma janela, por exemplo, quanto antes o diagnóstico, quanto antes as intervenções, quanto antes a alta das terapias também. E com certeza, hoje está vindo muitos diagnósticos na fase adulta”, afirmou.

Ela explica que esse processo tem um efeito direto na forma como a pessoa compreende a própria trajetória. “Para mim, falo por mim mesmo e com certeza é uma fala para todos os adultos que estão nisso, é importante porque começa a fazer sentido a vida inteira e inclusive o que eu vivo hoje”.

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Ana Paula também chama atenção para os impactos emocionais da falta de diagnóstico adequado ao longo da vida. “Então assim, é importante porque hoje eu tenho picos depressivos, eu tenho ansiedade, eu tenho síndrome do pânico e quantas outras pessoas estão vivendo isso e não sabem”.

Em outro momento, a coordenadora da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Cuiabá (APAE) de Campo Novo do Parecis, Jully Gabrieli da Silva Turchen, que também recebeu o diagnóstico mais tarde, ressaltou como a identificação poderia ter evitado situações difíceis, principalmente no ambiente de trabalho.

Segundo ela, a falta de compreensão sobre suas necessidades gerava desconfortos, especialmente em relação ao contato físico — algo que, após o diagnóstico, passou a ser respeitado. “Hoje as pessoas entendem, respeitam mais. Antes, eu não sabia como explicar”, falou.

“O que estamos fazendo é olhar para uma parcela da população que, por muito tempo, ficou invisível. Pessoas com capacidade, com potencial, mas que não tiveram acesso ao diagnóstico e, muitas vezes, nem às oportunidades”, destacou o parlamentar.

Entre as medidas previstas está a criação de uma ferramenta digital de triagem, que auxiliará na identificação de sinais de autismo em adultos e no encaminhamento para atendimento especializado na rede pública de saúde.

O projeto também prevê a capacitação de profissionais da saúde para o reconhecimento desses sinais e a ampliação do atendimento multiprofissional em unidades como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

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Outro ponto de destaque é a criação do Banco Estadual de Talentos Neurodiversos, que permitirá mapear habilidades e conectar pessoas com TEA a oportunidades de trabalho em setores estratégicos como tecnologia, logística e agronegócio.

Além disso, a proposta institui o selo “Empresa Neurodiversa”, que reconhecerá empresas que adotarem práticas inclusivas na contratação e permanência de profissionais neurodivergentes, incentivando um ambiente de trabalho mais acessível e diverso.

O texto também autoriza parcerias com instituições como SENAI, SESI e SENAC para a qualificação profissional, alinhando a inclusão ao desenvolvimento econômico do estado.

Outro avanço previsto é a criação da Semana Estadual de Conscientização e Inclusão do Autista Adulto, a ser realizada anualmente, com ações voltadas à informação, combate ao preconceito e fortalecimento da rede de apoio.

“Esse projeto não fala só de inclusão social, ele também fala de desenvolvimento. Quando a gente reconhece e valoriza essas habilidades, a gente também fortalece a economia e cria novas oportunidades para o nosso estado”, afirmou Guarnieri.

A iniciativa, está alinhada à legislação federal e busca transformar Mato Grosso em referência na inclusão produtiva de pessoas com autismo, promovendo dignidade, autonomia e oportunidades reais para quem, por muito tempo, esteve à margem das políticas públicas.

A proposta foi presentada em março deste ano (2026) e segue pauta para analise nas comissões de mérito e votação em plenário.

Fonte: ALMT – MT

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