TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Vítima de violência relata como foi salva graças à medida protetiva e ao Botão do Pânico
“Se não fosse o Botão do Pânico, hoje não sei onde eu estaria. Talvez, estaria morta”. Essa é a triste constatação que resume a situação de uma mulher que tem sua vida protegida graças à medida protetiva e ao Botão do Pânico, ambos mecanismos concedidos via decisão judicial.
Luiza*, 32, viveu uma relação abusiva por 10 anos, período em que foi vítima de violência psicológica, patrimonial e, em um episódio, chegou à violência física. “Hoje eu entendo que, desde o início, nunca a relação foi saudável pela maneira como ele me tratava. Mas eu só descobri depois que assisti a uma palestra sobre violência doméstica, no trabalho. E eu me identifiquei com tudo o que estavam dizendo”, conta.
Segundo Luiza, a violência começou quando ainda namorava o rapaz e estava grávida dele. “Um dia, eu não tinha dinheiro e minha mãe pediu para ele comprar umas frutas pra mim porque estava sentindo muito enjoo. No caixa do supermercado, quando ele pagou, ele jogou a sacola e falou: ‘Tá aí! Não era isso que você queria comer?!’ Foi nesse dia que ele começou a me humilhar”, relembra, em lágrimas.
A mulher conta ainda que, por ciúmes do marido, quando andava com ele em público, não podia olhar para o lado porque seria acusada de estar olhando para outros homens; era proibida de usar roupas curtas; não tinha suas opiniões levadas em conta nas decisões em casa, mesmo trabalhando, pagando despesas relativas aos quatro filhos que teve com o ex-marido e fazendo empréstimos para ajudá-lo a quitar outros gastos.
“Quando eu recebia meu salário era o dia que ele mais me maltratava. Ele falava que se a mulher ajuda no sustento da casa, ele não estava mais valendo nada, que quem sustenta a casa é o homem”, conta Luiza, que é servidora pública e conta ter sido humilhada pelo ex-companheiro até mesmo quando obteve aprovação no certame. “Ele queria que eu saísse do trabalho por causa das crianças, que eram pequenas, mas eu sempre trabalhei e paguei escola para meus filhos sozinha”, diz.
Basta à violência
Luiza conta que somente tomou conhecimento de que a relação em que vivia não era saudável ao participar de uma palestra sobre violência proferida em seu local de trabalho. Segundo ela, após ter acesso às informações, chegou a conversar com o esposo, o que não adiantou.
O basta final ocorreu em maio de 2025, em mais um episódio de violência em que Luiza percebeu que sua vida estaria em risco caso seguisse naquele relacionamento. Ela conta que, certo dia, o então marido entrou na academia onde ela treinava com o punho cerrado e a mandou ir embora para casa. A primeira reação dela foi negar, mas, com vergonha das demais pessoas, resolveu ir embora pouco tempo depois.
Na rua, ao virar a esquina, ela foi novamente surpreendida pelo homem, que freou o carro bruscamente em cima dela. “Nesse dia, eu falei: Não quero mais! Esse homem vai me matar. Eu cheguei em casa, cuidei das crianças, fiz o almoço. Ele chegou e eu falei: a partir de hoje eu não quero mais. Acabou! E, a partir daquele dia, acabou. Eu fui na delegacia, fiz um boletim de ocorrência e pedi medida protetiva”, relata, emocionada.
Medidas que salvam vidas
Segundo Luiza, graças à medida protetiva, ela teve acesso também ao Botão do Pânico, o que salvou sua vida pelo menos cinco vezes em que o agressor descumpriu a medida restritiva que o obrigada a se manter afastado dela. “Toda vez que ele chegava perto de mim, eu acionava o Botão do Pânico e um policial me ligava e ficava na linha comigo até a viatura chegar”, conta Luiza.
O agressor chegou a quebrar a porta e invadiu a casa de Luiza, em uma madrugada, trauma que ela guarda até hoje. No descumprimento da medida protetiva, o agressor chegou a ser preso, conforme prevê a Lei nº 15.280/2025.
Apesar dos traumas, Luiza afirma que após conhecer a Lei Maria da Penha, não aceita mais viver no sofrimento “Tem uma lei que me ampara. Por mais difícil que seja, hoje eu me sinto segura, por mais que eu tenha medo, mas eu sei que a lei está aí pra me proteger. Espero poder sorrir novamente, voltar a ter aquela alegria que eu tinha, ter amigos, ter paz, tranquilidade”, afirma Luiza, que também é acompanhada pelo Centro Especializado de Atendimento às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais, ligado à Vara de Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá.
Luiza pontua ainda que não consegue explicar o motivo pelo qual não compreendia que a situação que ela vivia era de violência e compartilha sua força com outras mulheres que sofrem o que ela sofreu.*Luiza é um nome fictício utilizado nesta reportagem para proteger a identidade da vítima.
Confira também:
Um X na mão pode salvar vidas: Judiciário apoia campanha Sinal Vermelho
Redes de Enfrentamento impulsionam criação de políticas públicas nos municípios
Proteção que salva vidas: saiba como pedir medida protetiva online e usar o botão do pânico
Autor: Celly Silva
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Evento rememora primeira condenação do Brasil por violação dos direitos humanos
Magistrados (as) e servidores (as), especialmente integrantes dos Grupos de Monitoramento e Fiscalização (GMFs) e dos Comitês Estaduais Interinstitucionais de Monitoramento da Política Antimanicomial(CEIMPAS), estão convidados a participarem do evento “20 anos da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Ximenes Lopes vs. Brasil: memória, reparação e compromisso do Estado brasileiro com o cuidado”. O evento, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), será realizado no dia 27 de julho, às 16h, em formato virtual, com transmissão pelo canal do CNJ no Youtube, pelo link: https://yputu.be/BDGQLyuGO5k. A atividade relembra os 20 anos da sentença da primeira condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Além de resgatar a memória e a relevância histórica da decisão, o evento promoverá um debate acerca dos avanços e desafios da implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário, instituída pela Resolução CNJ nº 487/2023, reunindo representantes do Sistema de Justiça, da academia, de organismos internacionais, dos movimentos sociais e da gestão pública.
Na programação consta a realização da mesa “Das Recomendações da Corte à Resolução CNJ nº 487/2023: o que mudou em 20 anos?”, destinada à reflexão sobre os impactos da sentença na construção das políticas públicas de saúde mental e nos processos de desinstitucionalização desenvolvidos no país.
Além de magistrados e servidores da Justiça Estadual, o convite, encaminhado ao supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do sistema penitenciário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, é estendido aos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e demais instituições parceiras envolvidas na implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário.
Resumo do caso – O “Caso Ximenes Lopes versus Brasil” foi um processo internacional julgado em agosto de 2006 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil pela violação dos direitos humanos de Damião Ximenes Lopes. O Estado brasileiro foi acusado de violar os direitos previstos nos artigos 4 (direito à vida), 5 (à integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Damião Ximenes Lopes morreu no dia 4 de outubro de 1999, na Casa de Repouso Guararapes, vítima de tortura. Em 22 de novembro de 1999, Irene Ximenes Lopes Miranda, irmã de Damião, apresentou petição denunciando os fatos e a falta de investigação e punição dos responsáveis.
Autor: Nadja Vasques
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
-
POLÍTICA MT5 dias atrásVídeo de Pedro Taques viraliza nas redes e reacende debates sobre legado de sua gestão em Mato Grosso – assistam
-
Sinop4 dias atrásEstrada Dalva avança para fase final da pavimentação e recebe imprimação antes da aplicação do asfalto
-
POLÍTICA MT3 dias atrásApós reunião com Pivetta, Jayme endurece discurso, rejeita “candidato emprestado” e diz que eleição não pode ser vencida por W.O. – veja o video
-
POLICIAL7 dias atrásPolícia Civil deflagra operação contra facção criminosa que utilizava bingos para lavagem de dinheiro em MT
-
POLÍTICA MT7 dias atrásWellington Fagundes apoia redução da área mínima para parcelamento rural e destaca criação de agrovilas
-
POLÍTICA MT7 dias atrásCidinho Santos e Rogério Gallo ganham protagonismo na campanha de Pivetta e despontam como suplentes de Mauro Mendes ao Senado
-
VÁRZEA GRANDE MT7 dias atrásSílvio Fidélis consolida trajetória marcada pela competência técnica e protagonismo na gestão pública
-
POLÍTICA MT7 dias atrásAvallone diz que MT entendeu Pivetta e vê reflexo nas pesquisas

