TECNOLOGIA

MCTI realiza encontro com Povo Kuikuro sobre projeto que une ciência, dados e proteção da sociobiodiversidade

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ecossistemas e Biodiversidade (CGEB), esteve na Aldeia Ypatse, localizada na região do Alto Xingu, para iniciar um processo de consulta junto ao Povo Kuikuro, uma das 16 etnias presentes na região. A atividade faz parte da fase preparatória do projeto Entre-Ciências: territórios de saber em diálogo, iniciativa recém-aprovada pelo Fundo Global do Meio Ambiente (GEF) e desenvolvida em parceria com os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI) e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

O encontro foi uma oportunidade de escuta, respeitando os protocolos próprios do povo Kuikuro. “Com esse projeto, o MCTI atua em duas frentes importantes: primeiro pelo incentivo ao diálogo de saberes via pesquisas colaborativas; segundo pela promoção da governança e soberania dos dados, tema também muito caro às comunidades”, destacou Bruno Martineli, coordenador de programas e projetos de serviços ecossistêmicos do MCTI.

O projeto GEF Entre-Ciências tem como foco fortalecer a capacidade dos povos indígenas e comunidades tradicionais para produzir e gerir dados e informações sobre a sociobiodiversidade de seus territórios. O objetivo é que esse conhecimento contribua para a conservação ambiental, a valorização dos conhecimentos tradicionais e a promoção da gestão integrada da biodiversidade.

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A reunião contou com a participação de representantes da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), que atuará como agência executora do projeto, e de pesquisadores indígenas e não-indigenas em etnoarqueologia, liderados pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Também estiveram presentes parceiros do projeto Vozes da Amazônia Indígena, iniciativa vinculada ao programa Amazônia+10, como o Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Durante o encontro, o povo Kuikuro foi convidado a integrar o projeto GEF Entre-Ciências e irá discutir internamente a proposta. Entre os temas de interesse do Povo Kuikuro estão o estudo da biodiversidade, os impactos das mudanças climáticas no território e o monitoramento dos rios do Alto Xingu, regiões extremamente sensíveis por concentrarem cabeceiras de rios que abastecem toda a Terra Indígena do Xingu (TIX), muitas das quais estão fora dos limites e sofrem pressões da expansão agropecuária.

“Muitos indígenas da TIX já são mestres e até doutores. O encontro sobre o projeto foi uma oportunidade ímpar de escutar a sabedoria das lideranças e os conhecimentos dos pesquisadores Kuikuro”, afirmou Martineli.

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A pesquisa etnoarqueológica na região, já em andamento, é exemplo concreto de pesquisa colaborativa e orientada pelos interesses comunitários. Alinhado a essa abordagem, o GEF Entre-Ciências pretende ampliar o protagonismo de pesquisadores indígenas, especialmente jovens Kuikuro, que atuam na gestão ambiental e territorial, além de contribuírem para a educação em suas aldeias. “O projeto Entre-Ciências será lançado oficialmente em agosto, embora algumas atividades já estejam acontecendo. Será preparado e lançado um edital para permitir a participação de novos territórios”, concluiu Bruno Martineli.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

Brasil e China avançam nos preparativos para o CBERS-6

O desenvolvimento do CBERS-6, próximo satélite da cooperação espacial entre Brasil e China, avançou mais uma etapa. Em reuniões no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), especialistas brasileiros e chineses alinharam procedimentos técnicos que vão orientar a operação da missão, considerada um marco para o Programa CBERS por incorporar, pela primeira vez, uma carga útil com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR). 

A missão permitirá a obtenção de imagens independentemente das condições meteorológicas e da cobertura de nuvens, ampliando a capacidade de monitoramento ambiental, territorial e de desastres naturais. 

As equipes do Inpe e do China Centre for Resources Satellite Data and Applications (Cresda) definiram os principais encaminhamentos relacionados ao desenvolvimento do CBERS-6. Entre eles estão a elaboração conjunta dos planos de calibração e validação do satélite, a preparação dos testes de comissionamento e a definição dos níveis de processamento e dos formatos dos dados que serão disponibilizados aos usuários da missão. 

As instituições também avançaram na construção da estratégia operacional da carga útil SAR, incluindo procedimentos para aquisição, processamento e distribuição das imagens produzidas pelo satélite. 

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A Cresda é uma agência chinesa responsável pelo gerenciamento, processamento e distribuição de dados de satélites de observação da Terra. A instituição, vinculada à Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, atua na operação de dezenas de satélites e mantém parceria histórica com o Brasil no Programa CBERS, desenvolvido em conjunto pelo Inpe e pela China desde a década de 1980. 

Cooperação ampliada 

Os resultados das discussões foram consolidados em uma minuta assinada pelo diretor do Inpe, Antonio Miguel Vieira Monteiro, e pelo diretor-geral da Cresda, Chan Ming. O documento formaliza os principais compromissos assumidos pelas duas instituições para o desenvolvimento e futura operação do CBERS-6. 

Além da missão sino-brasileira, o acordo prevê o aprofundamento da cooperação em monitoramento ambiental. A Cresda manifestou interesse em disponibilizar ao Inpe dados dos satélites chineses Gaofen-1 e Gaofen-6 para apoiar sistemas brasileiros de monitoramento ambiental, como o Prodes e o Deter. 

Parceria de longa data 

A visita, que ocorreu em 19 e 20 de maio, também incluiu apresentações sobre plataformas e sistemas desenvolvidos pela instituição nacional para armazenamento, processamento e análise de dados geoespaciais, entre eles o Brazil Data Cube (BDC), a Base de Informações Georreferenciadas (BIG) e os sistemas de monitoramento ambiental utilizados pelo Programa BiomasBR. 

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As equipes também discutiram a campanha de calibração cruzada dos satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1, prevista para ocorrer no segundo semestre de 2026 no campo de calibração radiométrica de Dunhuang, na China. 

O que é o CBERS-6? 

O CBERS-6 será o primeiro satélite do programa sino-brasileiro equipado com radar de abertura sintética, tecnologia capaz de gerar imagens da superfície terrestre mesmo sob cobertura de nuvens ou durante a noite. A missão deve ampliar a capacidade de monitoramento ambiental e territorial dos dois países. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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