POLÍTICA MT
Mato Grosso não pode pagar a conta da nova taxação dos EUA
A decisão dos Estados Unidos de revisar e possivelmente aumentar tarifas sobre a importação de produtos estratégicos, como terras raras, minérios e commodities agrícolas, pode parecer, à primeira vista, um assunto distante, de relações internacionais. Mas não é. Essa discussão chega rapidamente ao produtor rural, ao empresário da mineração e ao exportador mato-grossense, que é quem realmente sente no dia a dia os impactos das barreiras comerciais.
Mato Grosso é protagonista da economia brasileira. Somos líderes no agronegócio e temos um enorme potencial mineral que começa a ser explorado com responsabilidade. Só que protagonismo também exige voz ativa. E é por isso que não podemos assistir passivamente à escalada de medidas protecionistas que ameaçam nossa competitividade global.
Em 2024, o Brasil exportou U$ 337* bilhões, sendo que os Estados Unidos representaram cerca de 16% desse total, com US$ 40,3 bilhões em compras. Mato Grosso, responsável por 28% da produção nacional de grãos em 2020, tem na exportação uma de suas principais fontes de receita. A imposição de tarifas pode reduzir a competitividade dos nossos produtos no mercado americano, afetando diretamente a economia estadual.
Além disso, a mineração em Mato Grosso, que inclui a produção de ouro, estanho e diamantes, também pode sofrer com essas medidas. O estado produziu 8,3 toneladas de ouro em 2017, com valor estimado em R$ 1 bilhão. A imposição de tarifas sobre minérios essenciais pode dificultar o acesso ao mercado americano e impactar negativamente os investimentos no setor.
Hoje, mais de 85% do potássio usado pela agricultura brasileira vem de fora — principalmente da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Marrocos e do Canadá. É uma dependência perigosa, que compromete nossa soberania alimentar. Ao mesmo tempo, projetos estratégicos, como o da Potássio do Brasil, vêm ganhando força justamente para romper esse ciclo. Precisamos apoiar essas iniciativas e blindá-las contra instabilidades externas.
O que está em jogo com a nova política tarifária dos EUA é muito mais que balança comercial. Estamos falando de empregos, renda e segurança econômica para milhares de mato-grossenses que vivem do que o estado produz. Um mercado fechado, tarifas elevadas e incertezas regulatórias representam perdas que começam na exportação, mas se espalham por toda a cadeia produtiva.
Diante desse cenário, é fundamental que o governo federal acompanhe de forma estratégica para mitigar os impactos dessas tarifas. É necessário buscar acordos comerciais que garantam o acesso dos nossos produtos aos mercados internacionais e incentivar a diversificação dos destinos das exportações brasileiras.
Em Mato Grosso, precisamos fortalecer a infraestrutura logística para facilitar o escoamento da produção e investir em tecnologia e inovação para agregar valor aos nossos produtos. Além disso, é essencial apoiar os produtores e empresários locais na adaptação às novas exigências do mercado internacional.
Como presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, defendo que o Estado participe ativamente dessa discussão. É preciso que o Governo Federal, por meio do Itamaraty e da área econômica, busque alternativas diplomáticas. Mas também precisamos nos preparar internamente, fortalecendo acordos com novos mercados, incentivando a industrialização local e ampliando a infraestrutura que dá sustentação à nossa vocação exportadora.
Temos um papel estratégico na segurança alimentar do Brasil e do mundo. Nossos produtores e empresários têm resiliência e capacidade para competir em qualquer cenário — desde que tenham condições justas.
Não podemos permitir que o esforço de quem produz seja comprometido por decisões unilaterais tomadas do outro lado do continente. Nosso compromisso, enquanto representantes públicos, é garantir que Mato Grosso siga crescendo com autonomia, responsabilidade e respeito ao seu protagonismo.
Max Russi – Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Gisela leva trajetória de defesa do consumidor, protagonismo nacional na proteção às mulheres para a campanha de Pivetta
Confirmada à compor a chapa ao Governo de Mato Grosso, Gisela Simona chega à disputa levando uma trajetória construída na administração pública, na defesa dos direitos do consumidor e em quase três anos de atuação na Câmara dos Deputados, período em que ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria de algumas das principais matérias relacionadas à proteção das mulheres e à defesa dos consumidores.
Cuiabana, advogada formada pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), especialista em Direito do Consumidor e servidora pública estadual de carreira, Gisela iniciou sua atuação no Procon de Mato Grosso em 2001 como conciliadora de defesa do consumidor. Ao longo de mais de duas décadas transformou-se em uma das vozes mais conhecidas da proteção do consumidor no Estado, ainda hoje conhecida pela população como “Gisela do Procon”.
Foi justamente essa trajetória técnica que a levou à política institucional. Em julho de 2023 assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde permaneceu por 33 meses. Nesse período integrou algumas das comissões mais estratégicas da Casa, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), considerada a mais importante do Parlamento, além das comissões de Defesa do Consumidor e de Defesa dos Direitos da Mulher.
Seu desempenho também a levou a ocupar espaços relevantes na estrutura política da Câmara. Tornou-se líder da bancada feminina do União Brasil e, posteriormente, vice-líder do maior bloco parlamentar da Casa, integrado por oito partidos e 363 deputados. Paralelamente, assumiu a presidência do União Brasil em Cuiabá, ampliando sua participação na articulação política da legenda em Mato Grosso.
Entre as principais marcas de sua atuação parlamentar está a relatoria do chamado Pacote Antifeminicídio, aprovado pelo Congresso Nacional em setembro de 2024 e transformado em lei no mês seguinte. A nova legislação endureceu significativamente a resposta penal aos crimes contra mulheres, elevando a pena do feminicídio para até 40 anos de prisão, hoje a mais alta prevista no Código Penal brasileiro.
Ao longo do mandato, Gisela concentrou sua atuação em três grandes eixos: defesa do consumidor, proteção das mulheres e enfrentamento às novas formas de violência econômica e digital.
Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apresentou propostas destinadas a ampliar a proteção de aposentados e pensionistas atingidos pelos golpes e defendeu mecanismos de compensação às vítimas.
Também apresentou projeto de lei propondo a extinção do cartão de crédito consignado, modalidade que considera responsável por grande parte do superendividamento de aposentados e pensionistas. Em outra frente, protocolou proposta proibindo operações de crédito em nome de crianças e adolescentes após sucessivos casos de utilização indevida de centenas de milhares de CPFs de menores por instituições financeiras.
Outra pauta que ganhou repercussão nacional foi sua atuação contra abusos praticados por companhias aéreas. Em audiências públicas e pronunciamentos na Câmara, criticou a suspensão nacional dos processos judiciais envolvendo atrasos e cancelamentos de voos, determinada durante a discussão da matéria no Supremo Tribunal Federal, defendendo que o consumidor não poderia ser penalizado pela demora na definição de um entendimento jurídico.
Também se tornou uma das parlamentares que mais vocalizaram os impactos sociais das apostas esportivas digitais. Mesmo tendo se posicionado contrariamente à expansão desse mercado, apresentou propostas para responsabilizar empresas e influenciadores que promovem plataformas de apostas e defendeu regras mais rigorosas para publicidade e proteção dos consumidores.
Ainda na pauta da proteção às mulheres, relatou o projeto que resultou na regulamentação nacional do porte e da comercialização do spray de pimenta para defesa pessoal feminina, sancionado em 2026, classificando a medida como um importante instrumento de autonomia e proteção para mulheres em situação de risco.
Também relatou o projeto que deu origem à Lei nº 15.423, tornando obrigatória a veiculação diária, no programa A Voz do Brasil, de informações sobre os serviços da rede nacional de enfrentamento à violência contra a mulher, ampliando a divulgação dos canais públicos de acolhimento e proteção.
Durante os recessos parlamentares criou o projeto “Gisela na Estrada”, iniciativa que percorreu milhares de quilômetros por Mato Grosso, visitando municípios de diferentes regiões para ouvir demandas locais, acompanhar obras e fortalecer a interlocução com lideranças comunitárias.
No exercício do mandato registrou presença integral nas sessões deliberativas da Câmara dos Deputados, mantendo índice de 100% de comparecimento em plenário, desempenho frequentemente citado como um dos indicadores de sua atuação parlamentar.
Mulher negra, oriunda do serviço público e sem tradição familiar na política, Gisela construiu sua trajetória eleitoral associando sua imagem à defesa do cidadão comum. Sua atuação passou a reunir temas como proteção do consumidor, combate à violência contra as mulheres, igualdade racial, fiscalização do poder público e atualização da legislação diante dos desafios impostos pela economia digital.
Homologada para disputar novo mandato, seu nome também passou a ser cogitado em diferentes momentos para compor uma chapa majoritária ao Governo de Mato Grosso, refletindo a projeção política construída durante sua passagem pelo Congresso Nacional e sua crescente inserção no cenário político estadual.
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