ASSÉDIO SEXUAL

Deputado Nelson Barbudo apresenta projeto que prevê afastamento preventivo de agentes públicos denunciados por assédio sexual

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O deputado federal Nelson Barbudo (PL-MT) apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 350/2026, que estabelece o afastamento imediato e preventivo de agentes públicos denunciados por assédio sexual contra mulheres no ambiente de trabalho. A proposta busca proteger as vítimas durante o processo de apuração, sem antecipar punições ou ferir o direito à ampla defesa.

De acordo com o texto, o afastamento ocorre apenas enquanto durar a investigação, com manutenção integral da remuneração do servidor. Caso a denúncia seja considerada improcedente, o agente retorna normalmente às suas funções. Em caso de comprovação do crime, o projeto prevê a perda automática do cargo público e a proibição de retorno ao serviço público por, no mínimo, 15 anos.

Segundo o deputado, o objetivo da proposta é evitar que mulheres continuem submetidas à autoridade de quem denunciam, situação que muitas vezes gera medo, constrangimento e silenciamento.

“O que estamos propondo não é condenação sem provas. É uma medida de proteção. Se a denúncia for falsa, o servidor volta ao cargo. Se for verdadeira, o Estado não pode fechar os olhos”, afirmou Nelson Barbudo.

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Outro ponto inovador do projeto é a possibilidade de denúncia por terceiros, como colegas de trabalho ou testemunhas, nos casos em que a vítima não se sente segura para formalizar a acusação. Para o parlamentar, o silêncio provocado pelo medo não pode ser confundido com inexistência do crime.

“Muitas mulheres se calam por receio de retaliação, perseguição ou perda do emprego. Permitir a denúncia por terceiros é uma forma de romper esse ciclo e garantir que os fatos sejam apurados”, destacou.

Diante de questionamentos sobre o risco de falsas acusações, o deputado reforça que o projeto não prevê punição automática, mas sim investigação com critérios legais.

“O afastamento é preventivo, temporário e com salário garantido. Justiça não é vingança, é apuração responsável. Ninguém será punido sem prova”, pontuou.

O projeto também esclarece que a iniciativa não exclui outras pautas de proteção social. Para Barbudo, é possível e necessário avançar em diferentes frentes.

“Proteger mulheres no ambiente de trabalho não significa ignorar outras vítimas, como crianças. O Estado tem o dever de proteger todos os vulneráveis, e isso não é uma disputa de causas”, concluiu.

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O PL 350/2026 aguarda despacho para tramitação nas comissões da Câmara dos Deputados.

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POLÍTICA MT

CPI da Saúde aprofunda apuração sobre pagamentos indenizatórios e prevê novas oitivas

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) deu continuidade, nesta quarta-feira (14), à apuração de procedimentos administrativos e pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A reunião ouviu o ex-secretário Gilberto Figueiredo, que respondeu aos questionamentos dos parlamentares sobre pagamentos indenizatórios, reconhecimento de dívidas e recomendações dos órgãos de controle. O atual secretário, Juliano Silva Melo, não compareceu à oitiva.

Entre os principais pontos debatidos estiveram os valores pagos por indenização, a continuidade desse tipo de despesa após a fase mais crítica da pandemia de Covid-19 e os procedimentos adotados pela Secretaria diante das orientações da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).

Após a reunião, o deputado Wilson Santos afirmou que as respostas do ex-secretário reforçaram a necessidade de esclarecer os pagamentos indenizatórios, que, segundo ele, ultrapassaram R$ 1,1 bilhão. O parlamentar também questionou o crescimento dessas despesas no período posterior à fase mais crítica da pandemia e citou pagamentos superiores a R$ 140 milhões ao Hospital Israelita Albert Einstein, sobre os quais considera necessário obter explicações.

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Em entrevista, Gilberto Figueiredo defendeu os procedimentos adotados durante sua gestão. Segundo ele, pagamentos indenizatórios já eram utilizados na administração estadual e, na área da Saúde, podem ocorrer em situações nas quais a aquisição de um medicamento ou serviço é necessária para garantir o atendimento de pacientes. O ex-secretário também afirmou que suas decisões consideravam as necessidades da assistência pública e que não manteve acordos ilícitos com empresas.

Foto: Helder Faria

A oitiva também abordou o cumprimento das recomendações dos órgãos de controle e a responsabilidade pelas decisões administrativas. Figueiredo declarou que, em determinadas situações, considerou necessário ponderar as orientações recebidas diante das necessidades dos pacientes. Já Wilson Santos avaliou que persistem dúvidas sobre os procedimentos e os valores envolvidos, que deverão ser considerados no andamento da investigação.

Comissão prevê novos encaminhamentos – A ausência do atual secretário de Saúde também esteve entre os assuntos tratados após a reunião. Wilson Santos informou que seria encaminhado pedido ao desembargador Marcos Machado para buscar a determinação judicial do comparecimento de Juliano Silva Melo, após sucessivos adiamentos. O deputado afirmou ainda que a CPI pretende ouvir outros agentes públicos, conforme a avaliação dos depoimentos e documentos reunidos.

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A comissão segue com a análise dos procedimentos investigados e a programação de novas oitivas. O prazo de funcionamento foi prorrogado, com previsão de encerramento dos trabalhos em janeiro de 2027.

Participaram da reunião os deputados Chico Guarnieri (PRD), vice-presidente da CPI; Beto Dois a Um (União), relator; e Dilmar Dal Bosco (União), membro titular.

Fonte: ALMT – MT

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