POLÍTICA MT
ALMT realiza sessão especial para entrega de honrarias
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), por meio do deputado Fábio Tardin (PSB), realizou na noite de quinta-feira (17), sessão especial para entrega de títulos de cidadão mato-grossense e moção de aplausos às personalidades das mais diversas áreas de atuação que contribuem para o desenvolvimento do estado.
Entres os homenageados, policiais do 4º Batalhão de Polícia Militar de Mato Grosso, no município de Várzea Grande; membros da diretoria da União Várzea-Grandense de Associação de Bairros (Univab); presidentes de bairros de Várzea Grande, e dois karatecas, do município de Nova Mutum, que receberam premiações no Campeonato Nacional e na Copa Internacional de Karate-Dô Tradicional, realizados em Salvador, na Bahia.
Cento e dez pessoas foram homenageadas com moções de aplausos. Cilso da Cruz Filho é uma delas. Presidente do bairro 15 de Maio, em Várzea Grande, a comunidade conta com 500 famílias em 37 anos de existência.
“Agradeço essa honraria, pois para mim é um orgulho. Fico muito feliz, é muito gratificante”, declarou Cilso, ao dizer que ainda este ano moradores do bairro irão receber as escrituras definitivas dos terrenos, uma luta de décadas que tem a contribuição do Parlamento.
Doze policiais militares do 4º Batalhão de Polícia Militar de Mato Grosso (BPMMT), no município de Várzea Grande, também receberam moções de aplausos. Eles participaram do resgate de uma vítima mantida em cativeiro no bairro Novo Mundo, em Várzea Grande.
O comandante do BPMMT, tenente-coronel Gleber Candido Moreno, afirmou que “quando recebemos homenagem de uma Casa de Leis é uma honra, já que ela representa o povo, e quem ganha é a corporação e a população, que tem por meio de nós um trabalho feito em prol do cidadão”.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Os irmãos gêmeos Gerson Nicolau Filho e Sandro Eduardo Nicolau Filho são karatecas e têm 10 anos. Eles falaram sobre a emoção de serem reconhecidos pelas premiações no Campeonato Nacional e na Copa Internacional de Karate-Dô Tradicional.
Gerson e Sandro trouxeram medalhas para Mato Grosso e falaram da emoção em estar na Assembleia Legislativa recebendo homenagens pelo esforço que tiveram nos campeonatos. “O que não falta no esporte é campeão. Ser campeão é vencer com garra ou perder lutando”, disse Gerson, que iniciou o Karatê aos 5 anos.
Outra homenageada da noite foi a investigadora de polícia Sandra Amorim Tavares. Há 37 anos em Mato Grosso, desses, 15 anos dedicados ao serviço público. Ela conta que aqui constituiu família e sua carreira.
“Esse título de cidadã mato-grossense veio consolidar um sentimento que estava em meu coração. Fui muito bem acolhida, conheci aqui meu esposo, tive meus filhos, meu emprego e eu amo tudo que essa terra me proporcionou em todos esses anos”, declarou.
O requerente da sessão especial, deputado Fábio Tardin lembrou que as honrarias são concedidas as pessoas que prestaram relevantes contribuições a Mato Grosso. “Hoje homenageio essas pessoas que são destaques no estado. Seja salvando vidas, em evidência no esporte, presidentes de bairros que recebem diuturnamente demanda da vizinhança, e o mais importante, fazem um serviço voluntário”.
O parlamentar acrescentou ainda que “muitos chegaram em nosso estado e iniciaram carreira, constituíram família e contribuíram com o desenvolvimento da região, e hoje estão sendo recompensados com essas homenagens”, justificou o parlamentar.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Gisela diz que lista de ‘estupráveis’ mostra ódio às mulheres e exige reação imediata da sociedade
Para diretora-executiva do União Mulher em MT foi a ‘cultura da violência’ que levou cantora cuiabana a desistir da vida esta semana
“O que aconteceu dentro da Faculdade de Direito da UFMT não é apenas mais um episódio de misoginia universitária. É um retrato brutal de como a violência contra a mulher continua sendo banalizada até mesmo em ambientes que deveriam formar consciência, ética e civilidade”. Disse à imprensa e em suas redes nesta quinta-feira (07.05),a diretora-executiva do União Mulher em Mato Grosso e presidente do União Brasil em Cuiabá, Gisela Simona, ao reagir com profunda indignação à divulgação de uma lista produzida por estudantes que classificava calouras do curso de Direito da UFMT como “estupráveis”.
Para Gisela, quando o ódio às mulheres chega às universidades, então a sociedade tem a obrigação de reagir antes que a violência simbólica se transforme em violência física e, pior, seja naturalizada. “Causa profunda indignação este episódio envolvendo alunos do curso de Direito da UFMT que produziram uma lista classificando colegas calouras como estupráveis. Não existe qualquer espaço para banalizar um ato como esse. Isto não é brincadeira, não é humor universitário, nem sequer pode ser observado como exagero de interpretação. Esta lista é literalmente um ato de violência, porque pressupõe a aceitação do estupro. É a reprodução de uma cultura cruel que humilha mulheres, incentiva a misoginia e normaliza o medo dentro de um ambiente que deveria ser de acolhimento, respeito e formação cidadã”, afirmou.
A manifestação da dirigente ocorre em meio à forte repercussão do caso, que provocou revolta entre estudantes e levou centenas de universitários a protestarem no campus da UFMT, em Cuiabá, com cartazes e manifestações públicas de repúdio. O conteúdo veio à tona após denúncia do Centro Acadêmico de Direito (CADI/UFMT), que divulgou nota cobrando providências institucionais e acompanhamento rigoroso das investigações.
Após a repercussão, a Faculdade de Direito instaurou procedimento administrativo para apurar as condutas atribuídas aos envolvidos. A reitoria da UFMT também determinou o afastamento dos estudantes investigados.
Para Gisela Simona, contudo, a gravidade do episódio ultrapassa os limites de uma infração disciplinar universitária, pois expõe um nível alarmante de naturalização da violência sexual contra mulheres jovens. “O estupro é um dos crimes mais brutais que existem e deixa marcas permanentes em suas vítimas. Transformar isso em piada revela um nível assustador de desrespeito à dignidade humana e à segurança das mulheres. Nenhuma estudante entra numa universidade para ser exposta, constrangida ou tratada como objeto”, ainda declarou.
E ao cobrar rigor nas apurações e punição exemplar aos responsáveis, Gisela também fez um movimento que ampliou a dimensão humana do debate ao relacionar o caso da UFMT a uma tragédia que ocorreu esta semana na capital mato-grossense: a morte da cantora de rock, Vanessa Capelette.
A conexão entre as duas histórias não foi construída apenas pela coincidência temporal. Mas pelo elo invisível e devastador que une mulheres marcadas pela violência sexual e pelo abandono emocional que frequentemente vem depois dela.
Ao comentar o caso, Gisela citou a repercussão do relato feito nas redes sociais pela cantora e compositora cuiabana Meire Pinheiro, que lamentou publicamente a morte de Vanessa. Em publicação emocionante, Meire relembrou a participação de Vanessa no projeto audiovisual “Viver Cultura”, realizado por meio da Lei Paulo Gustavo, ocasião em que a artista revelou ter sido vítima de estupro cometido por um padre, posteriormente preso sob acusações de abusos contra centenas de crianças.
Segundo relatos de pessoas próximas, Vanessa jamais conseguiu se libertar completamente das marcas emocionais deixadas pela violência sofrida na infância. As cicatrizes atravessaram décadas, afetaram sua saúde mental e, silenciosamente, corroeram sua relação com a própria vida.
Para Gisela, faz-se necessário ampliar o debate sobre as graves sequelas que o estupro deixa na vida de uma pessoa. Sobretudo, quando se observa o crescimento dos movimentos extremistas conhecidos como Red Pill que têm dado sinais claros de infiltração também dentro de ambientes universitários de Mato Grosso.
“Estamos falando de um trauma psicológico que destrói sonhos, destrói a saúde mental e, muitas vezes, destrói inteiramente o projeto de vida de uma pessoa. O estupro não termina no ato. Ele continua vivendo dentro da vítima por anos, às vezes pela vida inteira. Por isso precisamos deslocar o debate do terreno superficial das redes sociais para uma discussão muito mais profunda e mostrar uma sociedade que ainda insiste em minimizar violências que podem acompanhar mulheres até o fim da vida, inclusive, fazê-las desistir dela”.
Para a parlamentar, episódios como o da UFMT demonstram que Mato Grosso precisa enfrentar de forma mais séria o avanço de discursos misóginos que se espalham pelas redes sociais e passam a influenciar comportamentos concretos no cotidiano. “Quando o ódio às mulheres deixa a internet, entra nas universidades, e se alastra no tecido social, temos obrigação de reagir.”
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