AGRONEGÓCIO
Tire suas dúvidas sobre o Sistema Nacional de Cadastro Rural
Proprietários rurais, profissionais de contabilidade e demais interessados sobre o preenchimento da Declaração de Cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) terão uma grande oportunidade na próxima quinta-feira (17). A partir das 9h, o canal do Senar-RS no YouTube transmite a palestra “Sistema Nacional de Cadastro Rural (DCR-Incra) Usando na Prática”, ministrada pelo assessor da Presidência do Sistema Farsul, Derly Girard.
No evento online, o especialista explicará passo a passo o preenchimento da declaração, que serve para a análise fundiária do imóvel. O documento permite verificar, por meio das informações prestadas, se a propriedade cumpre com um dos quesitos da função social que é o uso racional e adequado e para emissão do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR).
“No CCIR, consta se a propriedade é produtiva, e para isso precisa atender os índices de produtividade estabelecidos na lei, como grau de utilização (GUT) igual ou superior a 80% e grau de eficiência na exploração igual ou superior a 100%. Também esse documento é indispensável para vender ou hipotecar o imóvel e para obter financiamento nos bancos oficiais”, explica Girard.
O assessor antecipa que o cadastro consiste em três formulários, com questões sobre a situação jurídica do imóvel, seu uso e pessoas relacionadas à propriedade (dono, arrendatários, parceiros ou comodatários).
“Essa declaração é feita na Internet de forma eletrônica, onde a pessoa precisa obter uma senha no gov.br para o acesso. Também todos os documentos exigidos são enviados de forma digital no mesmo portal da DCR”, esclarece Girard.
LIVE – Palestra ‘Sistema Nacional de Cadastro Rural (DCR-INCRA) Usando na Prática’
Quando: quinta-feira, 17 de fevereiro, 9h
Onde: Canal do Senar-RS no YouTube (www.youtube.com/SenarRioGrandedoSul)
Com: Derly Girard, assessor da Presidência do Sistema Farsul
Apresentação: Fabio Ramon Baldessar, analista de Arrecadação do Senar-RS
*Reprodução permitida desde que atribuídos os créditos à ASCOM/Padrinho Conteúdo
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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