AGRONEGÓCIO
Sistema Faesc/Senar-SC forma mais uma turma do Curso Técnico em Agronegócio em Canoinhas
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Santa Catarina (Senar/SC), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina, formou no último fim de semana, a segunda turma do curso Técnico em Agronegócio, na cidade de Canoinhas, no Planalto Norte Catarinense. Os 12 formandos da turma 2020/2021 receberam os certificados de colação de grau no Restaurante Doces & Fricotes em uma solenidade que contou com a presença de familiares, diretores do Sistema Faesc/Senar, Sindicato do Produtores Rurais, coordenadores, tutores e demais autoridades. A capacitação teve início em março 2020. Além da colação de grau, a solenidade também contou com homenagens e jantar de confraternização.
O assessor jurídico da Faesc e representante do Sistema Faesc/Senar, Clemerson José Argenton Pedrozo, lembrou o esforço e o empenho tanto de coordenadores e tutores do curso, bem como dos alunos que tiveram que enfrentar a pandemia do Coronavírus durante todo o período letivo. “Muitas aulas que deveriam ser presenciais tiveram que ser adaptadas para o modo virtual em virtude da pandemia, porém todos souberam cumprir com excelência suas obrigações e concluíram com sucesso o curso”, destacou. Com um amplo mercado de trabalho em vista, “o técnico em agronegócio é voltado para a gestão das empresas agrícolas, mas sua atuação não se limita aos processos internos de uma fazenda, podendo trabalhar em empresas comerciais, estabelecimentos agroindustriais, serviços de assistência técnica, extensão rural e pesquisa, revendas, consultorias, bem como em empresas de fomento”, explicou Pedrozo.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Canoinhas, Edmilson Luiz Verka, o polo de Canoinhas foi uma conquista muito grande para a região e a formatura da segunda turma é motivo de imenso orgulho. “Agora temos novos profissionais aptos a executar o comando da sua propriedade ou prestar serviços na área para aumentar a produtividade com qualidade, além disso já temos mais uma turma do curso sendo iniciada”, enalteceu. Verka também anunciou que já solicitou à diretoria do Sistema Faesc/Senar, a implantação de um polo da Faculdade CNA em Canoinhas, com o objetivo de oferecer cursos superiores tecnológicos a distância. Atualmente a instituição de ensino superior, que é ligada à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), possui quatro polos da qual o Sistema Faesc/Senar-SC é signatário, oferecendo os cursos, integralmente on-line e nas áreas de gestão em agronegócio.
O formado Cleiton Greschechen que também foi o orador da turma disse que a formatura foi uma importante conquista na sua vida, mais um passo em direção ao seus objetivos pessoais e profissionais. “Este momento especial do dia de hoje se deve graças ao nosso empenho, a nossa dedicação e a nossa força de vontade, pois passamos por um momento muito difícil no mundo todo com a pandemia, e isto foi vivenciado no nosso curso também”, lembrou.
O produtor rural e professor, formado no curso técnico em agronegócio Amilton de Souza disse que o curso vai agregar muito em sua atividade profissional. “As experiências trocadas ao longo do curso com os colegas e professores somaram muito com o conteúdo ministrado nas aulas, então foi muito proveitoso participar desta formação, já que moramos em uma região onde o agronegócio é muito importante, e temos que estar sempre acompanhando as mudanças e evoluções tecnológicas que o setor vivencia a cada dia”, frisou. Souza agradeceu ao Senar/SC e aos responsáveis pela implantação do polo em Canoinhas, dizendo que é uma oportunidade única para os agricultores da região.
“Destaco com orgulho que vocês estão no caminho certo para serem agentes de transformação e atuarem como parceiros do produtor rural, levando técnicas inovadoras e sustentáveis, principalmente de gerenciamento, na conquista pela produtividade e lucratividade, com visão empreendedora no campo”, afirmou Carine Weis, supervisora do Senar/SC. Carine lembrou a trajetória de uma das formadas, Clair Rosicler Voigt que em certa oportunidade a procurou querendo adquirir conhecimentos para poder agregar na sua propriedade na produção de flores de corte, e foi por ela incentivada a fazer os cursos do Senar.
O curso Técnico em Agronegócio do Senar/SC é totalmente gratuito e a terceira turma do polo de Canoinhas já foi iniciada em 2022 após concorrida seleção. “A procura superou as expectativas, devidos à demanda do mercado por profissionais capacitados”, destacou a Paraninfa e secretária do Polo de Canoinhas, Sabrine Suzan Verka.
Além dos doze alunos que receberam seus certificados de técnicos em agronegócio na solenidade oficial de formatura no sábado, outros quatro também concluíram o curso, porém não puderam participar da solenidade.
A coordenadora regional do Curso Técnico em Agronegócio, Kátia Zanela, ressaltou o comprometimento dos alunos que chegaram até o fim do curso e que agora receberam o diploma de Técnicos em Agronegócio. “Temos orgulho pelos avanços que observamos nas propriedades e nas empresas do agronegócio onde muitos de nossos egressos atuam. Não temos dúvidas de que a turma de Canoinhas também será muito bem-sucedida. Parabéns aos novos profissionais!”.
O presidente do Sistema Faesc/Senar-SC, José Zeferino Pedrozo, representado no evento por Clemerson Pedrozo, parabenizou a turma de Canoinhas e todos os profissionais envolvidos no curso por mais uma formatura no município. “Temos orgulho por contribuir com a qualificação técnica destinada, prioritariamente, a quem atua no campo. Pelo histórico bem-sucedido das diversas turmas já formadas no Estado, temos a certeza de que esses novos profissionais terão grandes oportunidades de crescimento na carreira, além de contribuírem para o desenvolvimento de propriedades rurais e empresas do setor na região”.
AGRONEGÓCIO
Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta
A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.
O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.
Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.
Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.
O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.
O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.
A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.
A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.
Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.
A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.
Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.
A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.
As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.
Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.
Fonte: Pensar Agro
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