AGRONEGÓCIO

No Dia Mundial dos Fertilizantes, Mapa participa da Assembleia de Constituição para criação de centro de fertilizantes e nutrição de plantas

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou, nesta segunda-feira (13), da Assembleia de Constituição para a criação do Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CEFENP). Este é o primeiro passo de uma iniciativa que marca o início da jornada para estabelecer uma instituição estratégica, que tem como objetivo reduzir a alta dependência brasileira de fertilizantes importados e posicionar o país como líder em tecnologias sustentáveis para a agricultura.

Apesar de ser uma potência agrícola mundial, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, gerando uma forte vulnerabilidade a crises geopolíticas e flutuações de preços no mercado internacional. Este cenário é agravado por uma dependência tecnológica, em que mais de 90% das tecnologias aplicadas são desenvolvidas para condições de solo e clima diferentes das encontradas nas regiões tropicais, resultando em menor eficiência agronômica e maior impacto ambiental.

O Brasil enfrenta, atualmente, um dos maiores desafios estruturais do agronegócio: a dependência externa e tecnológica no setor de fertilizantes. Embora seja uma potência agrícola, a importação de insumos ainda representa uma barreira significativa. O CEFENP nasce com a missão de contribuir para a construção de uma agropecuária mais competitiva, sustentável e inclusiva, democratizando o acesso a tecnologias modernas para todos os produtores rurais.

Para alcançar esse objetivo, o Centro atuará como um catalisador para a transformação, fomentando a autonomia tecnológica do Brasil. Além disso, promoverá a integração entre governo, mercado e academia para acelerar o desenvolvimento de uma nova geração de fertilizantes e tecnologias de nutrição de plantas, de baixo carbono, alta eficiência e adaptadas à realidade tropical.

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A condução do processo foi um ponto de destaque, liderada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em cumprimento a uma resolução do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (CONFERT). O Ministério conduziu o processo por meio da Câmara Técnica de Assuntos Agrícolas do Conselho, orientando os entes públicos e privados para a criação do Centro de Excelência.

Essa atuação reforça o papel central do Mapa na articulação e execução do Plano Nacional de Fertilizantes, garantindo que a criação do CEFENP seja uma iniciativa com foco nas diretrizes e metas desta política pública setorial, voltada à conquista da autonomia tecnológica do Brasil na cadeia de fertilizantes e insumos para a nutrição de plantas.

A partir deste encontro, o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas avançará, nos próximos meses, na estruturação de sua personalidade jurídica e organizacional. O objetivo é preparar o Centro para seu lançamento internacional durante a COP 30, que será realizada em Belém, em novembro de 2025, onde apresentará ao mundo suas soluções de governança e tecnologias para uma agricultura mais resiliente e produtiva.

A assembleia consolidou uma aliança inédita na história do setor no Brasil, unindo pilares essenciais de forma robusta e diversificada. O setor industrial também marcou presença.

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O engajamento público e acadêmico foi representado pelos governos do Rio de Janeiro e de Mato Grosso, com destaque para a Pesagro/RJ e o INEA/RJ, e por um grupo de universidades, incluindo a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). A representação setorial foi garantida por associações como o Sinprifert e a Abisolo, enquanto a dimensão internacional da aliança foi reforçada pela presença do International Fertilizer Development Center (IFDC), do DEFRA (Reino Unido) e da UNIDO (ONU).

O encontro também contou com a participação estratégica de representantes da Petrobras, Embrapa, Serviço Geológico do Brasil (SGB) e do Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), que se juntarão formalmente à iniciativa em 2025, fortalecendo ainda mais a coalizão.

PRÊMIO SOBERANIA ALIMENTAR 2025

Ainda durante o evento, que ocorreu no Dia Mundial de Fertilizantes, foi entregue o Prêmio Embaixadores da Soberania Alimentar 2025, concedido pelo Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert). No Governo Federal, foi homenageado o CONFERT, representado pelo Mapa e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Informações à imprensa 
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Pesquisadores alertam: EL Niño vem turbinado e vai afetar calendário agrícola no Brasil

Pesquisadores e centros meteorológicos internacionais identificaram sinais de que o El Niño de 2026 pode entrar para o grupo dos mais intensos das últimas décadas e permanecer ativo até o início de 2027. O fenômeno, potencializado pelo aquecimento global, tende a alterar o calendário agrícola brasileiro, com risco de atraso no plantio da soja no Centro-Oeste e no Matopiba e excesso de chuvas no Sul, principal região produtora de trigo do País.

As projeções divulgadas entre maio e junho consolidaram a expectativa de um evento persistente. Em algumas áreas próximas à costa da América do Sul, o aquecimento da superfície do oceano chegou a ficar entre 2°C e 3°C acima da média, enquanto a região central do Pacífico registrava anomalias em torno de 0,7°C.

Diferentemente dos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o El Niño de 2026 se desenvolve em um cenário de aquecimento mais generalizado dos oceanos. Com menos contraste entre águas quentes e frias, os pesquisadores passaram a utilizar novos indicadores para medir a intensidade do fenômeno. Por esse critério, o episódio atual já apresenta características semelhantes às observadas em alguns dos eventos mais severos do registro histórico.

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No Brasil, os efeitos costumam variar entre as regiões. No Sul, a combinação entre o El Niño e outros padrões atmosféricos pode favorecer volumes de chuva acima da média durante a primavera e o verão. Para culturas de inverno, como o trigo, a distribuição das precipitações ao longo do ciclo tende a ser mais importante que o volume acumulado, já que excesso de umidade durante a fase reprodutiva e na colheita pode afetar a qualidade dos grãos.

No Centro-Oeste e no Matopiba, o comportamento tradicional do fenômeno é diferente. As chuvas costumam se tornar mais irregulares no início da primavera, período que marca a abertura do plantio da soja. Eventuais atrasos na semeadura podem reduzir a janela ideal para o milho de segunda safra em 2027, responsável por cerca de 80% da produção brasileira do cereal.

O País entra nesse cenário após uma safra recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 358,6 milhões de toneladas de grãos em 2025/26, além de uma colheita de 66,7 milhões de sacas de café e mais de 700 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

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Segundo os especialistas, os impactos do fenômeno tendem a ser mais regionais do que nacionais. Enquanto parte das áreas produtoras pode registrar condições favoráveis, regiões dependentes da regularidade das chuvas, como Centro-Oeste e Matopiba, e áreas mais suscetíveis ao excesso de precipitações, como o Sul, devem concentrar maior atenção ao comportamento do clima ao longo da safra 2026/27.

Fonte: Pensar Agro

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