AGRONEGÓCIO

Na Expointer 2025, o Programa Nacional de Bioinsumos fortalece o debate sobre a sustentabilidade na agropecuária brasileira

O Programa Nacional de Bioinsumos (PNB), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foi apresentado no dia 1º de setembro, durante o encontro “Cenários e Oportunidades em Bioinsumos”, evento dedicado ao debate sobre sustentabilidade, produção de leite e políticas territoriais. A iniciativa fez parte da programação da Expointer, que acontece em Esteio (RS) até o dia 7 de setembro.

O encontro também trouxe experiências práticas do uso de bioinsumos na agricultura familiar, reforçando o papel destes como uma alternativa sustentável e estratégica para reduzir a dependência de insumos externos, diminuir custos e gerar renda no meio rural, ao mesmo tempo em que contribui para a conservação ambiental e para a transição a sistemas de produção mais sustentáveis.

Durante a apresentação do PNB, a coordenadora-geral de Bioeconomia do Mapa, Valéria Burmeister Martins, ressaltou a transversalidade dessa política e a importância das integrações entre setores públicos e privados para seu desenvolvimento, além de atualizar os participantes sobre o andamento do processo de regulamentação da Lei de Bioinsumos.

Programa Nacional de Bioinsumos

Instituído pelo Decreto nº 10.375/2020, o Programa Nacional de Bioinsumos (PNB) tem como objetivo promover a inovação e ampliar o uso de bioinsumos na agricultura brasileira, fortalecendo a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

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O programa articula governo, setor produtivo, academia e sociedade civil para desenvolver e disponibilizar soluções biológicas que aumentem a eficiência e a competitividade do setor agropecuário. Além de atender à agricultura convencional em larga escala, o PNB é estratégico para a agricultura familiar.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

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O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

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A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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